Clipping: ‘Novas moedas de 5 e 10 pesos a partir de 2017’

Por Minuto Uno, 9/11/2016.

Em janeiro, o Banco Central {da República Argentina] começará a distribuir moedas de maior valor e remodelará as de 1 e 2 ARS. As novas peças de 5 e 10 ARS manterão os bustos de San Martín e Belgrano.

A partir do ano que vem, as novas moedas juntam-se à nova família de cédulas que foi lançada em 2016 pelo governo de Mauricio Macri.

Assim, entrarão em circulação os novos desenhos das cédulas de 20, 50 e 100 ARS e a nova cédula de 1.000 ARS. A nota de 500 ARS já está em circulação desde junho e há algumas semanas foi lançada a de 200.

O próximo lançamento será a cédula de 1.000 ARS, que terá um joão-de-barro como motivo principal.

Com as novas moedas, começam a sair de circulação as cédulas de 2, 5 e 10 ARS, mas as novas moedas manterão os bustos de San Martín e Belgrano.

Anúncios

Franco do Sarre

A região do Sarre, hoje Land da Alemanha, já esteve em situações bem diferentes. Com a derrota alemã na Primeira Guerra, a Liga das Nações, “mãe” da ONU, estabeleceu um protetorado sobre a área, o Território da Bacia do Sarre, que existiu entre 1920 e 1935, quando ocorreu o plebiscito que devolveu a área à Alemanha.

250px-locator_map_saarland_in_germany-svg

O Sarre (em vermelho) na Alemanha atual (em bege). Fonte: Wikipédia

Com a Segunda Guerra e nova derrota alemã, o Sarre voltou a ficar separado da Alemanha e, entre 1947 e 1957, constituiu o Protetorado do Sarre, sob tutela francesa. O porquê de tanta preocupação com um território tão pequeno (2.570 km²; para se ter uma ideia, a Região Metropolitana de São Paulo tem 7.946 km²)

A intenção francesa inicial era incorporar o Sarre, mas como a população local é predominantemente alemã, a França reavaliou suas pretensões e decidiu por um projeto de domínio econômico sobre um Sarre independente, o que foi frustrado em 1956, quando um referendo sobre o tema foi levado a cabo e a população decidiu pela reincorporação à Alemanha, não obstante a campanha do então chanceler alemão, Konrad Adenauer, para que o Sarre se tornasse independente.

Inicialmente, o governo francês introduziu novas cédulas de marco em paridade com o Reichsmark, em seis denominações: 1, 2, 5, 10, 50 e 100. As cédulas começaram a circular em 16 de julho de 1947, mas em novembro do mesmo ano, começaram a ser substituídas pelo franco francês, na taxa de 20 marcos para 1 franco.

SaarP3-1Mark-1947_f.jpg

Um marco do Sarre, já sob protetorado francês (fonte: Wikipédia)

Em tese, a moeda que circulou no Sarre até 1959, quando foi totalmente substituída pelo marco da Alemanha Ocidental, mas em conjunto com as moedas e cédulas francesas, foram emitidas em 1954 e 1955 quatro peças especiais para o Sarre: 10, 20 e 50 francos de bronze-alumínio, com o mesmo tamanho e peso das moedas francesas então circulantes, e 100 francos de cuproníquel. Não foram batidas as moedas de 1 e 5 francos, que deveriam ser de alumínio; logo, presume-se que circulavam as peças francesas.

muenzen-saar

As quatro moedas do “franco do Sarre” (fonte: hamsterkiste.de)

Em tese, não se pode falar em franco do Sarre no período de 1947 a 1959, pois o que circulava era o franco francês, com algumas peças metálicas diferenciadas. É mais ou menos o que ocorre com a coroa das Féroe, que tem cédulas diferenciadas, mas que é considerada coroa dinamarquesa para todos os efeitos; as moedas que circulam nas Féroe são as mesmas que circulam na Dinamarca.

Mario Vallucci

Ao contrário das nossas moedas, as peças de lira sempre traziam quem as gravou. Hoje trazemos um pequeno texto sobre Mario Vallucci, gravador do anverso e do reverso da famosa moeda de 200 liras, a Lavoro, cunhada em 1978 para dar fim à crise de falta de troco.

mario_27Valucci nasceu em Arpino, província de Frosinone [região do Lácio], em 1923.

Medalhista, gravador da Casa da Moeda, diplomado com bolsa de estudo na Escola da Arte da Medalha “Giuseppe Romagnoli”, em Roma. Participou de várias exposições nacionais e internacionais de medalhística.

Muitas obras suas estão expostas na Itália e no exterior em várias coleções artísticas.

Gravou muitas peças, entre as quais o reverso da moeda israelense de 1964.

Mario Vallucci assina também moedas da República Italiana, como a bela moeda de prata de 500 liras comemorando o centenário da morte de Giuseppe Garibaldi, de 1982.

Texto traduzido de Mebnet.

863_001

200 liras “Lavoro”, obra de Mario Vallucci

Os miniassegni

A numária italiana do pós-guerra teve poucas alterações. Tivemos uma primeira série, toda de alumínio (chamada de italma, italiano alluminio magnesio), entre 1946 e 1950, com quatro peças: 1 lira (reverso: um ramo de laranjeira frutificado; anverso: busto feminino ornado de espigas de trigo), 2 liras (reverso: espiga de trigo; anverso: homem arando campo), 5 liras (reverso: cacho de uvas; anverso: busto feminino com tocha na mão) e 10 liras (reverso: ramo de oliveira frutificado; anverso: pégaso).

Em 1951, por conta da inflação, o governo decidiu reduzir o tamanho das moedas de alumínio e introduzir mais dois valores em acmonital (acciaio monetario italiano, aço inox): 50 e 100 liras, que começaram a ser emitidas em 1954 e 1955, respectivamente. Em 1968, foi introduzida uma peça de 20 liras de bronze-alumínio; em 1977, emitiu-se uma peça de 200 liras, também de bronze-alumínio. A peça de 500 liras, a primeira moeda bimetálica moderna, foi posta em circulação em 1978.

A moeda de 1 lira trazia no anverso a balança, símbolo da justiça e, no reverso uma cornucópia; a de 2, uma abelha e um ramo de oliveira frutificado; a de 5, um leme e um golfinho; a de 10, um arado e duas espigas de trigo; a de 20, a representação feminina da República e um ramo de carvalho; a de 50, outra efígie da República e Vulcano trabalhando numa bigorna; a de 100, um retrato alegórico feminino (República?) e Minerva ao lado de uma oliveira; e a de 200, outra República e uma roda dentada.

Vamos parar nesta descrição nesse finzinho dos anos 1970. Sim, a numária italiana sofreu outras alterações, mas essas ficarão para outra postagem.

Na segunda metade dos anos 1970, a Itália sofreu com a falta de troco. Para resolver o problema, instituições bancárias emitiram os miniassegni (minicheques, no singular miniassegno), já que emissão de moeda é prerrogativa do Banco da Itália. Os primeiros apareceram em dezembro de 1975 e foram emitidos pelo Istituto Bancario San Paolo di Torino. Outras instituições fizeram emissões similares, e o número total de tipos emitidos chega a 835, uma verdadeira avalanche.

miniassegno1.jpeg

Miniassegno de 50 liras emitido em 1976 pelo Istituto Bancario San Paolo di Torino

Os miniassegni desapareceram no final de 1978, quando o Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato (IPZS, a casa da moeda italiana), conseguiu suprir a necessidade de troco, o que coincide também com o lançamento da moeda de 200 liras chamada Lavoro, obra do gravador Mario Vallucci. Os miniassegni lembram muito os Notgelder alemães, emitidos entre 1918 e começo dos anos 20, por conta da escassez de meio circulante na Alemanha pós-guerra.

863_001.jpg

Moeda de 200 liras. Provável filha da crise de troco

São comumente achados miniassegni nos valores de 50, 100, 150, 200, 250, 300 e 350 liras. Há vários catálogos de miniassegni, como o Bobba e o Crapanzano, e blogues dedicados à temática.

miniassegni-credito-italiano-150-lire-fronte.jpg

Miniassegno de 150 liras emitido em 1976 pelo Credito Italiano

544_001.jpg

Capa do Catálogo Bobba de miniassegni, edição de 1977

Numária japonesa contemporânea

As moedas atualmente circulantes no Japão merecem um cuidado especial, principalmente por usarem um sistema de datação próprio, como vamos observar neste artigo.

A peça de 1 iene foi introduzida em 1955 (Shōwa 30) e não sofreu alterações estéticas desde então. Tem 3,2 g de peso, 20 mm de diâmetro e é feita de alumínio. A data era vem em numerais chineses no reverso; bordo liso. No anverso, um galho com brotos, simbolizando o renascimento do Japão após a Segunda Guerra. Desde 2014, é produzida apenas para os sets anuais.

1JPY.JPG

Peça de 1 iene (fonte: diniznumismatica.blogspot.com)

A moeda de 5 ienes foi introduzida em 1949 (Shōwa  24, escrita antiga, kyūjitai) e 1959 (Showa 34, escrita moderna, shinjitai). É de latão (600-700 milésimos de Cu e 300-400 de Zn), com furo central, e tem 3,75 g de peso e 22 mm de diâmetro; bordo liso. A era é indicada em caracteres numéricos chineses no anverso. No reverso há, além do valor, uma planta de arroz curvada com folhas jovens, simbolizando o crescimento japonês no pós-guerra, e uma roda dentada ao redor do furo central, simbolizando a indústria japonesa. É a única peça da série em que o valor facial é indicado no sistema numérico chinês.

À dir. peça de 5 ienes em estilo de escrita kyūjitai; à esq., em shinjitai (fonte: Wikipédia)

A moeda de 10 ienes foi introduzida em 1951 (Shōwa 26). Tem 4,5 g de peso, 23,5 mm de diâmetro e é de bronze (950 Cu, 40-30 Zn e 10-20 Sn); bordo liso. A data também é indicada em caracteres tradicionais chineses no reverso. No reverso, o Salão da Fênix do Templo de Byōdō-in, em Uji, Prefeitura de Quioto, que é patrimônio nacional do país e foi construído no século XI.

10JPY.JPG

Peça de 10 ienes (fonte: currencies.wikia.com)

O desenho atual da peça de 50 ienes é de 1967 (Shōwa 42). É feita de cuproníquel (750 Cu, 250 Ni) e tem 4 g de peso e 21 mm, com furo central; bordo serrilhado. A era é indicada no reverso, em algarismos arábicos. No anverso, o furo é ladeado por dois conjuntos com crisântemos e folhas; o crisântemo é considerado insígnia imperial.

japan_50_yen_1996.jpg

Moeda de 50 ienes (fonte: coinquest.com)

A atual moeda de 100 ienes foi introduzida em 1967 (Shōwa 42). Também é de cuproníquel, com 4,8 g de peso e 22,5 g de peso; bordo serrilhado. No anverso, três flores de cerejeira. A era é indicada em algarismos arábicos.

0_61974_182b8da6_-3-L.jpg

Moeda de 100 ienes (fonte: tenshin.ru)

A moeda de 500 ienes foi posta em circulação em 1982 (Shōwa 57). Era originalmente de cuproníquel; desde 2000, é de alpaca (liga ternária: 720 Cu, 200 Zn e 80 Ni), com 7,2 g e 26,5 mm; bordo com inscrição: “NIPPON 500”. A era é indicada no reverso, em algarismos chineses. No anverso, flores e folhas de kiri (Paulownia tormentosa), considerado insígnia (mon) do governo japonês e do gabinete do primeiro-ministro (tokamon; go-shichi kiri). No reverso, como o valor e a data, folhas de bambu (abaixo e acima) e de ramos frutificados de tangerina (à esq. e à dir.), e não de cerejeira, como indica o Catálogo Krause (2014). A mudança de 2000 não se limitou à liga; a moeda teve o peso reduzido em 0,2 g e ganhou microimpressões nos zeros do 500, nas quais se lê a palavra “NIPPON” (Japão em japonês romanizado – rōmaji).

2511_c4

Moeda de 500 ienes (1982-1999)

500jpy

Moeda de 500 ienes (desde 2000)

Os japoneses datam suas moedas pelo período ou reino do monarca. As moedas contemporâneas japonesas foram todas introduzidas no período Showa, que vai até 1989 (Shōwa 64), quando morre o imperador Hirohito, em 7 de janeiro; 1989 também é o ano 1 do período atual, Heisei. Atualmente (2016), as moedas levam a era Heisei 28.

Para identificar a era, é preciso atenção aos caracteres que dão início à data.

昭和, Shōwa (1926-1989).

平成, Heisei (desde 1989).

Após esses dois caracteres, nas moedas de 1, 5, 10 e 500 ienes, vêm os números chineses:

一 1

二 2

三 3

四 4

五 5

六 6

七 7

八 8

九 9

十 10

百 100

De 10 a 19, usa-se 十 + unidade. Ex.: 十四 (14).

Para as dezenas, usa-se a unidade anteposta ao 十. Ex.: 四十 (40).

Para arrematar, a expressão encerra-se com o caractere 年 (ano, temporada).

Exemplo de data nas moedas: 昭和六十三年,

Sendo: 昭和 (Shōwa) 六十三 ([6 x 10] + 3 = 63) 年 (ano); ou seja, uma moeda que leva essa notação é da era Shōwa 63, ou 1988.

Ou: 平成二十八年, sendo: 平成 (Heisei) 二十八 ([2 x 10] + 8 = 28) 年 (ano); Heisei 28, 2016.

Nas moedas de 50 e 100 ienes, o ano vem em numerais arábicos. Exs.: 平成28年 (Heisei 28) e 昭和63年 (Showa 63).

A título de curiosidade, Showa quer dizer “paz iluminada” ou “harmonia”. Após sua morte, o imperador deixa de ser chamado pelo nome com que reinou e passa a ser nomeado pelo nome da era. Logo, o imperador Hirohito não é chamado de Hirohito atualmente, mas de imperador Shōwa. O nome da era atual, Heisei, é expressão tirada da tradição chinesa, quer dizer aproximadamente “paz em toda parte”.