Clipping: ‘Lançamento da cédula de 500 pesos argentinos com a imagem da onça-pintada’

30 de junho de 2016, 9h24. O anúncio foi feito ontem pelo BCRA. A medida ajudará a agilizar os pagamentos e tirará a “pressão” dos caixas automáticos. A cédula de 100 pesos perdeu poder de compra frente à desvalorização e ao avanço da inflação.

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O Banco Central da Argentina anunciou o lançamento da nova cédula de 500 pesos, que terá a imagem da onça-pintada. O BC argentino começará a distribuir a cédula às instituições bancárias a partir de hoje, conforme foi oficialmente informado, e chegará às pessoas por meio das agências bancárias e caixas automáticos. Com o lançamento, serão sete cédulas de diferentes denominações em circulação por todo o país.

A cédula de 500 pesos, de tonalidade verde, terá a figura de uma onça-pintada [yaguareté no espanhol platino] do noroeste do país; a cédula de 200 pesos, de cor azul e com a imagem da baleia-franca-austral deverá ser lançada em outubro. A partir do ano que vem, a nova família de cédulas chamada “Animais autóctones da Argentina” será completada com a emissão das cédulas de 20, 50, 100 e mil pesos (esta com o desenho de um joão-de-barro [hornero, em espanhol], a ave nacional da Argentina), além da aparição das novas moedas de 1, 2, 5 e 10 pesos.

O governo anterior sempre se negou a emitir novas cédulas para não admitir o processo inflacionário. Este ano, quando o macrismo confirmou a ideia de lançar novas demoninações, o ex-titular do BC Alejandro Vanoli mostrou por sua conta no Twitter uma série de imagens que mostravam esboços que a entidade preparava. Assim, pode-se saber que, para a cédula de 200 pesos, o kirchnerismo pretendia ilustrá-lo com a imagem de Hipólito Yrigoyen, e que, para a de 500, pensava-se em Juan Domingo perón.

A cédula de 100 pesos, que é atualmente a maior denominação, perdeu poder de compra frente ao avanço da inflação desde 2007 e às desvalorizações que o BC levou a cabo.

Publicação original.

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Estrelas estranhas

O brasão de Armas da República, obra do engenheiro Artur Zauer, aparece repetidamente na numária brasileira, desde o $020 de bronze (1889-1912) até os 25 centavos de real da segunda família, fazendo fundo ao marechal Deodoro.

O brasão é basicamente o mesmo desde sua estreia; a única coisa que variou foi a quantidade de estrelas na bordadura do escudo, que foi alterada conforme a criação de novos estados, sendo que a versão atual vem de 1992, com a inclusão das estrelas por conta da criação dos novos estados, no marco da Constituição de 1988.

Embora não esteja textualmente citado nos dispositivos legais como têm de ser as estrelas, nos diagramas que acompanham os decretos todas têm cinco pontas. E assim foram reproduzidos nas moedas.

Porém, na moeda de 2$ comemorativa do centenário da Independência, o Cruzeiro do Sul presente no centro do brasão reproduzido na peça tem estrelas, digamos, um pouco estranhas.

O confrade Valdir Holtman, do Paraná, fotografou com detalhes algumas peças e todas são iguais: as estrelas da bordadura têm cinco pontas, mas a do centro do escudo, não. Rubídea, Mimosa e a Estrela de Magalhães têm seis (a primeira) e sete pontas (as duas últimas). É a única reprodução do brasão em que as estrelas têm seis pontas.

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O que seriam essas estrelas “anômalas”? É estranho ser um simples erro; trata-se de um desenho extremamente conhecido. As estrelas de seis e sete pontas podem ter relação com a maçonaria.

“A estrela de seis pontas é a representação da Trindade em duas situações: na manifestação divina aos planos inferiores da existência e na transcendência do manifesto até os planos mais elevados. Geralmente representa a descida da energia pura e espiritual de Fohat até onde possa existir vida e o mínimo de Luz. O objetivo desta descida é a iluminação e a purificação de Tudo o Criado. A subida ou transcendência refere-se a Kundalini ou energia vital mais material, carnal e animal. Ela deve elevar-se fechando o ciclo iniciado com a Criação e coroando a Magnus Opus Dei (Grande Obra de Deus). É Kundalini que atrai Fohat e é Fohat que eleva Kundalini. A existência destas duas energias ou consciências é em si uma existência só contendo duas realidades complementares e não postas, à semelhança do número dois ou da Dualidade. Quando estas duas energias realizam seus movimentos (de descida e de subida) encontram-se (em Akahsa) na Unidade formando a Divindade também conhecida como a Rosa na Cruz (o plano horizontal representando Kundalini e o plano vertical representando Fohat). Outra referência desta trindade de princípios espirituais é encontrada nos conceitos de Rajas, Tamas e Satwa. É a geração da vida com suas diversas manifestações, variações e imprecisões. O cruzamento dos triângulos também representa a união sexual e o Tantrismo (o sexo sagrado).” (aqui)

“O número sete, tão conhecido e divulgado, sempre relacionado com o poder e o comando da Organização Celestial está presente em diversos textos e referências esotéricas. O sete representa as maravilhas do mundo, sábios gregos, virtudes, pecados capitais, notas musicais, cores do arco-íris, dias da semana, etc. Conforme os ensinamentos esotéricos, Sete também são os corpos das pessoas (Físico, Vital, Astral, Mental Inferior, Mental Superior, Búdico e Atmico). Podemos encontrar muitas outras correlações setenárias. Conforme estudiosos, na Bíblia o sete é o número da “preferência divina”. O sete é o conceito do quatro (Criação) unido à Trindade (Criador), por isso é tido como o número da Perfeição. O esoterismo universal e eterno apresenta o conceito setenário de uma forma bem clara e prática no estudo astrológico dos planetas. Os planetas astrológicos (existe uma grande diferença entre Astrologia e Astronomia, leia artigo em meu outro blog) representam as Leis Divinas em ação, ou mesmo as “janelas” ou vórtices por onde nos chegam as luzes celestiais. Eles são: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Podemos também estudar o número sete pelos Arcanjos que ele representa.” (aqui)

Na maçonaria, a estrela de sete pontas são “as sete maneiras através das quais o homem pode atingir a perfeição” (aqui).

Seria o gravador da peça, Girardet, maçom?

Uma análise iconográfica dos anversos da segunda série de moedas do real

Nossas moedas, ao contrário das nossas cédulas, têm um trabalho artístico associado à história do país. Elas contam, em sequência e resumidamente, acontecimentos relevantes com elementos gráficos. Sem mais delongas, vamos à análise.

1 centavo. Sim, a moeda representativa da unidade mínima não é mais feita desde 2005, embora ainda tenha valor legal, ou seja, ninguém pode recusá-la. O anverso da peça traz o navegado português Pedro (ou Pero, forma mais comum na época) Álvares Cabral, tido como o “descobridor” do Brasil. Não se conhecem retratos fidedignos ou contemporâneos; trata-se de um retrato putativo (ou seja, embora ilegítimo, fundado na boa-fé). Cabral esteve presente ainda na cédula de 10 reais comemorativa dos 500 anos do descobrimento (2000) e em outra de mil cruzeiros (1942-1967), popularmente conhecida por “abobrinha”, por conta do verso da cor laranja. Na moeda de 1 centavo, faz fundo ao retrato de Cabral uma nau, embarcação costumeiramente confundida com a caravela. Na esquadra cabralina havia caravelas — embarcações mais leves — e naus.

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A peça de 1 centavo, feita entre 1998 e 2004.
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Cédula de mil cruzeiros (segunda estampa, anos 60)
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Cédula de 10 reais de polímero, emitida pela ocasião das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil (2000).

 

5 centavos. Atualmente a menor moeda em circulação de facto. Traz outro retrato putativo, o do alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), conhecido como Tiradentes, por ter se dedicado às práticas farmacêuticas e ao ofício de dentista. A imagem que conhecemos tem a ver com a iconografia republicana, que fez dele um protomártir do movimento republicano, dando-lhe as feições de Jesus Cristo e fazendo de Tiradentes uma personificação do ideal republicano. Sabe-se que nos estabelecimentos penais portugueses não se permitiam os pelos faciais e nem os cabelos longos, para evitar os piolhos. A iconografia baseia-se em pinturas do início do período republicano, como “Tiradentes esquartejado” (1893), de Pedro Américo, e “Tiradentes ante o carrasco” (1951), de Rafael Falco, tela esta que foi reproduzida no verso da cédula de 5 mil cruzeiros (1964); Tiradentes foi ainda retratado na moeda de 5 mil cruzeiros que relembra os 200 anos de sua execução (1992). A moeda de 5 centavos traz ainda um triângulo, usado na bandeira dos Inconfidentes, tido como representação da Santíssima Trindade, mas também associado à maçonaria, e um pombo em revoada, simbolizando a liberdade.

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Arte-final da moeda de 5 centavos.
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Anverso da cédula de 5 mil cruzeiros (anos 60).
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Reverso da mesma cédula, com reprodução da tela “Tiradentes ante o carrasco”, de Rafael Falco.
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Tela de Rafael Falco (1951).
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Anverso da moeda de 5 mil cruzeiros que lembra os 200 anos da execução de Tiradentes (1992).

 

10 centavos. Nosso “tostão” moderno traz no anverso o aclamador da Independência e nosso primeiro imperador, d. Pedro I (1798-1834). O rei-imperador ou rei-soldado é considerado, como Giuseppe Garibaldi, herói de dois mundos, pois, além da libertação do Brasil, ele voltou a Portugal, onde devolveu o trono a d. Maria, sua filha; a posição havia sido usurpada por d. Miguel, irmão de d. Pedro. Em um curso período (março-maio de 1826), com a morte de d. João VI, Pedro tornou-se rei de Portugal, onde a historiografia o registra como d. Pedro IV, mas abdicou em favor da filha. A moeda de 10 centavos, baseada em vários retratos oficiais do monarca, tem por fundo um detalhe da tela “Independência ou Morte” (1888), de Pedro Américo, em que o príncipe Pedro está sobre um cavalo no momento em que teria pronunciado a célebre frase. Pedro já fora homenageado na cédula de 200 cruzeiros (1942-1967) e na de 5 cruzeiros (1970-1979).

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Moedas de 10 centavos.
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Tela “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. A pintura faz parte do acervo do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, em São Paulo, muito próximo de onde a cena retratada teria ocorrido. Observe d. Pedro sobre o cavalo, em posição central.
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Cédula de 200 cruzeiros (anos 50/60).
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Cédula de 5 cruzeiros (anos 70).

 

25 centavos. Traz o marechal Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892), tido como proclamador da República. Ao fundo, vista parcial do brasão de Armas da República, obra do engenheiro Artur Zauer. O Marechal esteve presente ainda nas cédulas de 20 cruzeiros (1942-1967), de 50 cruzeiros (1970-1979) e 500 cruzeiros (1979-1986).

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Arte-final da moeda de 25 centavos.
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Cédula de 20 cruzeiros (anos 50).
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Cédula de 50 cruzeiros (anos 70).
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Cédula de 500 cruzeiros (anos 80).

 

50 centavos. A peça traz o maior nome da nossa diplomacia, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão do Rio Branco (1845-1912). Além da carreira política — foi deputado provincial em Mato Grosso, cônsul em várias localidades e ministro das Relações Exteriores. Esteve no centro de várias questões territoriais do Brasil, incluindo a demarcação de nossas fronteiras: Palmas, com a Argentina (1895); Amapá, com a França e sua Guiana (1900); Acre, com Bolívia e Peru (1903); e Trindade (1895). Além que questões menores com o Uruguai. De fundo ao retrato, um mapa do Brasil com linhas de cota, com uma rosa dos ventos estilizada e uma linha na vertical, possivelmente representando o meridiano de Tordesilhas, nossa primeira fronteira. O Barão já esteve presente na cédula de 5 cruzeiros (1943-1967) e nas duas de mil cruzeiros (1979-1986).

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50 centavos.
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Cédula de 5 cruzeiros (anos 50).
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Cédula icônica do Barão, 1ª estampa de mil cruzeiros (1979), também chamada de “cabeção”.

 

 

1 real. O anverso dessa peça traz a alegoria da República. Trata-se da versão de 1989, criada para o primeiro centenário da data. Ela apareceu na moeda de 1 cruzado novo (1989), na cédula de 200 cruzados novos/cruzeiros (1989/1990), na primeira série de moedas do real e nas duas séries de cédulas do real.

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Moeda de 1 real.
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Cédula de 200 cruzeiros (inicialmente cruzados novos), emitida pelos 100 anos da República.
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1 cruzado novo (1989), com a nova efígie da República, feita para a efeméride.
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Moedas de 25 centavos de real (1994-5).

 

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Anverso comum de todas as moedas da série inicial do real (exceto a peça de 25 centavos, acima)
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A cédula de 1 real da primeira série em sua terceira e última estampa.

 

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Cédula de 2 reais da segunda família, lançada em 2012.

A brief history of Brazilian currencies

Brazil had many currencies in its history. The first one was inherited from Portugal. From 1500 to 1822, our currency was the Portuguese real (pl. réis). After independence, in 1822, currency changed to Brazilian real, but in 1833, an act of Regency de facto established the mil-réis as currency unit (mil-réis means one thousand réis). This turned mil-réis into a millesimal currency: the real was the thousandth part of the currency.

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100-réis coin (1871)

This mil-réis survived until 1942. In this year, a Vargas’ dictatorship decree converted one mil-réis in one cruzeiro. The new denomination comes from the Southern Cross constellation (Cruzeiro do Sul in Portuguese), used as a national symbol. It’s the début of centavo (a hundredth of the currency; a cent).

First cruzeiro coins and banknotes

This first cruzeiro (there were two others in the future) was our currency until 1966. Then, devaluation and inflation made necessary a reformation. One thousand cruzeiros were revaluated to one cruzeiro novo (novo means new, like the noveau franc in France). In 1970, only the denomination changed again to cruzeiro, but this was at par, like in France.

Second cruzeiro. One-cruzeiro coin (1970-1979) and 100-cruzeiros bill (1970-1979)

This second cruzeiro lasted until 1986. Inflation made necessary a new reformation, then other change was made: 1,000 cruzeiros became 1 cruzado. The name comes from an old gold coin from colonial times.

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A 10-cruzados coin.

Inflation became implacable. In 1989, a new reformation 1:1,000. One thousand cruzados became 1 cruzado novo (the new again). In 1990, name changed again, but at par: 1 cruzado novo became 1 cruzeiro (the third cruzeiro). In 1993, another reformation was necessary: 1,000 cruzeiros became 1 cruzeiro real. That was our most short-lived currency: about 11 months.

Third cruzeiro: coin and bill

The last reformation came in 1994. A stabilization plan, called Plano Real, changed the currency again. The ratio was 1:2,750; 2,750 cruzeiros reais became 1 real. The name comes from the old colonial, imperial and early republican currency (the plural isn’t réis, like the old currency, but reais, the modern form of plural).

From left to right: 1-real bill (first series), 1-real coin (second series), 25-centavos (first series) e 10-centavos (second series)

From 1994, currency stays the same. It’s the most stable currency since imperial times (1822-1889).

Clipping: ‘Tesouro romano encontrado no sul da Espanha’

Com agências internacionais e imprensa nacional

Ouça este artigo

Dezenove ânforas com 600 kg de moedas romanas foram encontradas em Tomares (Andaluzia), a 10 km de Sevilha. O achado deu-se no último 27 de abril, quando operários trabalhavam na área do Parque do Olivar del Zaudín. As peças são do final do século III e começo do IV, encontram-se em condições FDC e trazem inscrições dos imperadores Maximiano (286-305) e Constantino (306-337).

“É um conjunto único e com pouquíssimos paralelos. Na história do Império Romano, do baixo império romano na Espanha, não conhecemos nenhum paralelo”, declarou Ana Navarro, diretora do Museu Arqueológico de Sevilha, instituição para a qual foram levados os artefatos.

“Grande parte das peças eram de cunhagem recente”, disse ainda Ana. A hipótese principal é que as moedas estão relacionadas ao soldo do exército.

As moedas pesam, cada uma, entre 8 g e 10 g, e são principalmente de bronze, embora haja algumas com banho de prata.

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‘Cabeções’

Costumo chamar “cabeções” as últimas cédulas do padrão terceiro cruzado novo-cruzeiro/cruzeiro real, cujo marco inicial é a peça de 50 mil cruzeiros com a efígie do historiador, escritor e folclorista Luís da Câmara Cascudo, lançada em dezembro de 1991.

A série, iniciada com a peça de 50 cruzados novos, que homenageia o poeta Carlos Drummond de Andrade, transpassa três padrões monetários e destacou-se por dar imagem a vultos da cultura, em vez das personalidades ligadas à política ou ao campo militar.

A subsérie dos cabeções têm continuidade com as cédulas de 500 mil cruzeiros (Mário de Andrade), 1.000 cruzeiros reais, 5 mil cruzeiros reais (gaúcho) e 50 mil cruzeiros reais (baiana).

A concepção artística é diferente da vigente até então. Basta compararmos as cédulas de 10 mil cruzeiros com a seguinte, de 5o mil cruzeiros, lançada em 9 de dezembro de 1991.

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Nota-se que o busto de Câmara Cascudo é bem maior. Em vez de retratar a cabeça toda, optou-se por dar destaque ao rosto, mesmo com algumas omissões, como o topo da cabeça. Além da questão da cabeça, trata-se da primeira cédula que incorpora elementos de auxílio para os deficientes visuais (as três barras sobre o 50), que estarão presentes em todas as cédulas emitidas a partir de então (exceto na de 1.000 cruzeiros reais). Note-se ainda a figura do jangadeiro, relacionada aos estudos de Cascudo, e um grande sol, de cor mais viva que os resto da cédula. Como fundo, um padrão que lembra o da renda, outro elemento da cultura popular do Rio Grande do Norte.

O registro coincidente reproduz o Forte dos Reis Magos, ponto de interesse histórico de  Natal, capital norte-rio-grandense e local de nascimento do intelectual.

E o mesmo para os valores subsequentes (exceto a de 100 mil cruzeiros).

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Cédula de 500 mil cruzeiros, com o escritor Mário de Andrade (1893-1945). Detalhe para o registro coincidente, a famosa muiraquitã, o amuleto de Macunaíma, protagonista do romance homônimo (1928). A peça foi lançada em 29 de janeiro de 1993.

baud_pauliceia.jpgAlém da muiraquitã, este anverso traz ainda um padrão de losangos que lembra muito a primeira capa de “Pauliceia desvairada” (1922, à esquerda), que reproduz a roupa de Pierrot, personagem da Commedia dell’Arte. Note-se ainda uma silhueta hachurada no centro da cédula, e o verso “E então minha alma servirá de abrigo”, do poema “Descobrimento”.

O reverso traz o escritor rodeado de crianças e com o Edifício Martinelli, marco do Centro Histórico da capital paulista, ao fundo.

Também o topo do chapéu do Mário não aparece, concentrados os detalhes na fisionomia do retratado.

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A cédula de 1.000 cruzeiros reais, lançada em em 1º de outubro de 1993, traz o educador Anísio Teixeira (1900-1971). É a última cédula brasileira de circulação comum a trazer o rosto de um benemérito.

A cédula do gaúcho, lançada em 29 de outubro de 1993, justamente por tratar-se de um tipo regional e não uma pessoa específica, traz o resto numa perspectiva um pouco mais ampla, mas que ainda se enquadra na tipologia “cabeção”, ao fundo, no centro, detalhe do edifício do Parque-Escola concebido pelo Educador.

Como registro coincidente, uma coruja estilizada, símbolo do conhecimento, cujas sobrancelhas têm a forma de um livro aberto.

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Cédula de 5 mil cruzeiros reais, com o gaúcho e as ruínas da igreja jesuítica de São Miguel das Missões/RS; o registro coincidente é uma cuia de chimarrão e sua bomba. Sobre a igreja, uma planta, muito possivelmente de erva-mate (Ilex paraguariensis).

E, finalmente, a baiana, personagem que já havia sido homenageada em moeda. A cédula foi lançada em 30 de março de 1994 e valeu apenas até 15 de setembro do mesmo ano.

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Cédula de 50 mil cruzeiros reais, com a baiana ladeada por penduricalhos, entre os quais se vê uma figa, um peixe e algo como um dente (ou um corno?); no registro coincidente, outra figa.

A série ficou com este “espaço” entre os valores de 5 mil e 50 mil; uma cédula de 10 mil cruzeiros reais estava prevista, mas nunca entrou em circulação.

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Ensaio/prova da cédula de 10 mil cruzeiros reais, que nunca entrou em circulação, que mostra a rendeira e detalhes da almofada, com um pedaço de renda e os bilros. O tipo já havia sido homenageado em uma moeda; como registro coincidente, um detalhe de renda.

Novo padrão ou reutilização de discos?

Infelizmente, a publicação dos contratos de compra de discos metálicos para a cunhagem de moedas resume-se à súmula, não constando, por exemplo, a quantidade de discos comprada. As datas também são restritas; no site da CMB, apenas os contratos celebrados a partir de 2005 constam dos registros.

Mas voltemos aos anos 1980. Em 1988, foi emitida uma série de três moedas que celebrava o centenário da abolição; anverso idêntico para as três peças de 100 cruzados; os anversos traziam, em cada uma das moedas, um homem, uma mulher e uma criança. Eram peças de aço inoxidável, com 31 mm de diâmetro e peso de 9,95 g. Essa série é o prenúncio de uma revolução estética da qual já tratamos em outro artigo.

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As três peças da série comemorativa do Centenário da abolição (anversos)

Em 1989, como sabemos, houve um plano econômico que cortou três zeros ao cruzado, e a nova unidade foi batizada como cruzado novo. Em 8 de novembro daquele ano, foi lançada uma moeda de 1 cruzado novo alusiva ao centenário da República, peça de padrões estéticos muito similares àquelas lançadas em 1988, cujos ecos também fizeram-se sentir na série comum. A peça comemorativa tinha 31 mm de diâmetro e 9,95 g de peso.

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1 cruzado novo (1989), com a nova efígie da República, feita para a efeméride

Em 1992, o desvalorizado cruzeiro abrigou outra emissão comemorativa de circulação comum, os 5 mil cruzeiros alusivos ao bicentenário da Inconfidência Mineira. Com 31 mm de diâmetro, 1,9 mm de espessura e e 9,95 g.

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Peça de 5 mil cruzeiros (1992)

Quais conclusões podemos tirar de três emissões com as mesmas características e períodos diferentes?

  • Pensou-se (o BC? A CMB?) em padronizar as emissões comemorativas, por isso a coincidência nas dimensões.
  • Reaproveitamento de cunhos já encomendados, visto que as moedas de 1988 somam 600 mil exemplares, e as de NCz$ 1 de Cr$ 5 mil, somam 10 milhões cada uma.
  • Novos contratos de disco, mas com reaproveitamento de maquinário regulado e virolas correspondentes.

O que os leitores acham?