A história das moedas de 1 centavo

O título pode parecer meio besta, mas tem alguma relevância.

Como já falamos aqui neste blogue, a divisão centesimal, chamada entre nós de centavo, fez seu début no Brasil em 1942, com a introdução do cruzeiro. Até então, a moeda era o mil-réis, dividido em mil réis. A menor moeda de mil-réis era o tostão, ou $100; a de $050 teve sua última emissão em 1931 (a emissão de 1935 teve apenas cem exemplares, certamente com intuitos numismáticos) e a de $020, em 1927 (também com um “choro” em 1935, também com cem exemplares).

Logo, a menor moeda do primeiro cruzeiro era a de 10 centavos, equivalente a $100 e que até os anos 1950 conservou o nome popular de tostão. O cruzeiro nasceu sem moeda de 1 centavo, quantia que existia apenas para conta.

A primeira moeda de 1 centavo vai aparecer apenas com o cruzeiro novo, em 1967. A “pequena notável”, além de representar a menor unidade formal da moeda, marcou, com as peças de 2 e 5 centavos, a introdução do aço inoxidável na numária brasileira.

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A primeira moeda de 1 centavo emitida no Brasil

A reforma da série em 1979 trouxe uma nova moeda de centavo, mas “para inglês ver”. Se em maio de 1967 um dólar americano valia cerca de NCr$ 2,70, a moeda norte-americana fechou dezembro de 1979 a Cr$ 42,30. O chamado “centavinho”, que ostentava um râmulo de soja foi emitido entre 1979 e 1983, com 100 mil peças anuais, exceto 1980, que contou apenas 60 mil. Trata-se de peça que, por seu valor mínimo, praticamente não circulou. Basta apenas pensar que a moeda seguinte na série era a de 1 cruzeiro.

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O “centavinho” de 1979

A introdução do cruzado, em fevereiro de 1986, trouxe nova série de moeda com a introdução de uma peça de 1 centavo, de 15 mm de diâmetro. Para se ter uma ideia, a primeira cotação do dólar em cruzados foi de Cz$ 13,84, o que conferia à moedinha o valor pouco acima de 1 milésimo de dólar.

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Em 1989, o cruzado novo entrou em paridade com o dólar. E trouxe também, na nova série de peças metálicas, sua moedinha de 1 centavo, com o boiadeiro; o câmbio do dólar chegou a NCz$ 11,30 ao final de 1989, o que mostra a depreciação da peça de 1 centavo. É sintomática a queda na cunhagem: 270,4 milhões de peças em 1989 (IR 1.829,5 pontos) e 1 milhão em 1990 (IR 6,6 pontos).

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O Brasil não veria outra moeda de 1 centavo até 1994, quando da entrada em circulação do real. A primeira versão, de aço inox, foi batida entre 1994 e 1997, e, em termos absolutos, foi a peça mais emitida da história da numária nacional, com 1,99 bilhão de peças. Individualmente, a peça de 1994, com 877,1 milhões, tem IR de 5.473 pontos, sendo, inicialmente a segunda moeda mais emitida da história da numária brasileira, perdendo apenas para a peça de 10 cruzeiros de 1991, com 947,9 milhões de exemplares, com IR de 6.198,8 pontos.

1 centavo 1994

A moeda de 1 centavo da segunda série do real, emitida entre 1998 e 2004, tem 1,2 bilhão de exemplares e marca também, com outras peças da série, a introdução do aço eletrorrevestido na numária.

1 centavo

Quadro sinóptico

Peças de um centavo emitidas no Brasil

1967 – cruzeiro novo, aço
1979 – cruzeiro, aço
1986 – cruzado, aço
1989 – cruzado novo, aço
1994 – real, aço
1998 – real, aço eletrorrevestido de cobre

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