As 106 moedas de real

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Moedas da 2ª família (fonte: Wikipédia)

“Como? Nunca vi tantas.” Mas é verdade: as duas famílias de real contam com 106 moedas diferentes. Afinal, a mudança do ano é uma alteração importante no cunho e pode determinar a raridade de uma peça. Um bom exemplo é o penny britânico pré-decimal. Uma moeda relativamente comum, exceto aquela de 1933, quando foram batidas apenas sete peças, o que eleva a níveis estratosféricos seu valor e sua raridade.

Para fazer a contagem, vamos por anos e família. A primeira família começou a circular em 1994, então:

1994 —1, 5, 10, 25, 50 centavos e 1 real. Seis moedas.

1995 — Todas acima, exceto a de R$ 1. Cinco moedas, logo, 11. Porém, foram lançadas duas moedas comemorativas, de 10 e 25 centavos, alusivas aos 50 anos da FAO. Treze moedas.

1996 — Só foram emitidos os três primeiros valores iniciais da série. Estamos já em 16.

1997 — Último ano das moedas da primeira família e foi como 1996. Mais três. Terminamos com 19 peças.

Então, a primeira família do real completa é composta por 19 peças. Apenas as de circulação comum, sem as comemorativas de metal nobre.

Em 1998, começou a circular a segunda família, com novos desenhos, tamanhos e metais.

1998 — 1, 5, 10, 25, 50 centavos e 1 real; mais moeda de um real comemorativa pelos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sete peças.

1999 — 1, 5, 10, 25 centavos e 1 real. Não foi cunhada moeda de 50 centavos naquele ano. Cinco moedas. Estamos em 12.

2000 — Todos os valores, menos 1 real. Mais cinco. Dezessete no acumulado.

2001 — Como em 2000. Cinco moedas. Somando já 22.

2002 — Os seis valores, mais a comemorativa do centenário do nascimento de Juscelino Kubitschek. Vinte e nove peças.

2003 — Completo, mais seis. Trinta e cinco moedas.

2004 — Cinco moedas; a 50 centavos não foi cunhada esse ano. Quarenta. É o último ano da moeda de 1 centavo.

2005 — 5, 10, 25, 50 e 1 real. Um real comemorativo dos 40 anos do Banco Central. Quarenta e seis peças.

2006 — Cinco peças; 51 moedas.

2007 — Cinco peças; 56 moedas.

2008 — Mais cinco; 61.

2009 — Mais cinco; 66.

2010 — Mais cinco; 71.

2011 — Mais cinco; 76.

2012 — Mais cinco e o real comemorativo da bandeira olímpica; 82 moedas.

2013 — Mais cinco, totalizando 87 moedas para a segunda família.

Somando as duas famílias, temos exatamente 106 peças. Algumas tiragens são interessantes de serem notadas. Por exemplo, o 1 real da primeira família saiu apenas em 1994, com tiragem de 215 milhões de peças. Pode parecer muito, mas para um país como o Brasil, é relativamente baixo. O motivo da baixa tiragem foi a preferência do Banco Central pela cédula de 1 real, que acabou por tornar-se ícone do plano econômico. Para fins de comparação, a moeda de 1 real da 2ª família emitida em 2008 tem 400 milhões de exemplares.

Por isso é importante observar a data de uma peça, qualquer uma, pois pode mudar consideravelmente o valor e a importância da peça.

O rand sul-africano – parte 2

Continuação…

A primeira série do rand teve vida curta, de 1961 a 1964. Em 1965, uma nova família de moedas entrou em circulação. A prata saiu de circulação, presente apenas na nova moeda de 1 rand, que, em 1977, passou a ser de níquel. As novas moedas, bem menores que as anteriores, eram: ½, 1, 2, 5, 10, 20 e 50 cent e 1 rand.

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O anverso das moedas de rand entre 1965 e 1969, com o busto de Jan van Riebeeck; neste caso, uma moeda de 1 rand; note a inscrição em inglês

Enquanto a série precedente alternava vários temas como natureza, símbolos históricos, heráldica e alegorias, mantendo quase todos os elementos presentes na predecessora libra, as novas moedas trazem unicamente temas naturais, com animais e plantas. No anverso, a efígie de Jan van Riebeeck, acompanhada da data e do nome do país em apenas uma língua; ou seja, para cada ano, há duas variantes de cada moeda, uma identificada pela inscrição “South Africa” e outra, por “Suid-Afrika”.

Em 1970, some das moedas a efígie de Van Riebeeck, substituída pelo brasão de armas do país, com as inscrições corriam por cima do brasão: “Suid-Afrika”, à esquerda, e “South Africa”, à direita.

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Verso das moedas de rand após 1970, com o brasão de armas do país e as inscrições em inglês e africâner; no caso, uma moeda de 20 cent

Os animais e flores homenageados nos reversos das peças eram:

o pardal-do-cabo (Passer melanurus), nas moedas de ½ e 1 cent;

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1 cent; a imagem dos pardais é a mesma da moeda de 1/2 cent

nas de 2 cent, uma espécie de gnu, o Connochaetes gnou, também desenhado por Tommy Sasseen e identificado em inglês como black wildebeest ou white-tailed gnu e, em africâner, swartwildebees;

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2 cent

nas de 5 cent, o grou-do-paraíso (Anthropoides paradiseus);

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5 cent

nas de 10 cent, uma planta do gênero Aloe (o mesmo da babosa, Aloe vera);

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10 cent

nas de 20 cent, uma proteia-rei (Protea cynaroides) com suas inflorescências;

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20 cent

nas de 50 cent, um copo-de-leite (arum lily, em inglês, e varkoor, em africâner; Zantedeschia aethiopica);

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50 cent

nas de um 1 rand, uma cabra-de-leque, o springbok (Antidorcas marsupialis).

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1 rand

Os animais e plantas foram gravados por Tommy Sasseen; ao exceção ao gnu dos 2 cent e ao springbok, feitos por Jan van Zyl.

A moeda de 1 rand ainda traz, no reverso, juntamente com o animal e o valor, o lema “Soli Deo gloria”, latim para “Gloria somente a Deus”. A frase faz parte dos Cinco Solas, cinco frases latinas surgidas à época da Reforma e que sintetizam os preceitos dos reformadores protestantes. A frase presente na moeda é justamente o 5º sola e remete diretamente à crença majoritária entre os africânderes, o protestantismo, centrado no Calvinismo Africânder, parte integrante do projeto político sul-africano de então.

O rand sul-africano – parte 1

A moeda sul-africana, o rand, existe desde 1961, ano em que a União da África do Sul — uma monarquia constitucional de vínculo pessoal com o soberano britânico — tornou-se a República da África do Sul.

Até então, a União valia-se da libra, cunhada nos mesmos moldes da libra britânica, com as seguintes moedas: ¼d. (farthing), ½d. (meio pêni), 1d. (um pêni), 3d. (três-pence, chamada também de tickey), 6d. (seis-pence), 1s. (um xelim), 2s. (dois xelins/um florim), 2/6 (dois xelins e seis pence, ou meia coroa) e 5s. (cinco xelins, uma coroa). Os valores até 1d. eram de cobre e o restante, de prata, cujo título variou entre 800 e 500. Havia ainda as moedas de ouro de meio soberano (meia libra, 10s.) e um soberano (uma libra), cunhadas no mesmo módulo de suas similares britânicas.

 A única diferença com a cunhagem britânica é o três-pence, que era de prata e começou a ser substituído em 1937 por uma moeda dodecagonal de latão; a África do Sul continuou com o três-pence de prata.

Três-pence (threepence ou tickey) de 1959, meia prata

Três-pence (threepence ou tickey) de 1959, meia prata; à direita, o nome do país em inglês; à esquerda, em africâner

A libra sul-africana foi substituída pelo rand na razão de 2 rand para 1 libra. A razão dessa taxa era aproximar o valor da moeda ao dólar norte-americano, como fariam nos anos seguintes Austrália e Nova Zelândia, na introdução de seus respectivos dólares.

A primeira família do rand seguiu os módulos da libra, com exceção das moedas de ¼d. e 2½s. , que foram suprimidas. As moedas de ½d. e 1d. foram substituídas por moedas de latão de ½ cent e 1 cent. O 3d. foi substituído por uma moeda de 2½ cent; 6d., 5 cent, o 1s por 10 cent, o florim por 20 cent e a coroa por uma moeda de 50 cent.

Em vez da efígie da rainha, as novas moedas traziam Jan van Riebeeck, funcionário holandês da Companhia das Índias Ocidentais e fundador da Cidade do Cabo. Dentro da concepção nacional africânder, Riebeeck — que já constava nas cédulas da libra sul-africana — é considerado o Pai da Pátria. A presença de um ossewa — carro de boi usado pelos Voortrekkers — também remete ao nacionalismo africânder.

1 cent com o característico ossewa dos Voortrekkers

1 cent de 1961 (latão) com o característico ossewa dos Voortrekkers

1/2 cent, com o busto de Rieebeck; lê-se, ao redor, "Unidade é força", em africâner e em inglês

1/2 cent de 1964 (latão), com o busto de Riebeeck; lê-se, ao redor, “Unidade é força”, em africâner e em inglês

O próprio nome da moeda faz parte dessa construção de pátria; rand vem de Witwatersrand, cadeia de montanhas no Transvaal onde, no século XIX, foi descoberto ouro. Cerca de 40% de todo o ouro extraído no mundo até o momento provém daquelas montanhas.

Esta primeira série do rand foi feita até 1964, quando uma nova família foi introduzida.

Quanto vale a minha moeda?

O colecionador iniciante tem tendência a deslumbrar-se com pouco. Uma peça de 30 anos pode parecer-lhe o elo perdido. Para mais esclarecimentos, algumas situações contextualizadas.

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“Nossa! Consegui uma moeda de 400 réis de 1901! É antiga, deve valer uma bolada!”

É fácil iludir-se com as datas. Mas lembre-se: nem tudo que é antigo é necessariamente valioso. É certo que qualquer peça é interessante para o numismata, mas seu valor comercial pode deixar a desejar.

Por exemplo, esses 400 réis de 1901 (foto) é uma moeda que teve alta tiragem, ou seja, há muitas delas circulando no mercado. Logo, seu preço de negociação é relativamente baixo e, evidentemente, vai depender também do estado de conservação da peça. Uma moeda sem marcas de circulação — estado classificado como FC, flor de cunho — terá um valor x; uma moeda considerada UTG — Um tanto gasta, outra notação de condição — valerá x menos 8/10 de x.

No caso das moedas brasileiras, principalmente dos anos 40 em diante, há montanhas delas. O que eventualmente as torna especiais são as variantes ou os erros de cunhagem. Volta e meia, quando alguma pessoa de idade falece, descobrem-se entre seus pertences quilos — sem brincadeira — de moedas. Esses montes caem no mercado e reduzem os valores das peças a centavos. É a lei da oferta e da procura; se tem uma quantidade alta em circulação, o valor cai.

É preciso ter noção do valor de uma peça. Tempos atrás, havia no Mercado Livre um anúncio de 2 mil réis de prata, da década de 1860, por cerca de R$ 1,5 mil. Um total despropósito.

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“É de prata!”

Nem tudo que é prateado é prata. Colecionadores iniciantes tendem a confundir moedas de réis de cuproníquel com prata. A prata tem densidade e padrões de pátina bem diferentes do cuproníquel. A última moeda de prata para circulação feita no Brasil foram os 5 mil réis de Santos Dumont (foto), de 1936, que é de prata título 600 — 60% prata e 40% cobre. Cada período tem suas pratas específicas.

No começo da cunhagem mecânica no Brasil — década de 1850 —, as moedas de 200 réis e de valores superiores eram de prata. Logo nos anos 1870, os 200 réis passaram a ser de cuproníquel. Nos anos 1920, 500 e 1 mil réis passaram a ser de cobre-alumínio; no final dos anos 30, a de 2 mil réis também passou ao mesmo metal.

“Nossa, mas eu nunca vi uma moeda dessas!”

Tio Guilherme acha que gordura de porco quente desentope canos; dona Marocas jura que chá de capim é bom para as funções hepáticas. Impressões individuais não são verdades comprováveis. Com a internet, a pesquisa sobre raridade e valor de uma peça ficou simples de ser feita: há de sites especializados ao famoso Catálogo Krause.

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P. S. de 22/4/2015

Caros amigos

Têm chovido aqui comentários para avaliação de moedas. Respondi alguns, mas sempre fica complicado sem ver a peça. Por isso, recomendo vivamente que vocês procurem aos valores nos catálogos. Não farei mais avaliações por meio do blogue, porquanto não é esta a intenção deste espaço.

Conto com a vossa colaboração.