Acondicionando as moedas

Será possível transformar os envelopes de papel o método mais seguro de acondicionar as moedas de uma coleção?

Faço-me essa pergunta baseado na minha própria trajetória de colecionador. Comecei a colecionar — ou juntar — moedas com 6 anos. Inicialmente, as mantinha num vidro de maionese. Simples assim; crianças não têm muita noção e tampouco havia numismatas na minha família. Havia sim os acumuladores, gente que simplesmente juntava moedas fora de circulação — com o tempo, esses acervos mal cuidados acabavam vindo parar na minha mão, pela morte ou pela desistência do parente em juntar moedas.

E assim acondicionei as moedas do meu acervo até os meus 12 anos: em potes. Por volta dessa idade, fui, com meu pai, a um estabelecimento numismático que ficava na rua Barão de Itapetininga, em São Paulo — não me lembro exatamente qual, mas poderia ser o Dimas Numismática ou a Filatélica Penny Black. Diante de uma mesa repleta de peças relativamente comuns, escolhi algumas, que foram pagas pelo meu pai, e o homem que nos atendeu acondicionou as quatro ou cinco peças em pequenos envelopes de cartolina rosa, de 5 por 5 centímetros (veja as figuras 1 e 2 abaixo).

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Figura 1 – Envelope colado

Talvez mais que as próprias moedas em si, o envelope me chamou atenção. Parecia um método interessante de conservar as moedas. Em casa, descolei com cuidado um dos envelopes e fiz um molde no plástico de uma tampa de pote de margarina. Usei vários tipos de papel para confeccionar os envelopes: de cartolina — como os originais — e o papel pardo.

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Figura 2 – Envelope aberto

O uso do papel pardo foi, provavelmente, um dos meus maiores equívocos, o que se mostraria com o tempo. Alguma propriedade química desse tipo de papel danifica gravemente alguns metais, principalmente o alumínio. Com o passar dos anos, perdi várias peças do metal, principalmente moedas de cruzeiro do final dos anos 50 e dos anos 60, as únicas brasileiras feitas desse metal.

Recentemente, quando me casei e deixei a casa paterna, a minha coleção ficou parcialmente para trás. Havia deixado de lado a numismática por um tempo. Recuperei a coleção há algum tempo e a primeira providência foi dar fim nos envelopes de papel pardo, que acomodavam a maioria absoluta da coleção.

Tive uma experiência com um álbum de folhas plásticas, que não se mostraram adequadas a certos tipos de moeda, como as de 1, 2, 5 e 10 fênigues alemãs do pós-guerra. Elas são de aço revestido — como as nossas atuais moedas de real —, mas não se trata de aço inoxidável e a cobertura de cobre ou bronze recobre apenas o disco, e não a borda. Por alguma questão de acúmulo de umidade, o aço exposto na borda dessas moedas começou a apresentar alguns pontos de ferrugem.

Diante disso, abandonei também o álbum. Minha ideia atual é recuperar os envelopes, mas de maneira diferente: com outro tipo de papel e com outro corte. Sei bem que há envelopes a venda, mas a minha intenção é desenvolver um tipo de envelope confiável e de fácil confecção. Creio que a questão do corte é importante para que a cola utilizada não entre em contato com a peça por acidente. Estou desenvolvendo algumas opções e, com o tempo, vou postando para que os colegas colecionadores deem sua opinião.

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