Mistérios do cruzado – parte I

O Plano Cruzado entrou em vigor no começo de março de 1986. Foi a primeira tentativa do governo Sarney de controlar a inflação, que vinha crescendo desde o final dos anos 70. Além de medidas ortodoxas, como o congelamento de preços, o plano cortou três zeros do cruzeiro e nomeou o novo padrão como cruzado, em referência à velha moeda colonial de ouro.

Novo padrão que implicou em uma nova série de moedas. O velho cruzeiro, nos seus estertores, nos legou uma série de “pequeninas”, nos valores de 100, 200 e 500 cruzeiros. Essa nova série, visivelmente diminuta perto da precedente, mas cuja ideia foi reutilizada na concepção da nova série para o cruzado.

As moedas, singelas, têm, no anverso, as armas da República e a orla perolada — ornato que não aparecia em moedas brasileiras desde a 1956, quando a primeira série do primeiro cruzeiro foi substituída — e, no reverso, o valor, a era, a denominação, o país emissor e a orla perolada. Todos os sete valores iniciais eram de aço inox, como vinha sendo regra desde 1979 e o foi até 1997.

Pode parecer uma estética insossa, mas trazia simplicidade e elegância. Algo ligeiramente britânico.

Como vimos antes, a nova série teve como base as três moedas da série do cruzeiro. Aproveitou-se de seus elementos estéticos, diâmetros e espessuras, transformando-se nas peças de 10, 20 e 50 centavos. Foram incluídas as moedas de 1 e 5 centavos e de 1 e 5 cruzados. O primeiro mistério está na moeda de 5 centavos.

A Resolução do Banco Central nº 1.100, de 28/2/1986, além de instituir o novo padrão, dispõe sobre a organização do meio circulante. A nova série de moedas é assim apresentada.

XI – As moedas divisionárias aludidas no item precedente serão cunhadas com idênticas características gerais das moedas de Cr$ 100, Cr$ 200 e Cr$ 500 atualmente em circulação, com os seguintes diâmetros:

– 5 cruzados       25 mm;
– 1 cruzado         23 mm;
– 50 centavos     21 mm;
– 20 centavos     19 mm;
– 10 centavos     17 mm;
– 1 centavo         15 mm.

CZ 5 centavosOnde está a moeda de 5 centavos? Parece ilógico cunhar uma moeda 1 um centavo e uma de 10 sem seu intermediário natural, que seria a de 5? Lembremo-nos de que, na série do cruzeiro imediatamente precedente, houve uma moeda de 1 centavo, cunhada entre 1979 e 1983 (os chamados “centavinhos”), cujo valor imediatamente posterior era a moeda de 1 cruzeiro, se bem que o uso desse centavo foi praticamente nulo.

Pode ser sido falha na digitalização do texto da resolução? Não é impossível, mas isso é facilmente rebatido por uma análise dos valores dos diâmetros das peças. Todas têm 2 mm de diferença entre si; as moedas de 1 e 10 centavos têm, respectivamente 15 mm e 17 mm. A única que destoa da proporção é justamente a de 5, com 16 mm, com 1 mm de diferença seja para a imediatamente anterior como para a imediatamente superior.

Pode se pensar que a proporção menor tenha sido estabelecida para evitar uma moeda de 1 centavo extremamente diminuta. Se fôssemos manter o padrão, teríamos;

– 10 centavos     17 mm;
– 5 centavos       15 mm;
– 1 centavo         13 mm.

A proporção assim mantida teria feito da moeda de 1 centavo de cruzado a menor moeda emitida. Basta que a comparemos com outras “pequeninas”:

– 20 réis (1918-1935)                       15,5 mm;
– 100 réis (1938-1942)                    17 mm;
– 10 centavos (1942-1956)           17 mm;
– 10 centavos (1956-1961)           17 mm;
– 1 centavo (1967, 1969, 1975)   17 mm;
– 1 centavo (1979-1983)                14 mm;
– 1 centavo (1989-1990)                16,5 mm;
– 100 cruzeiros (1992-1993)         18 mm;
– 1 centavo (1994-1997)                20 mm;
– 1 centavo (1998-2004)                17 mm.

O que houve então com a moeda de 5 centavos de cruzado? Foi inicialmente omitida? Por que uma peça de 1 centavo, então, já que seu poder de compra hoje equivaleria a R$ 0,0071 (setenta e um décimos milésimos de real; praticamente 7 milésimos)? E consideremos que há mais de dez anos não temos a moeda de 1 centavo. Apenas como curiosidade, as moedas de cruzado, quando lançadas, tinham o seguinte poder de compra, atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor:

1 centavo            R$ 0,0071 (quase um centavo);
5 centavos          R$ 0,035 (três centavos e meio);
10 centavos       R$ 0,071 (sete centavos e um milésimo);
20 centavos       R$ 0,142 (14 centavos e dois milésimos);
50 centavos       R$ 0,35 (35 centavos e meio);
1 cruzado            R$ 0,71
5 cruzados          R$ 3,50

Em compensação, a moeda de 5 cruzados tinha poder de compra bem superior a nossa moeda atual de maior valor facial (1 real). Se compararmos com a tarifa de ônibus na cidade de São Paulo no mesmo período, que era de Cz$ 1,50, com uma moeda de 5, era possível pagar três passagens e ainda sobrariam 50 centavos.

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Clipping: A moeda de Sacajawea e as alterações nas cédulas de dólar

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O chamado dólar Sacajawea ou Dólar Dourado

Por que o dólar Sacajawea foi um fracasso monumental – e por que a nota de 20 dólares será mais bem-sucedida

Danielle Wiener-Bronner

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Foto: Associated Press

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na última semana que Harriet Tubman substituirá Andrew Jackson no anverso da nota de 20 dólares. As notas de cinco e dez dólares também terão mudanças: a face de Lincoln permanecerá no anverso dos cinco dólares, mas o reverso retratará Martin Luther King Jr., Eleanor Roosevelt e Marian Anderson. Hamilton continuará no anverso da nota de dez dólares, mas o reverso da cédula mostrará membros notáveis do movimento pelo sufrágio feminino: Sojourner Truth, Susan B. Anthony, Lucretia Mott, Elizabeth Cady Stanton e Alice Paul.

Esta não é a primeira vez que mulheres aparecem no dinheiro americano — tecnicamente é a quinta (e sexta e sétima). Martha Washington esteve na cédula de um dólar em 1886 e Pocahontas, na de 20, de 1865 a 1869. Muito mais tarde, o rosto de Susan B. Anthony esteve presente na moeda de um dólar de 1979 a 1981, que saiu de circulação em 1999. Sacajawea a substituiu no começo deste século.

Susan B. Anthony fará bis no dinheiro. Martha Washington é nossa “mãe fundadora”, e Pocahontas, para bem e para mal, foi lembrada pela Disney.

Sacajawea, por outro lado, parece ter perdido a vez. Esta é a história de como um esforço considerável para honrar as mulheres americanas nativas tornou-se um episódio embaraçoso na nossa história monetária a ser esquecido.

Sacajawea parecia a mulher perfeita para ser honrada no dólar americano. A índia shoshone ajudou a guiar Lewis e Clark durante sua jornada em direção ao oeste, em 1804. Antes disso, ainda criança, ela foi raptada, vendida como escrava e forçada a casar-se com Toussaint Charbonneau, um comerciante de peles franco-canadense; morreu aos 25 anos. Durante sua vida curta e trágica, ela, de acordo com a Casa da Moeda, evitou que os famosos exploradores fossem mortos ou começassem uma guerra.

“[Aos 15] Ela mostrou conhecimento crucial da topografia da parte mais inóspita do interior da América do Norte e ensinou aos exploradores como encontrar raízes comestíveis e plantas antes desconhecidas dos euro-americanos… o mais importante, porém, Sacajawea e seu filho serviram como “bandeira branca” para a expedição, que era muito mais uma expedição militar que científica. Eles entraram em território potencialmente hostil bem armados, mas com pouca gente em comparação com as tribos nativas americanas que encontraram… Sacagawea sempre serviu como intérprete. Nem um membro da comitiva foi morto em ação hostil.”

Em outras palavras, devemos-lhe.

Em 1998, a Casa da Moeda dos Estados Unidos começou o processo de seleção de um novo design para substituir o dólar de Susan B. Anthony. Uma equipe de especialistas, mais “120 mil e-mails e 2 mil cartas e faxes” ajudaram a instituição decidir que Sacajawea seria o novo rosto da moeda de um dólar. Em 1999, a Casa da Moeda tornou público o novo design.

Em 2000, a instituição começou a veicular a informação de que aquele dólar dourado substituiria, com o tempo, a cédula de George Washington. Na peça publicitária para a televisão, pode-se ver o rosto do primeiro presidente, sobreposto ao corpo de Michael Keaton, aproveitando sua aposentadoria. É esquisito.

“Ok, então eu não estou na nova moeda de um dólar dourada”, diz Keaton-Washington, “isso foi legal para comigo”. E agrega ainda: “a nova moeda é perfeita mesmo sem mim. De fato, eu a uso sempre e em toda parte. É dolartástico.”

Enquanto a Casa da Moeda vinha com a chamada “mudando a face do dinheiro” em suas publicidades bizarras, parece que tentava convencer os consumidores americanos que pôr Sacajawea na moeda de um dólar não era uma ofensa à reputação do nosso primeiro presidente. Em outro comercial, Washington diz: “Eu sei que você está pensando: por que George não está nela [na moeda]?”. Depois, vê-se ele em uma roupa de astronauta, orbitando a Terra. “Ei, mudanças ocorrem”, diz Washington.

As propagandas parecem não ter convencido muitos americanos de que as moedas poderiam funcionar tal qual as cédulas. O New York Times informou, em 2000, que as pessoas queriam manter suas notas, independentemente do custo.

“Mais de 75% dos americanos, segundo pesquisa recente, opõem-se à eliminação da nota de um dólar e sua substituição por qualquer moeda do mesmo valor”, informou o Times, juntou ainda que “então, o Federal Reserve estima que pode economizar US$ 395 milhões anualmente com a substituição das notas, que duram no máximo 18 meses com moedas que podem durar até 30 anos?”.

Advogados ficaram desgostosos com a mudança. Uma história publicada em 2000 pelo Scripps Howard News Service listou as primeiras críticas à moeda no Senado:

“Isso é um dólar?”, indagou a senadora Kay Bailey Hutchison (Republicano-Texas), que sustentou falta o lastro necessário àquilo que a Casa da Moeda descreve como “o dólar dourado”. “Francamente, todo nosso dinheiro se parece com dinheiro de Banco Imobiliário, então a moeda não é diferente das novas notas de dólar, que têm figuras exageradas”, disse a senadora. “[A moeda] deveria ser mais distinta? Acredito que sim,” disse o presidente do Comitê Financeiro do Senado, Phil Gramm. “Sendo nós a maior nação do globo, temos cédulas e moedas ordinárias. Compare-as com as da Europa, e elas parecerão ordinárias; e não se trata de simplesmente opor-se, porque não existe partidarismo quando ele vem de moedas ordinárias.”

A Casa da Moeda continuou, então, a promover a moeda como vinha fazendo. “A demanda pelo Dólar Dourado que mostra Sacajawea continua bem alta”, disse o diretor da Casa da Moeda, Jay Johnson, em 2000.

A instituição informou, naquela ocasião, que “distribuiu mais de 800 milhões de Dólares Dourados por seus canais de distribuição”. Relatou ainda que esperava “produzir o bilionésimo Dólar Dourado no fim do verão. Essa quantidade ultrapassa o programa anterior, o dólar de Susan B. Anthony, que, em 21 anos, teve 920 milhões de peças emitidas”.

Isso não duraria muito mais.

Em 2001, o New York Times quis saber para onde haviam ido as moedas. O artigo mostrava que, apesar de a Casa da Moeda rotular a peça como “a moeda de dólar de maior sucesso na história”, parecia que ninguém de fato a usava:

Parece que ninguém usava os dólares Sacajawea em suas compras. O que as pessoas estavam fazendo, recuperadas da surpresa causada pela moeda, era pô-las de lado, como se tivessem encontrado uma ponta de flecha. “A tendência era de que não circulassem”, disse Doug Tillet, um porta-voz do Federal Reserve Bank em Nova York. “Elas tendem a ficar nas gavetas, cofrinhos e bolsos.”

Os bancos informaram ao Times que planejavam encomendar novas moedas se houvesse demanda por elas — mas raramente houve. No geral, tiveram a impressão que as pessoas viam as moedas com a imagem de uma mulher como inconveniente:

“Quando as pessoas tentam gastar os dólares Sacajewea, as lojas ralham por aceitá-los. Vijay Patel, balconista na 7-Eleven de Tarrytown, disse que tinha cerca de 20 moedas no último final de semana, mas que as trocou no banco por cédulas. ‘É difícil manejar essas moedas de um dólar’. Disse ainda que a gaveta do caixa tem lugar apenas para níqueis [cinco centavos], dimes [dez centavos], quartos [25 centavos] e pennies [um centavo].

Tentativas em diferenciar a moeda dos quartos dos Dólares Dourados permitiu que oportunistas tentassem vendê-los a preço inflacionado. O Philadelphia Inquirer escreveu em 2000 que “alguns comerciantes mal-intencionados espalharam que o metal amarelado continha ouro (é, em sua maioria, cobre). Eles chegaram ao cúmulo da desonestidade chamando a moeda de o novo ‘dólar de ouro’”.

Em 2002, a Casa da Moeda parou de produzir a moeda para circulação comum. ABC News explicou então que, no curso de dois anos, foi produzido mais de 1,3 bilhão de moedas. Elas custaram aos contribuintes mais de US$ 160 milhões. A instituição cogitou fazer mais 40 milhões de peças no ano seguinte, mas, depois do fiasco evidente, decidiu fazer apenas 10 milhões para conjuntos de coleção.

Na estimativa da ABC, o esforço foi uma tentativa lastimosamente infrutífera de facilitar a transição das cédulas para as moedas: “Esta foi a terceira tentativa do governo em desacostumar os consumidores americanos à nota de um dólar em 30 anos. O dólar de prata de Eisenhower era tido como muito grande e pesado. A moeda de Susan B. Anthony parecia-se muito mais com a moeda de um quarto. Então, o Tesouro fez o dólar Sacajawea dourado em vez de prateado, e com bordo liso, não serrilhado”.

Como a ABC fez notar, as moedas eram, de fato, de fabricação mais barata, conforme o tempo passava. Naquela ocasião, custava três centavos fazer uma nota de um dólar; e 12 centavos, uma moeda. Mas as notas têm de ser repostas a cada ano e meio, e as moedas duram até 30 anos. Com o tempo, o dólar Sacajewea pagar-se-ia. A curto prazo, foi um desastre financeiro.

Outra coisa perdeu-se nos bolsos do governo: o legado de Sacajawea. Seu nome nunca esteve na moeda; sua imagem é um retrato putativo, pois não há consenso histórico sobre sua aparência real.

Durante uma audiência do Subcomitê do Tesouro do Senado, em 2002, sobre a moeda e seu fracasso, o senador de Dakota do Norte Byron Dorgan expressou seu desapontamento. “Desde que o Dólar Dourado foi apresentado pela Casa da Moeda dos Estados Unidos, nunca recebi um sequer de troco em qualquer lugar do país. Parece que ele desapareceu, e eu lamento isso… parece, para mim, que, neste ponto, o uso do Dólar Dourado e a introdução de [metal] dourado foi um fracasso.”

A historiadora Amy Mosset também testemunhou durante a audiência. “Participo de simpósios por todo o país e fico surpresa, e mais decepcionada, talvez, pelo fato de que muitas pessoas nunca pegaram um dólar Sacajawea. Elas certamente sabem que a moeda existe, mas nunca tiveram a moeda em suas mãos em seus bolsos.”

Ela continuou o argumento que foi especialmente importante para promover a moeda logo adiante, em 2003. “Como estamos perto do início da celebração do bicentenário da expedição de Lewis e Clark, que será em janeiro próximo, seria infeliz se perdêssemos a grande oportunidade de promover a moeda e celebrar essa jovem americana nativa que resume o caráter e o espírito de um verdadeiro herói americano.”

Ao final, o esforço mostrou-se inútil.

Por ora, o dólar dourado de Sacajawea permanece em produção, se bem que em quantidades mais modestas. Em 2007, George W. Bush sancionou a Lei da Moeda de um dólar “Americana nativa”, para continuar a produção do dólar de Sacajawea, com novos designs no reverso para 2016. Por enquanto, a maioria deles foi mantida em segredoalgo pouco usual —, no Federal Reserve.

As novas notas de cinco, 10 e 20 dólares não terão pela frente os mesmos desafios que a moeda de um dólar teve. A Casa da Moeda não precisará convencer as pessoas a mudar seus hábitos, ainda que sejam veementemente contrárias às novas cédulas, é impossível que parem totalmente de usar dinheiro (ou limitar seu uso às notas de um e cem dólares).

Ver Harriet Tubman, Sojourner Truth e outras mulheres influentes nas cédulas não porá ponto final à questão da diferença de gênero, mas é um passo na direção certa e que forçará os americanos a ver seus rostos sempre que abrirem suas carteiras. O que certamente não acontecia quando a moeda de Sacajawea entrou em circulação.

Assim, quando recebermos as cédulas no futuro, relembremos as mulheres que elas trarão no reverso.

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Original.

Clipping: Custos das moedas de 1, 2 e 5 eurocêntimos – Itália

Do Corriere della Sera

4 de novembro de 2013

O partido Esquerda Ecologia Liberdade e os custos de fabricação do euro. “Para fazer um cêntimo gastamos quatro”

Para emitir as moedinhas, a Casa da Moeda teria gastado “362 milhões de euros frente a um valor real de 174 milhões”

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Reverso comum das moedas de euro

Esquerda Ecologia Liberdade (Sinistra Ecologia Libertà – SEL) contra os cêntimos de euro. Os parlamentares da Comissão de Meio Ambiente da Câmera dos Deputados apresentaram uma moção, cujo primeiro firmante é o tesoureiro nacional da SEL, [Sergio] Boccaduri, e assinada ainda por deputados de PD [Partido Democrático – Partito Democratico], Scelta Civica [Escolha Cívica] e M5S [Movimento Cinco Estrelas – Movimento Cinque Stelle], que destaca a questão dos custos de fabricação das moedas de um, dois e cinco cêntimos. “Os custos de fabricação de cada moeda de um cêntimo chegariam a 4,5 cêntimos; os de cada moeda de dois cêntimos, a 5,2; e os da moeda de cinco cêntimos, a 5,7”. O texto da moção relata ainda que “desde a introdução do euro, a Casa da Moeda bateu mais de 2,8 bilhões de moedas de um cêntimo, 2,3 bilhões de dois cêntimos e 2 bilhões de cinco cêntimos, com um custo total de 362 milhões de euros frente a um valor real de 174 milhões”.

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Original.

Moedas bimetálicas

A moeda bimetálica é relativamente recente na numismática moderna. A primeira emissão em larga escala foi a peça de 500 liras italianas, em 1982, cujo processo de produção foi patenteado pelo Instituto Poligráfico e Casa da Moeda do Estado (Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato — IPZS).

De lá para cá, muitos países aderiram ao bimetalismo: Marrocos (5 dirrãs, 1987), Tailândia (10 baths, 1988), França (10 francos, 1992), Argentina (1992), Hong Kong (10 dólares, 1993), Hungria (100 florins, 1996). Têm moedas bimetálicas também Índia (2009, embora datadas de 2006), Eurozona (2002), Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Egito, Irã, México, Polônia, Reino Unido, Rússia e Uruguai, apenas para ficarmos nos mais famosos.

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Moeda bimetálica de 500 liras, a primeira do tipo na numismática moderna

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Moeda bimetálica de 1 real, emitida a partir de 1998

Clipping: ‘Cédulas de 100 mil cruzeiros e 100 cruzados’

Artigo publicado originalmente no blogue da Associação de Amigos do Museu de Valores do Banco Central

A cédula de 100 mil cruzeiros tem como tema principal a homenagem a Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), famoso político brasileiro que foi governador do Estado de Minas Gerais, de 1951 a 1955, e presidente da República, de 1956 a 1961, e que se notabilizou pela nova mentalidade que imprimiu à administração pública, marcada pelo caráter modernizador e desenvolvimentista, pela confiança e pelo dinamismo com que eram empreendidos os projetos governamentais, em clima de ampla tolerância política, com pleno exercício de franquias democráticas.

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Fôlder distribuído em 1985

A cédula tem o azul como cor predominante e está impressa pelos processos calcográfico (talho-doce), offset e tipográfico. A marca d’água (filigrana) representa a figura de JK em ângulo visual diferente do portrait. O formato é 74 x 154 mm (o mesmo da linha de cédulas brasileiras então vigentes). Serve o registro perfeito, entre o anverso e o reverso, uma estilização da escultura “Candangos”, de Bruno Giorgi.

Essa mesma estampa foi aproveitada para o padrão monetário corrigido, primeiramente por “carimbo” tipográfico e, posteriormente, pela alteração do valor facial para 100 cruzados.

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O anverso da cédula traz impresso portrait de Juscelino ladeado por composições representando realizações de seu governo (energia elétrica, transporte, agricultura), além da estilização das colunas do Palácio da Alvorada, dispostas verticalmente, e uma delas em contraste sobre o mapa do Brasil. O palácio foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para residência do presidente da República, e suas colunas passaram a simbolizar Brasília e o governo JK. O valor está representado, numericamente, no canto superior direito e na guarda ornamental do lado inferior, junto ao valor literal.

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Página interna do fôlder indicando detalhes técnicos e de segurança do anverso

No reverso, está impressa composição que representa, em primeiro plano, os prédios que compõem o Congresso Nacional, tendo como fundo o “Catetinho” (local pioneiro que serviu provisoriamente de residência e sede do governo durante a construção de Brasília) e uma vista, em perspectiva, do Palácio da Alvorada. O valor está representado, numericamente, no ângulo superior direito e na guarda ornamental do lado inferior, junto ao valor literal.

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Página interna do fôlder indicando detalhes do reverso da cédula

Projetos gráficos: Álvaro Alves Martins
Gravuras Manuais: Czerslaw Slania e Dalila dos Santos Cerqueira Pinto
Desenho da marca d’água: Waldemiro Puntar
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Nota do blogue: Esta é a única cédula brasileira que traz Juscelino Kubitschek. JK foi homenageado em seu centenário (2002) com três moedas: uma de um real bimetálica, de circulação comum; uma de prata, com valor facial de dois reais; e uma de ouro, com valor facial de 20 reais.
O artigo aqui reproduzido é de 2011. Tomamos apenas a liberdade de revisar e adaptar trechos do texto original.

Clipping: ‘Moeda de prata e vidro celebra os 400 anos do estabelecimento dos poloneses na América do Norte’

O Banco Nacional da Polônia emitiu uma fantástica moeda de prata de 10 zlótis com núcleo de vidro, em comemoração dos 400 anos do estabelecimento dos poloneses na América do Norte. O núcleo de vidro mostra a imagem estilizada de um homem soprando um utensílio de vidro. O anel mostra fragmentos de um mapa da Virgínia estilizado, navios, povoadores, nativos e homens fundindo vidro.

Reverso e anverso da peça

Em 1606, o rei Jaime I outorgou à Virginia Company of London o direito de colonizar e explorar os recursos da parte meridional da América do Norte. Nesta base, os ingleses começaram a estabelecer suas próprias colônias no Novo Mundo. Em dezembro de 1606, cerca de cem povoadores ingleses aventuraram-se pelo Atlântico. Jamestown, a primeira feitoria permanente, foi levantada a cerca de 40 milhas da foz do rio James na baía de Chesapeake, na terra habitada pela Confederação Powhatan de tribos algonquinas. O grupo seguinte desembarcou em Jamestown, em 1608, com oito pessoas da Prússia e da Polônia, muito provavelmente tanoeiros, para fazer barris para armazenar comida, vidreiros e alcatroeiros, que poderiam produzir carvão vegetal, carvão mineral e alcatrão, como também a potassa usada para a construção e a operação de navios. Esse primeiros povoadores poloneses anônimos foram pioneiros da emigração do território da Polônia para a América do Norte, particularmente grande na segunda metade do século 19.

Original da Beautiful Coins, 2008.

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Segundo informações pescadas do site do Banco Nacional da Polônia.

Valor facial: 10 zlótis
Materiais: vidro (miolo) e prata esterlina (.925, anel externo)
Diâmetro: 32 mm
Peso: 14,14 g
Tiragem: 126 mil exemplares

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Informação repassada pelo confrade Valdir Holtman, PR.

50 mil visualizações!

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Depois de quase três anos, nosso blogue chega à marca dos 50 mil acessos. Não parece muita coisa para três anos, mas metade desse movimento, ou seja, 25 mil acessos, deu-se entre 1º de janeiro de 2016 e hoje, ou seja, em pouco menos de quatro meses.

Logo, muitíssimo obrigado, leitor! E continue visitando nosso blogue, que sempre tem alguma novidade.

Marechal Floriano Peixoto

O Marechal Floriano Vieira Peixoto (1839-1895), segundo presidente da República (1891-1894), foi retratado em cédulas do primeiro real e, notoriamente em uma moeda de 2$ e na cédula de 100 cruzeiros que foi feita entre 1970 e 1979.

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Cédula de 100 cruzeiros da primeira família do segundo cruzeiro (1970-1986)

Enquanto na moeda de 2$ usou-se um retrato frontal (vide artigo), para essa cédula optou-se por um retrato três-quartos, baseado em fotografia aparentemente oficial de quando Peixoto ocupou a Presidência, cujo autor, por ora, ignoramos.

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A mesma fotografia, ao que parece, serviu de base para a pintura do artista noruego-brasileiro Alfredo Andersen e encontra-se atualmente exposta na Câmara Municipal de Paranaguá/PR.

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Tela de Alfredo Andersen (acervo da Câmara Municipal de Paranaguá/PR)

O real que não foi – a série

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Nossos leitores têm acompanhado a série “O real que não foi”, que, em três artigos (1, 2 e 3) trouxe projetos enviados ao Banco Central para a segunda série de moedas do real. Fala-se em milhares de projetos; nós trouxemos aqui já quatro.

Participou do concurso? Quer nos mandar a sua história e o seu projeto? Vamos dar continuidade à série e mostrar aos numismatas do Brasil o que poderia ter sido a segunda família de moedas.

Mande seu projeto com um pequeno texto autobiográfico e falando sobre a sua concepção gráfica para ferreira.mendes.sergio@gmail.com.

Colecionar moedas não é apenas comprá-las ou vendê-las, mas interessar-se por sua história e sua concepção.

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N. B.: Se alguém tiver o edital do concurso e no-lo puder enviar, ficaremos imensamente agradecidos.

O real que não foi (3)

Damos continuidade à série de artigos “O real que não foi” (veja artigos 1 e 2), juntando as propostas de desenho para segunda série do real mandadas em 1997 ao Banco Central, atendendo edital publicado pelo órgão. As informações que possuímos ainda são escassas. Fala-se em milhares de projetos.

O projeto vencedor, como se sabe, mostra vultos nacionais e foi concebido pela própria equipe da Casa da Moeda.

Neste artigo, trazemos um texto, escrito a pedido deste blogue, de Valdir Luiz Holtman, colecionador e numismata do Paraná, que enviou projeto ao BC.

“Aos meus 18 anos, morando na zona rural, eu era um colecionador que não tinha sequer onde guardar as próprias moedas e que até então havia tido contato apenas com um único catalogo de moedas. Aí vi no edital a oportunidade; já havia visto moedas que apresentavam figuras históricas, motivos econômicos, animais, plantas, pensei então: ‘nunca vi moeda de país algum apresentar sua divisão política’, se havia, não conhecia. Assim foram feitos os anversos com as cinco primeiras moedas (1, 5, 10, 25, 50 centavos), cada uma com uma região do Brasil e seus estados, e, na moeda de R$ 1, o mapa do país e suas regiões. Quanto ao reverso, o dístico com o valor facial em números arábicos e em braile, já que tinha contato com pessoas cegas e com baixa capacidade de visão, assim como eu mesmo era acometido em um dos olhos. A presença da inscrição em braile era algo que eu admirava nas moedas italianas… Lembro que o objetivo não era a premiação em si, mas conhecer a Casa da Moeda assim como proposto no edital, mas logo após enviar o trabalho já imaginava a resposta que veio a se confirmar posteriormente: o tema proposto podia instigar o aparecimento de estereótipos raciais entre as regiões, pois cada uma haveria de conter valores faciais diferenciados. Hoje, lamento que, ao longo dos anos, esses desenhos tenham se perdido, restando apenas algumas das 12 imagens.”

Abaixo, imagens cedidas pelo autor de dois anversos.