Clipping: ‘Novas moedas celebram Beatrix Potter e Shakespeare’

1º de janeiro de 2016, 10h16 – Moedas fazem parte de uma série de sete peças comemorativas que começarão a circular este ano. (De La Nueva, Bahía Blanca, Argentina)

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Foto: Royal Mint

Os escritores ingleses William Shakespeare e Beatrix Potter serão homenajeados com outros eventos e personalidade, em uma série de sete novas moedas que serão emitidas este ano, no Reino Unido, anunciou hoje o Royal Mint.

Imagens representativas das obras de Shakespeare aparecerão nas moedas de 2 libras para celebrar o 400º aniversário da morte do dramaturgo.

Os famosos coelhos de Beatrix Potter, autora cujo nascimento completa 150 anos, figurarão na moedas de 50 pence.

Outros eventos abrangido pela série, que pretende repassar mil anos de história britânica, são a batalha de Hastings, cujo aniversário de 950 anos será lembrado em outra moeda de 50 pence, e o devastador Grande Incêndio de Londres, ocorrido há 350 anos e que será recordado por uma moeda de 2 libras.

O Royal Mint continuará com seu programa de comemoração do centenário da Primeira Guerra Mundial ao recordar um novo episódio em outra moeda de 2 libras, que, como todas as outras, terá em uma de suas faces a efígie da rainha Elizabeth II.

A diretora de Moedas Comemorativas do Royal Mint, Anne Jessopp, elogiou os desenhos, que lembram “momentos marcantes” da história do país, e disse que o público começará a ver as novas moedas a partir de abril próximo. (EFE)

Texto original.

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Una breve storia delle unità monetarie brasiliane

Here is a english version of this text.
Aquí hay una versión en español de este texto.

Il Brasile ebbe molte monete nella sua storia. La prima fu ereditata da Portogallo. Dal 1500 fino il 1822, la nostra moneta fu il real portoghese (pl. réis). Dopo l’indipendenza, nel 1822, la moneta passó ad essere il real brasiliano, peró nel 1833, una legge della Regenza stabilì de facto il mil-réis come unità monetaria (mil-réis vuol dire mille réis). Ciò trasformó il mil-réis in una moneta millesimale: il real era la millesima parte de l’unità.

100reis

100 réis (1871)

Questo mil-réis sopravisse fino il 1942. In quest’anno un decreto legge della dittatura Vargas convertì 1 mil-réis in 1 cruzeiro. La nuova denominazione venne della costellazione della Croce del Sul (Cruzeiro do Sul in portoghese), usata come simbolo nazionale. E’ anche il debutto del centavo (la centesima parte del cruzeiro).

Banconota da 200 cruzeiros e monete del primo cruzeiro

Il primo cruzeiro (ci saranno altre due edizioni negli anni seguenti) fu la nostra moneta fino al 1966. Quindi, la svalutazione e l’inflazione forzarono una riforma. Mille cruzeiros diventarono 1 cruzeiro novo (nuovo, come il noveau franc in Francia). Nel 1970, soltanto la denominazione fu cambiata di nuovo per cruzeiro, ma la relazione si mantenne 1:1, anche come successe in Francia.

Banconota da 50 cruzeiros e moneta da 20 centavos delle prime famiglie

Questo secondo cruzeiro durò fino al 1986, L’inflazione portò una nuova riforma: mille cruzeiros diventarono 1 cruzado. Il nome viene da una vecchia moneta coloniale d’oro.

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Moneta da 10 cruzados

L’inflazione diventò incontrollabile. Nel 1989, una nuova riforma 1:1.000. Mille cruzados diventano 1 cruzado novo (il novo di nuovo). Nel 1990, il nome fu cambiato: 1 cruzado novo diventò 1 cruzeiro (il terzo cruzeiro); nel 1993, altra riforma venne fatta: mille cruzeiros diventano 1 cruzeiro real. Fu la nostra moneta più breve: durò 11 mesi.

Banconota e moneta del terzo cruzeiro

L’ultima riforma venne nel 1994. Un piano di stabilizzazione monetaria, chiamato Plano Real, cambiò la valuta di nuovo. La tassa di conversione fu 1:2.750; 2.750 cruzeiros reais diventarono 1 real. Il nome venne dalla vecchia valuta coloniale, imperial e dei primi anni della Repubblica (il plurale non è réis, come la vecchia moneta, ma reais, la forma moderna del plurale).

Monete e banconote del secondo real

Dal 1994, la valuta brasiliana è la stessa. E’ il periodo più stabile dal tempo dell’Impero (1822-1889).

Quanto vale a minha moeda? – parte II

 

Uma das primeiras postagens deste blogue foi “Quanto vale a minha moeda?”. E a que mais atrai gente para cá. Mas, mesmo com todas as advertências a respeito, o que mais aparece é gente querendo saber o valor de coisas que tem em casa, em geral moedas do período hiperinflacionário. As chances de essas moedas valerem algo substancial são mínimas, o que não lhe tira o interesse numismático, apesar de tudo. Por isso, decidi fazer um complemento àquela postagem com mais algumas informações úteis.

1) Moedas emitidas a partir de 1900 são em sua maioria de cuproníquel, bronze, bronze-alumínio, alumínio, níquel e aço inoxidável e foram batidas aos milhões. Aquilo que tem muito, obviamente, tem seu valor depreciado. Não importa o quão antiga é a peça nessa escala. P. ex., uma moeda de $100 de 1938 tem quase 80 anos, mas foram batidos 1.285.000 exemplares. Logo, não vá imaginado que ela vá valer centenas de reais.

2) O estado de conservação importa e muito. A numismática tem sua escala de conservação para classificar as peças. No Brasil, o grau mais alto aceito é o FDC (flor de cunho), pelo qual a moeda se apresenta da maneira como saiu da casa da moeda, ou seja, sem marca alguma de circulação e com o brilho original ou pátina do tempo. Os $100 do tópico acima, p. ex., em FDC, vale por volta de R$ 12 (Catálogo Bentes 2014).

Depois, temos a classificação SOB (soberba), na qual a moeda apresenta leves traços de circulação, mas tem todos os detalhes nítidos; deve apresentar algo como 90% dos detalhes da cunhagem. Os $100 1938 nesse estado valem R$ . Observe como o valor cai.

Na sequência, temos a classificação MBC (muito bem conservada), que deve ter pelo menos 75% dos detalhes originais visíveis. Os $100 nessa classificação valem R$ 5.

Mais abaixo, temos a classificação BC. Trata-se de moeda de circulou bastante, mas que ainda permite a leitura de suas legendas. Deve ter 50% da cunhagem original. Esta é a classificação mínima para uma peça de coleção; abaixo disso, somente se a raridade da moeda o justificar. A moeda de $100 de 1938 nesse estado vale R$ 2. Um décimo do valor da peça em FDC.

A classificação ainda prossegue para peças mais gastas com R (regular) — a peça assim classificada tem apenas 25% de seus detalhes originais e fortes sinais de uso e desgaste — e UTG (um tanto gasta), na qual as imagens são apenas “sombras” das originais; ou seja, é possível distinguir apenas silhuetas. A moeda de $100 de 1938 não tem valor comercial nessas classificações.

3) A raridade da peça é crucial para sua avaliação. No caso dos $100, já vimos que foi uma moeda com mais de 1 milhão de exemplares, o que, para a época, é bastante. É preciso ver, além da quantidade emitida, o tamanho do público que se serviu dela. Hoje em dia, uma moeda com 1 milhão de exemplares é relativamente pouco para um país com 204 milhões de habitantes, como o Brasil de hoje; em 1940, tínhamos 41.236.315. Se fizermos uma conta simples de proporção, uma emissão de 1 milhão de peças hoje dá o índice de 0,005 peça/habitante. Uma emissão de 1 milhão de peças em 1940 resulta na proporção de 0,024 peça/habitante, praticamente cinco vezes maior.

Se pegarmos a peça de 1 cruzeiro de 1960, veremos que foram emitidos 35.267.000 exemplares. A população brasileira, ou seja, o público a ser atendido pelo meio circulante, era de 51.944.397, o que nos dá uma proporção de 0,678 peça/habitante.

4) Há, claro, algumas dessas peças que valem algo por conta de defeitos de fabricação, sendo o mais comum desses o chamado reverso invertido. As peças brasileiras (com algumas exceções) têm o famoso reverso moeda, ou seja, se pego as moedas entre meus dedos indicador e polegar e girá-la no eixo vertical, um lado estará invertido em relação ao outro. O chamado reverso invertido é quando os dois lados têm a mesma orientação no eixo vertical. Atenção: há moedas de mil-réis com reverso medalha (os dois lados com a mesma orientação em relação ao eixo vertical), logo, só configurará alguma raridade se tiver reverso moeda. P. ex., os $100 1938 têm reverso moeda; se estiver com a configuração invertida, podem valer entre R$ 130 (BC) e R$ 280 (MBC).

Há ainda a questão dos defeitos de cunho, como o boné (quando a impressão da moeda está “deslocada”, formando uma rebarba sem marca alguma) ou trincas e defeitos nos discos. Para esses casos, não há exatamente uma referência e nem todos os colecionadores fazem questão de mantê-las em suas coleções, mas há gente que se dedica a colecionar essas moedas defeituosas e, obviamente, elas têm valor maior, mas um mercado mais específico.

Então, para termos uma noção se nossa moeda vale algo ou não, podemos resumir:

1) data de emissão
2) grau de conservação
3) grau de raridade
4) excentricidades

A avaliação desses quatro itens podem ajudá-lo antes de procurar um especialista.

Os bônus da Revolução de 1932

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma reação daqueles que se opuseram a Getúlio Vargas, que dera um golpe de estado em Washington Luís, em 1930. Entre julho e outubro daquele fatídico ano, São Paulo lutou contra o governo central para que o país voltasse a uma normalidade democrática. Embora houvesse sido prometida ajuda, apenas pequenos contingentes gaúchos e do sul de Mato Grosso tentaram auxiliar São Paulo. O resultado foi a derrota paulista; derrota no campo militar, mas vitoriosa no campo político: Vargas foi forçado a chamar uma constituinte que resultou na nossa constituição de 1934.

A campanha paulista foi uma guerra civil; breve, de fato, mas, ainda assim, uma guerra. Trincheiras, fuzis, carros blindados, tudo produzido com o que havia por aqui, fruto de um esforço titânico contra a tirania. Escolas foram convertidas em hospitais, a Escola Politécnica produziu armamentos. Voluntários, mortos. Uma miniguerra com todos seus elementos.

Um problema decorrente da breve situação bélica sofrida pelo Estado de São Paulo foi a falta momentânea de meio circulante. Como se tratava de situação excepcional, o Tesouro do Estado emitiu uma série de bônus da dívida, no formato de cédulas. O Decreto nº 5.585, de 14 de julho de 1932, autorizou a emissão de Rs. 100.000:000$ (cem mil contos de réis), para circulação em 90 dias.

As cédulas tiveram duas estampas, ambas impressas pela Companhia Melhoramentos de São Paulo em tempo recorde. A primeira família trazia as efígies de Domingos Jorge Velho e Fernão Dias, ambos bandeirantes. Abaixo, a primeira família (imagens do excelente site Tudo por São Paulo).

Essas emissões emergenciais lembram um pouco os famosos patacones das províncias argentinas que, enfiadas em dívidas, emitiram bônus para pagar seus funcionários.

Os bônus da Revolução de 1932 perderam força liberatória em 31/12/1932.

Una breve historia de las unidades monetarias brasileñas

There is a english version of this text.

Brasil tuvo muchas monedas en su historia. La primera fue heredada de Portugal. De 1500 hasta 1822, nuestra moneda fue el real portugués (pl. réis). Después de la independencia, en 1822, la moneda pasó a ser el real brasileño, pero en 1833 una ley de la Regencia estableció de facto el mil-réis como unidad monetaria (mil-réis quiere decir mil réis). Eso transformó el mil-réis en una moneda milesimal: el real era la milésima parte de la unidad.

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100 réis (1871)

Ese mil-reis sobrevivió hasta el 1942. En ese año, un decreto-ley de la dictadura Vargas convirtió 1 mil-réis en 1 cruzeiro. La nueva denominación vino de la constelación de la Cruz del Sur (Cruzeiro do Sul en portugués), usada como símbolo nacional. Es también el estreno del centavo.

Billete de 10 cruzeiros y monedas del primer cruzeiro

Ese primer cruzeiro (habrán aun otros dos en el futuro) fue nuestra moneda hasta 1966. Entonces, la desvalorización y la inflación hicieron necesaria una reforma. Mil cruzeiros fueran convertidos en 1 cruzeiro novo (novo: nuevo, como el noveau franc en Francia). En 1970, solo la denominación fue alterada nuevamente para cruzeiro, pero la relación se mantuvo en 1:1, como también ocurrió en Francia.

Moneda de 1 cruzeiro y billete de 10o cruzeiros de las primeras series.

Ese segundo cruzeiro duró hasta 1986. La inflación hizo necesaria una nueva reforma, y otro cambio se dio: mil cruzeiros se han convertido en 1 cruzado. El nombre viene de una vieja moneda de oro de los tiempos coloniales.

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Moneda de 10 cruzados

La inflación volvió implacable. En 1989, una nueva reforma con corte de tres ceros. Mil cruzados se convierten en 1 cruzado novo (el novo de nuevo). En 1990, el nombre fue cambiado: 1 cruzado novo se convirtió en 1 cruzeiro (el tercer cruzeiro). En 1993, otra reforma fue necesaria: mil cruzeiros pasan a ser 1 cruzeiro real. Esa fue nuestra más breve moneda: duró 11 meses.

Billete y moneda del tercer cruzeiro

La última reforma se dio en 1994. Un plan de estabilización, llamado Plano Real, cambió la moneda otra vez, pero el factor de conversión fue 2.750; 2.750 cruzeiros reais se transformaron en 1 real. El nombre vino de la vieja unidad colonial, imperial y del comienzo de la República (pero el plural no es réis, como la vieja moneda, sino reais, la forma moderna del plural).

Monedas y billetes del segundo real

Desde 1994, la moneda de Brasil es la misma. El real es la unidad más estable desde los tiempos del Imperio.

22 anos de plano Real

Hoje, 1º de julho de 2016, o plano Real e a moeda homônima completam 22 anos. E não é pouco: trata-se da unidade monetária mais longeva depois do mil-réis; também marca o fim de um período “maldito” de oito anos (1986-1994), em que tivemos apenas quatro moedas: cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real.

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Moeda de 100 cruzeiros reais, a mais alta desse padrão monetário

No que concerne ao meio circulante metálico, tivemos duas famílias de moedas. A primeira, batida entre 1994 e 1997, era de uma sensaboria ímpar, com aproveitamento de discos da família anterior (cruzeiro/cruzeiro real), trazia o valor no reverso e uma mal-ajambrada efígie da República no anverso. Tinha jeito e cheiro dinheiro provisório e pesou um pouco no descrédito inicial que o plano enfrentou. Lembro-me bem da fala de um freguês do meu pai:

— Um real, daqui seis meses, não vai dar para comprar um chiclete.

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A anverso comum das moedas da primeira família

Por sorte, nosso pessimista errou. Apesar de inflação acumulada pelo IPCA até março de 2016 ser de 438%, o que equivale dizer que R$ 1 de 1994 tem o mesmo poder de compra de R$ 5 hoje, ou que o poder de compra de R$ 0,20 em 1995 é preciso, hoje, ter R$ 1.

Mesmo com crises e vaivéns, trata-se do período economicamente mais estável desde o fim do Império.

A primeira família de moedas provou a durabilidade do aço como material de cunhagem. O Brasil começou a bater do metal em 1967 e, de 1979 a 1997, só fabricou moedas de aço. As velhinhas da primeira família ainda perambulam pelos nossos bolsos e mantêm-se em bom estado, mesmo após dois decênios de circulação.

Apesar de tudo, não se trata de opção primeira mundo afora. Conforme algumas pesquisas que vimos conduzindo, o primeiro país do mundo a introduzir moedas de aço inoxidável, em substituição às de cuproníquel, foi a Itália. O acmonital (do it. acciaio monetário italiano) foi introduzido na cunhagem em 1936, na chamada “série imperial”. No pós-guerra, o alumínio dominou a numária italiana; somente em 1954 foi emitida a peça de 50 liras de aço, e, em 1955, a de 100 liras. A Itália cunhou peças do metal até 1992.

Peça de 2 liras da série imperial (à esq.) e de 100 liras (à dir.)

Voltando ao Brasil, o aço provou sua vitalidade em moedas que circulam há mais de 20 anos. Ainda temos as moedas de 50 centavos e o núcleo da moeda de 1 real de aço inox — as outras são de aço baixo-carbono revestidas de cobre (5 centavos) e bronze (10 e 25 centavos e o anel da moeda de 1 real). Talvez fosse o tempo de pensar numa terceira série, toda em aço, mas sem a pobreza estética da primeira família. É possível fazer belas moedas de aço, e matéria-prima não nos falta.