Considerações estéticas acerca da segunda série de moedas do real

A segunda série de moedas do real é excessivamente poluída: muita informação em um espaço pequeno. Aparentemente, sua concepção geral foi recuperada da série de tipos regionais (1989-92), principalmente o reverso.

É curioso, pois, em nossa opinião, a série de tipos regionais é simplesmente a mais interessante feita pela Casa da Moeda até hoje; mesmo depois de quase 30 anos de seu lançamento, ela parece atual. Na verdade, é um desenho retilíneo que conseguiu fazer-se atemporal.

Por outro lado, o reverso das nossas atuais moedas, embora baseado na família citada, peca por dois motivos: os algarismos serifados inclinados e as barras inclinadas que lhes fazem fundo. Um exame visual mostra sobre o que estamos aqui tratando.

À esq., a peça de 10 cruzeiros da série de tipos regionais (1989-92); à direita, a atual moeda de 10 centavos antes da ligeira remodelação do reverso feita em 2004

Nos anversos, a poluição é extrema. Enquanto que na série de tipos regionais havia uma figura humana pequena cercada de objetos estilizados do cotidiano do tipo simbolizado, a atual série tem uma figura histórica mais uma alegoria representando sua contribuição para a sociedade brasileira. Uma ideia ótima. Para cédulas, onde o espaço é bem maior.

A confusão nos anversos faz com que as imagens passem despercebidas pelos usuários do meio circulante. Basta perguntar às pessoas: elas sabem o que há nas cédulas, qual animal há em cada verso, mas dificilmente se atentam ao que está presente na “coroa” das moedas.

Uma terceira série de moedas do real, inevitável dentro dos próximos cinco ou dez anos, precisa trazer mensagens mais claras, o que importa em um design mais “limpo”, menos poluído. Que o reverso das peças da série de tipos regionais esteja ainda presente na memória dos projetistas da Casa da Moeda, mas sem tanto barroquismo.

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4 comentários em “Considerações estéticas acerca da segunda série de moedas do real

  1. Cheguei a enviar um e-mail para o banco central perguntando sobre possíveis mudanças nas moedas, ainda que fosse apenas no layout. A resposta demorou um pouco a chegar mas nela é informado de que. Si há nenhum plano para alterações das mesmas, seja dos módulos, seja da temática, seja do lançamento de novas moedas. Infelizmente.

    1. Sim, acho que, pelo menos para este fim de governo, não teremos novidades. Mexer no meio circulante é algo que influi no psicológico da população, mas é algo que terá de ser feito para os próximos anos.

  2. As moedas mexicanas e peruanas dão um banho nas brasileiras. Além de lindas ainda utilizam metais da melhor qualidade. E são países mais “pobres” financeiramente em relação ao Brasil. Não fica claro o motivo de não utilizarmos metais melhores ou peças mais bem acabadas. Acho que é um pouco de falta de cultura numismática mesmo por parte de quem projeta e toma as decisões.

  3. Creio que o ideal seria, além de mudança no desenho, a volta ao padrão exclusivamente em aço. A qualidade das moedas cunhadas em 1994, que ainda circulam bastante, em comparação com as de 5 a 25 centavos da segunda família é superior.

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