Os retratos da Rainha

Quem coleciona moedas britânicas já deve ter percebido que há uma certa variedade nos retratos da Rainha Elizabeth II. De acordo com a época da moeda, há um tipo de retrato. Na verdade, há quatro retratos. Um texto extremamente interessante está no site do Royal Mint, a casa da moeda britânica, e o traduzimos aqui para que o colecionador brasileiro possa ter acesso a essa informação.

O retrato de Mary Gillick

gillick_portraitO primeiro retrato da Rainha a aparecer em uma moeda foi lançado em 1953. O retrato era leve, evocativo e refletia de modo belo o sentimento otimista da nação em acolher uma nova era elizabetana.

O retrato foi desenhado por Mary Gillick e mostra a Rainha usando uma coroa [de louros]. Foi usado tanto na cunhagem Reino Unido como nas de vários países do Commonwealth até a adoção do retrato feito por Arnold Machin para a cunhagem decimal.

O retrato de Arnold Machin RA [academician of the Royal Academy of Arts (acadêmico da Real Academia de Artes)]

machin_portraitApesar de a decimalização ter entrado em vigor apenas em 1971, as primeiras moedas decimais — 5 e 10 pence — entraram em circulação em 1968. Devido a corresponderem exatamente em tamanho e valor, elas circularam como xelins e florins até a mudança serviram para o propósito de preparar o público para as mudanças que viriam.

Como parte da reforma, um novo retrato da Rainha foi adotado para as moedas decimais. Desenhado por Arnold Machin RA, ele foi aprovado antes, em  junho de 1964. Como Mary Gillick, Machin evitou o retrato cortado a partir do pescoço, como havia sido usual nas moedas do começo de século. A coroa [de louros], entretanto, foi substituída pela tiara que a Rainha ganhara de presente de casamento de sua avó, a Rainha Mary. Uma versão modificada apareceu definitivamente nos selos postais britânicos a partir de 1967 — possivelmente a imagem mais reproduzida na história.

Logo, veremos no terceiro retrato da Rainha a aparecer nas moedas britânicas como ele como ficou próximo ao até então não revelado retrato presente na coroa do Jubileu de Diamante.

O retrato de Raphael Maklouf

macklouf_portraitDe 1985 a 1997, as moedas britânicas foram cunhadas com o retrato real feito pelo escultor Raphael Maklouf. O retrato, de corte abaixo do pescoço, mostra a Rainha com o diadema real que usou da sua maneira para a Sessão de Abertura do Parlamento e inclui um colar e brincos. Tendo sido acusado por esculpir a Rainha “excessivamente jovem”, o artista respondeu que tais críticos não haviam compreendido sua intenção, que era “criar um símbolo, régio e perene”.

Um exame mais detalhado releva as iniciais do artista, RDM,no truncamento do pescoço, com inclusão da letra intermediária — de David — assegurando que a assinatura não fosse confundida com uma referência ao Royal Mint.

Há uma lenda urbana persistente acerca das primeiras moedas de £ 2 bimetálicas — datadas de 1997 , logo trazendo ainda o retrato de Maklouf —, que seriam raras e valiosas. Mas tendo em vista que foram emitidas mais de 13 milhões dessas moedas, certamente não é o caso.

O retrato de Ian Rank-Broadley FRBS [Fellow of the Royal British Society of Sculptors (membro da Real Sociedade Britânica de Escultores)]

Ian_Rank_Broadley_portraitA ideia de substituir o retrato feito por Maklouf tem suas origens na competição feita pelo Royal Mint para o desenho do anverso da coroa dourada dos 50 anos do Casamento da Rainha. Como foi o padrão das novas inscrições para o retrato conjunto da Rainha e do Príncipe Philip, decidiu-se explorar a possibilidade de uma nova imagem padrão para as moedas.

O desenho vencedor de Ian Rank-Broadley FRBS — introduzido em 1998 — faz um interessante contraste com seu predecessor imediato, sendo menos idealizado e mais realista. Desde então, como Rank-Broadley afirmou, não havia “necessidade de rejeitar a maturidade da idade da Rainha. Não há necessidade de alisá-la. Ela é uma mulher de 70 anos com equilíbrio e conduta”. Consciente que a cunhagem era ligeiramente menor — as moedas de 5p, 10p e 50p tiveram seus diâmetros reduzidos em 1990, 1992 e 1997 respectivamente — ele deliberadamente fez sua imagem o mais grande possível dentro dos limites da moeda.

P. S. — Aqui estão as descrições dos retratos usados nas moedas britânicas. Vários Commonwealth realms usam retratos próprios, inclusive ostentando a Coroa de Santo Eduardo.

Anúncios

Datas nas moedas espanholas

As moedas espanholas cunhadas durante o período do franquismo (1936-1975) e no começo do reino de Juan Carlos I (1975 até hoje), ou seja, entre os anos 1940 e 1980, têm um modelo muito singular de datação.

A maioria as moedas simplesmente traz estampado o ano de emissão e ponto. As moedas espanholas desse período em questão, não. O sistema de datação funcionava da seguinte maneira: a data principal e bem visível, no anverso da moeda, junto do busto de Franco ou do rei, é a data do decreto de autorização de emissão; a data da emissão vem dentro de duas estrelas, no reverso das peças. Vejamos na foto, uma moeda de uma peseta (clique na imagem para ampliar).

800px-1975_1_Pesetas

A primeira impressão é de que se trata de uma peça de 1966, pois é o que diz no anverso. Mas a data real de emissão é a que está no reverso, nas estrelas que ladeiam a palavra “UNA”. Vejam lá. Primeira estrela: 19; segunda estrela: 73, logo, 1973. Essas moedas costumam ser indicadas como “1966 estrela 73”, abreviado para “1966*73”.

Esse sistema foi abandonado em 1982.

O fantasma da desvalorização

A desvalorização das moedas traz em seu bojo alterações no meio circulante. Em agosto de 2009, o Banco do México introduziu alterações em suas menores denominações (10, 20 e 50 centavos). Antes, eram feitas com um disco próprio e, a partir daquele ano, passaram a ser feitas com o disco resultante da fabricação dos anéis para as moedas bimetálicas. Dos discos para fabricação dos anéis das moedas de 1, 5 e 10 pesos, os discos resultantes são agora empregados no fabrico das moedas de 10, 20 e 50 centavos, o que pode ser visto em detalhes aqui.

Na Argentina, por conta de o dólar ter ultrapassado a barreira dos 10 pesos e a notável desvalorização da moeda, discute-se atualmente a introdução de cédulas de 200 e 500 pesos. O que antes a Casa Rosada nem queria ouvir falar, agora é encampado pelo governo que, por meio de uma senadora, propõe os bustos de Juan Domingo Perón (!) e Hipólito Yrigoyen para adornar as novas cédulas, segundo o site Todo Noticias.

Uma pergunta que tenho me feito constantemente é quando esse tipo de alteração chegará às moedas de real. Um fato contundente, mas que pouca gente notou, foi o sumiço das moedas de 1 centavo, que, neste 2014, completam 10 anos que deixaram de ser fabricadas (se bem que não foram demonetizadas, ou seja, as que existem têm curso legal). Com o passar do tempo, a inflação e o aumento no valor dos metais provocaram um encarecimento no processo de fabricação das moedas. Em um levantamento feito em março de 2010, ou seja, há quase quatro anos, apenas as moedas de R$ 0,50 e R$ 1 “se pagavam”. Os outros valores “são” deficitários: o Governo gasta mais dinheiro para pôr a moeda em circulação do que aquilo que ela realmente vale.

É possível que, em breve, as moedas de 5, 10 e 25 centavos sofram algum tipo de alteração. Redução de módulo e peso, como ocorreu no México; mudança na composição — não posso afirmar categoricamente, mas creio que uma moeda feita num disco de aço eletrorrevestido (justamente o caso das moedas passíveis de sofrer alteração) saia mais cara que uma batida em um disco simples de aço inoxidável.

Vamos aguardar.