Conheça a nova cédula de 20 francos suíços (clipping)

Por Catherine Bosley (original)

10 de maio de 2017 – 6h27 Hora de Brasília

O Banco Nacional da Suíça leva o dinheiro a sério.

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O vice-presidente do Banco Nacional da Suíça, Fritz Zurbruegg, anuncia a nova cédula de 20 francos (foto: Michele Limina/Bloomberg).

A instituição mal venceu o prêmio de cédula do ano, com a peça de 50 francos, e já apresentou o desenho da nova nota de 20 francos, na última quarta-feira, considerada pelo vice-presidente do Banco, Fritz Zurbruegg, a mais segura do mundo.

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Com coloração predominantemente vermelha e com o tema da luz e da cultura, a nova cédula, feita de papel de algodão com um núcleo de polímero, entrará em circulação em 17 de maio.

“A nota de 20 francos foca na criatividade da Suíça, destacando a cena cultural e artística vibrante em várias áreas”, disse Zurbruegg em uma cerimônia em Berna.

A nota de 20 segue-se à introdução da nova cédula de 50 francos, que foi considerada a cédula do ano de 2016 por um grupo internacional de especialistas, batendo outros dezoito competidores, incluindo a controversa nota de 5 libras do Banco da Inglaterra. A nova série suíça mostra elementos da natureza em vez de retratos de figuras históricas do país.

A nova nota de 20 tem quinze elementos de segurança, incluindo um globo que muda de cor, um mapa da Suíça prateado e uma cruz que se transforma na bandeira do país.

Em resposta sobre por que a nota seria a mais segura do mundo, Zurbruegg respondeu com uma risadinha: “Eu reivindico o título”.

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O meio circulante do real

Muita especulação e muito achismo aparecem quando se fala no meio circulante do real, segundo padrão monetário de maior duração desde 1942, contando, em dezembro de 2017, com 23 anos e cinco meses, prestes a ultrapassar o primeiro cruzeiro, esse sim, o padrão mais duradouro no pós-1942, vigente de outubro de 1942 a fevereiro de 1967, contando 24 anos e cinco meses; marca que o real alcançará em novembro de 2018.

Nesses quase 23 anos e meio de real, houve alterações substanciais no meio circulante. Em julho de 1994 foram lançadas uma série de cédulas e uma série de moedas para circulação provisória. A segunda família de moedas, que pôs fim ao reinado absoluto de quase vinte anos do aço inox, entrou em circulação em 1º de julho de 1998, quarto aniversário do padrão. A série de cédulas foi sendo substituída em três etapas, entre 2010 e 2013.

O fato de terem sido lançadas novas séries de cédulas e moedas não quer dizer que as primeiras versões não tenham mais validade.

A primeira família de cédulas, lançada em 1994, contava com as peças de 1, 5, 10, 50 e 100 reais. A cédula de 2 reais foi introduzida em 13 de dezembro de 2001, e a de 20, em 27 de julho de 2002. A numária brasileira não via cédulas com múltiplo de 2 desde o lançamento da cédulas de 200 cruzados novos, que comemorava os cem anos da Proclamação da República, em 1989.

A primeira família de moedas foi lançada também em julho 1994 e contava inicialmente com as peças de 1, 5, 10, 50 centavos e 1 real. A moeda de 25 centavos, provavelmente um protótipo para uma possível segunda família, foi lançado em setembro daquele ano.

Vamos então a alguns mitos e boatos que há a respeito da numária do real.

A moeda de centavo não vale mais.

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Falso. Embora sua produção tenha sido descontinuada a partir de 2005, a moeda segue tendo curso legal, ou seja tem valor e tem de ser aceita como meio de pagamento (até o limite de cem vezes seu valor de face). E isso vale tanto para as moedas de aço da primeira família como para as de aço eletrorrevestido de cobre da segunda.

As moedas de aço não valem mais.

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Parcialmente falso. Todas as moedas emitidas a partir de 1994 têm valor legal, exceto a de 1 real da primeira família, que foi demonetizada em 23 de dezembro de 2003; é a única sem valor. As outras continuam tendo poder de compra.

As moedas verdadeiras são atraídas pelo ímã.

Parcialmente falso. Entre 1998 e 2001, foram emitidas moedas de 50 centavos e 1 real, de cuproníquel e de anel de alpaca e miolo de cuproníquel, respectivamente. Esses metais são amagnéticos, ou seja, não são atraídos pelo ímã. Em 2002, por conta dos custos de produção, o Banco Central trocou por aço os metais das moedas citadas.

 Qualquer moeda fora dessas datas (1998-2001) e não magnéticas, sim, são falsas.

A cédula de 1 real não vale mais.

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Falso. A produção da cédula de 1 real foi descontinuada em 2005 — fato por que não há cédula de 1 real na segunda família —, mas as que ainda estiverem em mãos dos usuários podem ser usadas e devem ser aceitas, pois têm valor legal.

A cédula de 10 reais de plástico é falsa/não vale mais.

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Em 2000, o Banco Central emitiu uma cédula de polímero que comemorava os 500 do descobrimento do Brasil, bem diferente da série então vigente. Tratou-se de um teste de material para a segunda família, mas que não vingou. Embora praticamente não sejam mais vistas em circulação, continuam tendo valor legal e devem ser aceitas por comércio e setor bancário.

Meu primo/vizinho/amigo me disse que as moedas das olimpíadas valem R$ 50 cada.

Falso. Das moedas comemorativas do real, podem chegar a ter valor considerável a de 1 real dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1998), com 600 mil exemplares, e o chamado real da Bandeira Olímpica (2012), com 1 milhão de exemplares. As de 10 e 25 centavos da FAO, de 1995, também podem chegar a valer algo. Todas as outras, incluindo as das modalidades olímpicas (2015-2016), do Juscelino Kubitschek (2002), dos 40 anos do BC (2005) e dos 50 anos do BC (2015) foram emitidas todas em quantidades superiores a 10 milhões, o que não faz delas raridades.

A moeda de 25 centavos é uma invencionice

Em 27 de agosto de 1994 (Carta Circular BC nº 4.198), à imitação do dólar americano, foi introduzida a moeda de 25 centavos de real, representando um quarto da unidade. O fato justifica-se por conta da dolarização inicial trazida pelo plano Real

Tal valor é alienígena se observarmos moedas emitidas anteriormente, em que a possibilidade de fração entre 10 centavos (um décimo) e 50 centavos (meio) era representada por um submúltiplo de 2 (vinte centavos, um quinto). É antinatural porque não se reproduz nos múltiplos. Seria necessária uma cédula/moeda de R$ 2,50 (como alguns países tiveram, como Espanha e Portugal).

Toda nossa numária posterior a 1942 tem como base os múltiplos ou submúltiplos de 1, 2 e 5. O mais aceitável seria uma moeda de 20 centavos, como tivemos entre 1942 e 1961, entre 1967 e 1979 e entre 1986 e 1988.

À esq. moeda de 20 centavos de 1970; à dir., a peça de 25 centavos introduzida em 1994

O poder liberatório das moedas metálicas

Poder liberatório, segundo o Glossário do Banco Central (BC) é a “capacidade da cédula, ou moeda, de liberar débitos, de efetuar pagamentos”.

Se observamos os vários textos legais que punham as moedas em circulação, encontraremos um limite de uso de moedas metálicas, como disposto, p. ex., no art. 5º do Decreto nº 21.358, de 4 de maio de 1932, que dispõe sobre as moedas da chamada Série Vicentina:

Art. 5º O poder liberatório das moedas que trata o art. 1º será, salvo mútuo consentimento das partes, respectivamente 40$0, 20$0 e 4$0, para as de prata, cobre-alumínio e [cupro]níquel, respectivamente.

Ou seja, as moedas, em um pagamento feito apenas com elas, tinham um limite de aceitação, que, a critério do recebedor, poderia ser ampliado. Ninguém era obrigado a aceitar moedas acima do limite estipulado.

Nas normativas a respeito do real há referência ao poder liberatório das peças metálicas, do que se deduz ser possível pagar qualquer quantia com moedas metálicas.

Errado. Embora não conste limitação expressa do poder liberatório das moedas, a Lei nº 8.697, de 27 de junho de 1993 — conversão em lei da Medida Provisória nº 336, de 28 de julho de 1993 —, que criou o cruzeiro real, fixa, em seu art. 9º:

Art. 9º Ninguém será obrigado a receber, em qualquer pagamento, moeda metálica em montante superior a cem vezes o respectivo valor da face.

Embora a MP nº 542, de 30 de junho de 1994 —  a MP do Real, reeditada várias vezes[1] e finalmente convertida na Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 — tenha criado uma nova moeda e não trate do poder liberatório das peças metálicas, como não consta revogação expressa da Lei nº 8.697, as partes do texto que não foram alteradas pela MP do Real são aplicáveis continuam em vigor:

Art. 23. A partir de 01.08.93:

[…]

V – Ninguém será obrigado a receber, em qualquer pagamento, moeda metálica em montante superior a cem vezes o respectivo valor de face;

[…]

Logo, o poder liberatório das nossas moedas metálicas segue esse inciso. Ninguém é obrigado a aceitar montante superior a cem vezes o valor de face das peças; vejam que não é uma proibição, logo, fica a critério do recebedor aceitar ou não.

O poder liberatório das moedas metálicas

* * *

[1] MPs nº 566, de 29 de julho de 2994, nº 596, de 26 de agosto de 1994, nº 635, de 27 de setembro de 1994, nº 681, de 27 de outubro de 1994, nº 731, de 25 de novembro de 1994, nº 785, de 23 de dezembro de 1994, nº 851, de 20 de janeiro de 1995, nº 911, de 21 de fevereiro de 1995, nº 953, de 23 de março de 1995, nº 978, de 20 de abril de 1995, nº 1.004, de 19 de maio de 1995, e nº 1.027, de 20 de junho de 1995.

Casas da Moeda

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Anverso de peça de prata emitida pelos trezentos anos da Casa da Moeda, em 1994

Desde que o governo Temer anunciou a inclusão da Casa da Moeda do Brasil (CMB) em um bloco de concessões, os ânimos estão acirrados, seja entre críticos das privatizações ou entre alguns colecionadores e numismatas.

A CMB é tricentenária. Foi fundada ainda na época colonial, em 8 de março de 1694, com sede originalmente em Salvador, à época capital da colônia, mas logo mudada para o Rio de Janeiro, onde está até hoje, se bem que não mais nos recintos apertados da praça da República; desde os anos 1980, a unidade fabril está em Santa Cruz, zona Oeste da capital fluminense.

O anúncio da privatização da fábrica mexeu com os brios patrióticos de alguns. Mas todo país tem necessariamente uma casa da moeda? Vamos analisar rapidamente nossos vizinhos da América do Sul.

Têm instituições similares à nossa CMB Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela. São mais recentes as da Colômbia, criada em 1982, e a da Venezuela, criada em 1989. As de Argentina, Chile e Peru são como as nossas, evoluções de instituições fundadas ainda no tempo da colonização espanhola.

E os outros países sul-americanos? Como fabricam suas moedas? Fora. O Uruguai é cliente habitual das casas da moeda de Argentina e Chile; eventualmente encomenda alguns lotes de moedas metálicas à Royal Mint do Reino Unido. O Paraguai já fez moedas com a Kropf, fábrica privada alemã, com a Royal Mint, Casa da Moeda do Chile e CMB. A Bolívia também compra moedas de vários fabricantes, inclusive da CMB; o Equador também importou moedas de vários países, inclusive do Brasil. As da Guiana são feitas pela Royal Mint, na antiga metrópole. E, por fim, o Suriname importa suas moedas da Holanda (Koningklijk Nederlandse Munt) e do Reino Unido (Royal Mint).

A venda da CMB não significa que o dinheiro deixará necessariamente de ser feito no Brasil; a ideia é que a fábrica seja administrada pela iniciativa privada, e o BC poderá abrir editais. A fábrica que oferecer melhores condições leva o contrato.

O que é estranho é a CMB, sendo estatal e localizada no Brasil, usando insumos também nacionais — o papel das cédulas vem de Salto/SP, e os discos de duas empresas, em Jundiaí/SP e Guarulhos/SP — não consiga produzir cédulas mais baratas que uma fábrica localizada na Suécia.

Vigência das cédulas de maior valor

Embora o assunto principal deste blogue sejam as moedas, é interessante ver o comportamento do nosso meio circulante de papel.

Tendo em conta os ciclos inflacionários pós-1942, fizemos uma contagem aproximada de quanto tempo determinada cédula foi a maior em circulação enquanto outra não a suplantou.

No período pós-1942, a mais longeva é a cédula de 100 reais, que continua contando tempo aos seus 23 anos em circulação como valor mais alto. A que ocupou o posto por menos tempo foi a de mil cruzeiros reais, por 28 dias em outubro de 1993.

Os valores de equivalência de poder de compra são em níveis de junho de 2017.

Mil cruzeiros (1943) – aproximadamente 19 anos. Pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas, pela correção inflacionária, essa cédula, quando lançada, teria o poder de compra hoje de aproximadamente R$ 2,3 mil. Em 1947 pagava mil tarifas de ônibus na cidade de São Paulo (Cr$ 1,00). Comprava, em dezembro de 1943, US$ 94,07, a Cr$ 10,63 por dólar (fonte Diário da Noite de 30 dez. 1943).

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5 mil cruzeiros (17 dez 1962) – aproximadamente três anos e quatro meses. Em valores atualizados, valia, em seu lançamento, o equivalente a R$ 383. Pagava exatamente 200 passagens de ônibus em São Paulo (Cr$ 25). Em 27 dez. 1962, o dólar cotava-se a Cr$ 810, logo, a cédula comprava US$ 6,17 (fonte Correio da Manhã de 27 de dezembro de 1962).

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10 mil cruzeiros (agosto de 1966) 10 cruzeiros novos (a partir de 13 fev. 1967) – três anos e nove meses. Valia, no lançamento, cerca de R$ 120. Pagava 66 passagens de ônibus (Cr$ 150) e sobravam Cr$ 100. Em 11 de agosto de 1966, o dólar valia Cr$ 2.200; a cédula comprava US$ 4,54 (fonte Correio da Manhã de 11 de agosto de 1966).

Em fevereiro de 1967, a cédula pagava as mesmas passagens, mas comprava apenas US$ 3,69, com o dólar cotado a NCr$ 2,71 (fonte Correio da Manhã de 21 de fevereiro de 1967).

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100 cruzeiros (15 maio 1970) – dois anos e seis meses. Poder de compra estimado em R$ 568 na data de lançamento. Pagava 285 passagens de ônibus (Cr$ 0,35) e sobrava Cr$ 0,25. Comprava então US$ 22,27 (Cr$ 4,49 por dólar).

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500 cruzeiros (15 nov 1972) – seis anos e 21 dias. Valor estimado em R$ 1,8 mil. Pagava mil passagens de ônibus, a Cr$ 0,50 cada. Comprava então US$ 81,57 (Cr$ 6,13 por dólar).

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Mil cruzeiros (06 dez 1978) – um ano, dez meses e dois dias. Cerca de R$ 600. Pagava 333 passagens de ônibus e sobrava Cr$ 1. Comprava então US$ 48,85 (Cr$ 20,47 por dólar).

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5 mil cruzeiros (08 set 1981) – três anos, um mês e 23 dias. Poder de compra estimado em R$ 520. Pagava 227 passagens de ônibus, a Cr$ 22 cada, e sobravam Cr$ 6. Comprava então US$ 47,78 (Cr$ 104,64 por dólar).

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50 mil cruzeiros (01 nov 1984) – onze meses e dois dias. Poder de compra de R$ 260. Pagava exatamente 125 passagens de ônibus a Cr$ 400 cada. Comprava então US$ 18,53 (Cr$ 2.698 por dólar).

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100 mil cruzeiros (03 out 1985) – um ano e dezessete dias. Poder de compra de R$ 180 na data do lançamento. Pagava 111 passagens de ônibus, a Cr$ 900 cada, e sobravam Cr$ 100. Comprava então US$ 12,29 (Cr$ 8.135 por dólar).

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500 cruzados (20 out 1986) – onze meses e nove dias. R$ 480 em poder de compra. Pagava 333 passagens de ônibus, a Cz$ 1,50, e sobrava Cz$ 0,50. Comprava então US$ 36,13 (CZ$ 13,84 por dólar).

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Mil cruzados (29 set 1987) – onze meses e catorze dias. R$ 220 em poder de compra. Pagava exatamente cem passagens de ônibus a Cz$ 10 cada. Comprava então US$ 20,12 (Cz$ 49,71 por dólar).

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5 mil cruzados (15 set 1988) – dois meses e nove dias. Poder de compra estimado em R$ 175. Pagava 62 passagens, a Cz$ 80 cada, e sobravam Cz$ 40. Comprava então US$ 15,56 (Cz$ 321,25 por dólar).

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10 mil cruzados (24 nov 1988) – dois meses e 23 dias. Poder de compra estimado em R$ 220. Pagava 125 passagens, a Cz$ 80 cada. Comprava então US$ 19,25 (Cz$ 519,60 por dólar).

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50 cruzados novos (17 mar 1989) – dois meses e dois dias. Poder de compra estimado em R$ 430. Pagava 294 passagens, a NCz$ 0,17 cada, e sobrava NCz$ 0,02. Comprava então US$ 50,00 (NCz$ 1,00 por dólar).

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100 cruzados novos (19 maio 1989) – cinco meses e onze dias. Poder de compra estimado em R$ 780. Pagava 588 passagens, a NCz$ 0,17 cada, e sobrava NCz$ 0,04. Comprava então US$ 110 (NCz$ 1,10 por dólar).

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200 cruzados novos (08 nov 1989) – três meses. Poder de compra estimado em R$ 300. Pagava 181 passagens, a NCz$ 1,10 cada, e sobravam NCz$ 0,90. Comprava então US$ 33,06 (NCz$ 6,05 por dólar).

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500 cruzados novos (08 fev 1990) – dois meses e um dia. Poder de compra estimado em R$ 220. Pagava 142 passagens, a NCz$ 3,50 cada, e sobravam NCz$ 3. Comprava então US$ 20,53 (NCz$ 24,35 por dólar).

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5 mil cruzeiros (09 abr 1990) – um ano e quinze dias. Poder aquisitivo estimado em R$ 670. Pagava 333 passagens, a Cr$ 15 cada, e sobravam Cr$ 5. Comprava então US$ 40,67 (NCz$ 106,72 por dólar).

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10 mil cruzeiros (26 abr 1991) – sete meses e onze dias. R$ 260 em poder aquisitivo. Pagava exatamente cem passagens, a Cr$ 100 cada. Comprava então US$ 39,78 (Cr$ 251,37 por dólar).

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50 mil cruzeiros (09 dez 1991) – sete meses e treze dias. R$ 450 em poder de compra. Pagava exatamente 200 passagens, a Cr$ 250 cada. Comprava então US$ 52,86 (Cr$ 945,85 por dólar).

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100 mil cruzeiros (24 jul 1992) – seis meses e cinco dias. Cerca de R$ 210 em poder de compra. Pagava 66 passagens, a Cr$ 1.500 cada, e sobravam Cr$ 1.000. Comprava então US$ 26,39 (Cr$ 3.790 por dólar).

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500 mil cruzeiros (29 jan 1993) – oito meses e 28 dias. Algo por volta de R$ 280 em poder aquisitivo. Pagava exatamente 125 passagens, a Cr$ 4.000 cada. Comprava então US$ 35,51 (Cr$ 14.081 por dólar).

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Mil cruzeiros reais (01 out 1993) – 28 dias. Poder aquisitivo na data de lançamento de R$ 50. Pagava 16 passagens, a CR$ 60 cada, e sobravam CR$ 40. Comprava então US$ 6,70 (CR$ 149,26 por dólar).

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5 mil cruzeiros reais (29 out 1993) – cinco meses e um dia. Cerca de R$ 270 em poder de compra. Pagava 62 passagens, a CR$ 80 cada, e sobravam CR$ 40. Comprava então US$ 35,51 (CR$ 149,23 por dólar).

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50 mil cruzeiros reais (30 mar 1994) – três meses e um dia. Poder aquisitivo equivalente a R$ 380. Pagava 333 passagens, a CR$ 150 cada, e sobravam CR$ 50. Comprava então US$ 66,18 (CR$ 755,52 por dólar).

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100 reais (01 jul 1994) – 23 anos e um mês (até 01 ago 2017). Poder aquisitivo na época equivalente a R$ 700 em junho de 2017. Pagava 200 passagens, a R$ 0,50 cada. Hoje (out. 2017) paga 26 passagens, a R$ 3,80, e sobra R$ 1,20. Comprava então US$ 108,11 (R$ 0,925 por dólar). Compra hoje (out. 2017) US$ 31,54 (a R$ 3,17 por dólar).

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Tarifas de ônibus de São Paulo/SP.
Média mensal do dólar (desde 1970).

As estrelas da série do cruzado novo/terceiro cruzeiro

Tratamos já das moedas do cruzado novo/terceiro cruzeiro em outra ocasião, mas as moedas brasileiras sempre têm alguma surpresa.

No caso dessa série específica, o detalhe tem relação ao significado das estrelas no reverso. E notório que a disposição e o número delas e cada anverso não obedecem à forma como se encontram na bandeira nacional, com exceção da estrela α-Spica, que representa o Pará e fica acima da faixa; segundo Vergara (2002, p. 231 e ss.), as estrelas representam o valor em braile.

Para quem não conhece o sistema Braille, trata-se da escrita tátil direcionada aos deficientes visuais, em que cada caractere — letra ou número — é representado dentro de uma grade de pontos com três linhas e duas colunas, chamada de célula.

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Para as moedas de centavos, colocadas em circulação a partir de 28 de abril de 1989, vêm simplesmente o sinal que representa o número; o mesmo vale para as peças precursoras, da série, as três moedas de 100 cruzados comemorativas do centenário da abolição da escravidão (1988).

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Reverso comum das três peças comemorativas do centenário da abolição da escravidão (1988); no centro, á direita, os três sinais compostos de uma, três e três estrelas, representando os números 1, 0 e 0, que formam 100, o valor da peça. Repare a ausência do prefixo numérico.

As peças incluídas já no padrão novo, o cruzeiro, lançadas em 31 de maio de 1990, com exceção da de 1 cruzeiro, trazem, além dos símbolos numéricos, o chamado prefixo numérico, que indica para o deficiente visual que a sequência tátil que se segue representa número. Característica que segue inclusive a polêmica moeda “Cruz de Cristo”, a de 1 cruzado novo que não chegou a ser emitida.

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Anverso da peça de 1 cruzado novo (“Cruz de Cristo”), que não chegou a ser lançada, mas que tem a mesma configuração das peças futuras de 5, 10 e 50 cruzeiros. Além o sinal do número em si, há, à esquerda deste, o prefixo numérico (o L invertido).

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O porquê de nosso sumiço

Não, meus caros. Ainda não foi desta vez que este blogue acabou. Na verdade, demos uma pausa na postagem por alguns motivos de trabalho e também de estudo numismático.

Aliás, trazemos a vocês, se já não as conhecem, duas obras que consideramos muito importantes e que responderam a várias indagações nossas. A primeira é “Dinheiro no Brasil“, de Florisvaldo dos Santos Trigueiros, que traz informações e dados muito úteis acerca principalmente das cédulas brasileiras até 1987.

A outra é “Moedas do Brasil – Desde o Reino Unido – 1818-2000“, de Eugenio Vergara Caffarelli, uma espécie de catálogo enciclopédico.

São obras que, após leitura, consideramos imprescindíveis para continuação dos nossos estudos, principalmente pela riqueza de detalhes. O bom é que ambas estão disponíveis em PDF.

Bons estudos.

Medalhística: os 140 anos da Colônia Murici

SÃO JOSÉ DOS PINHAIS/PR – Descendentes de poloneses em São José dos Pinhais, cidade vizinha à capital paranaense, Curitiba, apresentaram, no último dia 2 de março, à imprensa especializada o design da medalha que será produzida em comemoração aos 140 anos da fundação da Colônia Murici, em 2018. Importante espaço agroeconômico do município, a Colônia é reconhecida nacionalmente por ainda manter vivas muitas das tradições de seus fundadores poloneses.

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Desenho inicial do anverso mostrando uma carroça, representando a chegada dos poloneses, os pinheiros-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia, árvore-símbolo do Estado), uma águia branca (ligada à simbologia da Polônia) e a constelação do Cruzeiro do Sul.

Cada medalha trará um desenho alusivo à imigração e contará com o patrocínio de empresas que terão seu logotipo no reverso das peças. Ao todo, serão produzidos pelo menos dez modelos diferentes, sendo um reverso para cada patrocinador.

Várias empresas já aderiram ao projeto, mas o grupo aguarda ainda a adesão de mais colaboradores.

As medalhas têm previsão de lançamento para 2018, durante as comemorações do aniversário da Colônia e estarão à venda em site especializado. O lucro obtido com a venda será destinado a estudos históricos e étnicos na região.

O projeto indica ainda que as medalhas serão fabricadas com a técnica de fundição e feitas de zamac (liga de zinco, manganês, alumínio e cobre), com 40 mm de diâmetro e massa aproximada de 25 g. Serão feitos 53 exemplares de cada uma das dez medalhas: 50 revestidos de níquel e três de prata esterlina (.925).

Esse tipo de emissão por entes não ligados diretamente ao âmbito tradicional, como Banco Central e Casa da Moeda, dá impulso à medalhística nacional. Iniciativas como esta da Colônia Murici são sempre muito bem-vindas.

Maiores informações pelo e-mail coloniamurici2018@gmail.com.