Clipping: ‘Pela primeira vez, haverá uma Liberdade negra em uma moeda’

Por A. J. Willingham, CNN. Texto original.

13 de janeiro de 2017

Uma nova moeda comemorativa emitida pela Casa da Moeda dos EUA mostra um novo retrato da Liberdade. Com uma coroa de estrela nos cabelos e com um vestido tipo toga, ela continua patriótica como sempre. Ela é também, pela primeira vez em uma moeda oficial, representada como uma mulher negra.

A Casa da Moeda dos EUA apresentou a moeda de 24 quilates em comemoração de seus 225 anos. Contemplemos sua beleza.

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Nos próximos anos, a Casa da Moeda planeja dar a essa versão da Liberdade alguns outros amigos.

“A moeda de ouro dos 225 anos da Casa da Moeda é a primeira dentro de uma série de moedas de ouro 24 quilates que mostrará desenhos que representam alegoricamente a Liberdade em formas contemporâneas, incluindo representações asiático-americanas, hispano-americanas e indígenas, entre outras, para refletir a diversidade étnica e cultural dos EUA (leia aqui o release da Casa da Moeda, em inglês).

As moedas têm valor de face de 100 USD e esta dinâmica, mas algo já previsível, águia-careca.

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Atualização de 1º/2/2017, extraída do Coin News: o retrato da Liberdade foi criado por Justin Kunz e gravado por Phebe Hemphill.

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A subsérie Lei nº 140 (1947/8-1956)

Os centavos da primeira série do cruzeiro (1942-1956) sofreram alterações em seus anversos entre 1947 e 1948. Ostentavam inicialmente o perfil do ditador Getúlio Vargas, obra de Orlando Maia, mas, por conta da redemocratização do país a partir de 1946 e da necessidade de moeda divisionária, a junção das duas necessidades acarretaram nas mudanças estéticas das peças.

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Anverso comum das três peças divisionárias entre 1942-1947/8. Fonte: Moedas do Brasil.

Tais condições resultaram na Lei nº 140, de 18 de novembro de 1947.

A moeda de 10 centavos da era 1947 passa a retratar José Bonifácio, Patriarca da Independência; embora haja peças da mesma data com a efígie de Vargas.

A moeda de 20 centavos da era 1948 retrata Rui Barbosa, famoso jurista de nossa história; embora haja também peças da mesma era com a efígie de Vargas.

A moeda de 50 centavos da era 1948 retrata o então presidente, o general Eurico Gaspar Dutra. O último ano com a efígie de Vargas é 1947.

Anversos da subsérie Lei nº 140. Da esq. à dir.: 10 centavos (José Bonifácio), 20 centavos (Rui Barbosa) e 50 centavos (presidente Dutra). Fonte: Moedas do Brasil.

A única peça nova com data de 1947 é a de 10 centavos. Esse fato é facilmente verificável com uma olhada nos tantos catálogos disponíveis; as peças estão aí, nas nossas coleções, mas foram apresentadas outras possibilidades que, se aprovadas, teriam deixado a numária do período bem diferente. Para destrinchar esse período turbulento da política e da numária brasileiras, vamos nos dedicar a escarafunchar a documentação que deu origem à Lei nº 140; o Projeto de Lei nº 677, divido em 677A e 677B.

O pontapé é o ofício nº 794, de 11/7/1947, enviado pelo diretor da Casa da Moeda, Felinto Epitácio Maia, ao ministro da Fazenda, Pedro Luís Correia e Castro (1881-1953).

Exmo. Sr. Ministro

Pelo Decreto-Lei nº 7.671, de 25 de junho de 1945, V. Exa. ficou autorizado a mandar cunhar nesta Repartição a importância de trezentos milhões de cruzeiros (Cr$ 300.000.000,00) em moedas auxiliares e divisionárias.

  1. A autorização de cunhagem foi determinada nas seguintes bases:

                                                          Quantidade          Importância

Dez centavos (Cr$ 0,10)                               40.000.000           Cr$ 4.000.000,00

Vinte centavos (Cr$ 0,20)             80.000.000           Cr$ 16.000.000,00

Cinquenta centavos (Cr$ 0,50)    40.000.000           Cr$ 20.000.000,00

Um cruzeiro (Cr$ 1,00)                  100.000.000        Cr$ 100.000.000,00

Dois cruzeiros (Cr$ 2,00)               80.000.000           Cr$ 160.000.000,00

                                                           340.000.000        Cr$ 300.000.000,00

  1. No presente momento com a produção atingida por esta Casa e a remessa constante que vem sendo feita, não estando ainda resolvida a situação de falta de moeda no interior do país, e já se encontrando os saldos a cunhar praticamente esgotados, torna-se necessário a expedição de li que autorize V. Exa. a mandar cunhar novas quantidades de moedas divisionárias.
  1. O saldo a cunhar na data de hoje é o seguinte:

                                                           Quantidade          Importância

Dez centavos (Cr$ 0,10)                               4.476.000             Cr$ 447.600,00

Vinte centavos (Cr$ 0,20)             37.670.000           Cr$ 7.534.000,00

Cinquenta centavos (Cr$ 0,50)    20.081.000           Cr$ 10.040.500,00

Um cruzeiro (Cr$ 1,00)                  20.750.000           Cr$ 20.750.000,00

Dois cruzeiros (Cr$ 2,00)               28.706.000           Cr$ 57.412.000,00

                                                           111.683.000        Cr$ 96.184.100,00

  1. Como se pode verificar o saldo a cunhar moedas de dez centavos é insignificante, o que permite considerar como praticamente terminada a autorização para cunhar moedas dessa taxa.
  1. Por outro lado as Delegacias Fiscais vêm cancelando seus pedidos as taxas de um e dois cruzeiros por terem em “stock” grande quantidades dessas moedas e limitando os mesmos pedidos, exclusivamente, às de Cr$ 0,10, Cr$ 0,20 e Cr$ 0,50.
  1. Nessas condições tenho a honra de submeter a V. Exa. o anexo projeto de lei, encarecendo para o mesmo a máxima urgência, pois esta Casa, na taca de Cr$ 0,10, cunhando diariamente todas as outras, terá produção somente para 40 dias.

Sem outro motivo, aproveito o ensejo para renovar a V. Exa. os protestos de minha elevada estima e mais distinta consideração.

FELINTO EPITÁCIO MAIA

Diretor

Em seu ofício, Maia relata o término iminente da quantidade de moedas autorizadas pelo último dispositivo legal, ainda sob Getúlio Vargas, e a necessidade premente de novo texto que permita sanar as situações de escassez do meio circulante metálico.

Na exposição nº 1.097, de 24/7/1947, o ministro Correia e Castro leva os motivos ao presidente Dutra.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República

  1. Em ofício anexo, a Casa da Moeda encarece a necessidade de providências no sentido de habilitá-la a prosseguir sem interrupção no serviço de cunhagem de moedas divisionárias cuja falta é ainda notada nos diversos pontos do interior do país.
  1. Conforme esclarece aquele estabelecimento, a última autorização, concedida pelo Decreto-Lei nº 9,671, de 25 de junho de 1945, no montante de Cr$ 300.000.000,00, compreendendo moedas auxiliares (de Cr$ 1,00 e Cr$ 2,00) e divisionárias (de Cr$ 0,10, Cr$ 0,20 e Cr$ 0,50), encontra-se, quanto a estas últimas, praticamente esgotada, restando um saldo que representa poucos dias, apenas, de trabalho e está bem longe de satisfazer às necessidades do comércio e do público nos diferentes pontos do território nacional onde a escassez de troco vem dando motivo a constantes e justas reclamações.
  1. Assim, e concordando plenamente com as razões expendidas pela Casa da Moeda quanto à conveniência da cunhagem de mais Cr$ 64.000.000,00 em moedas divisionárias, tenho a honra de pedir a Vossa Excelência se digne de autorizar o encaminhamento do Poder Legislativo do incluso projeto de lei que consubstancia a medida em apreço e ao qual estão reunidas cópias da legislação a que nele se faz referência.

Aproveito a oportunidade para renovar a Vossa Excelência os protestos do meu mais profundo respeito.

Correia e Castro

Com a Mensagem nº 349, de 27/7/1947, o presidente Dutra dirige-se à Câmara dos Deputados.

Senhores Membros da Câmara dos Deputados

  1. Propõe o Sr. Ministro da Fazenda, na Exposição anexa, a expedição de uma lei autorizando o prosseguimento do serviço de cunhagem de moedas divisionárias, cuja escassez é ainda muito acentuada em diferentes pontos do interior do país.
  1. A necessidade do ato legislativo decorre da circunstância de achar-se praticamente esgotada a autorização concedida pelo Decreto-Lei nº 7.671, de 25 de junho de 1945, da qual, em relação às moedas de Cr$ 0,10, Cr$ 0,20 e Cr$ 0,50, resta apenas um pequeno saldo que se extinguirá com o trabalho de alguns dias e é insuficiente para suprir os Estado onde ainda se faz sentir a falta dessas moedas.
  1. Assim, tenho a honra de submeter à consideração do Poder Legislativo o anexo anteprojeto de lei, que consubstancia a providência mencionada.

Rio de Janeiro, 27 de julho de 1947.

Eurico G. Dutra

O texto do anteprojeto apresentado pela Casa da Moeda, e que está no dossiê, não faz referências a mudanças estéticas nas moedas. Ao contrário, indica que devem seguir as características dispostas nos Decretos-Leis nº 4.791, de 5 de outubro de 1942, e nº 5.375, de 5 de abril de 1943.

Em 6/8/1947, o anteprojeto foi encaminhado à Comissão de Finanças da Câmara e dali saiu com a alteração no anverso das peças, que, inicialmente, teriam uma figura feminina representando a República, em alteração proposta pelo primeiro relator, o deputado Fernando Nóbrega (UDN-PB), em seu relatório de 25/8/1947. O segundo relator, deputado Aloísio de Castro (PSD-BA), na primeira versão do anteprojeto, de 8/9/1947, fez a emenda para que fosse retratado o presidente Dutra, em 8/9/1947.

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Mascarenhas de Moraes. Fonte: pt.wiki.

Em 15/9, o deputado Edmundo Barreto Pinto (PTB-RJ) apresenta um substitutivo. Para ele, além de Dutra, deveria estar na moeda de 10 centavos o marechal Mascarenhas de Moraes (ainda vivo, um dos comandantes da FEB), Rui Barbosa na de 20, Dutra na de 50, além da criação de outros dois valores: de 30 centavos, com Carlos Gomes, e 40 centavos, com Osvaldo Cruz, como as velhas moedas de $300 e $400 de 1936, indicando ainda quantidade a serem cunhadas para esses dois novos valores: 20 milhões e 30 milhões respectivamente.

Das sugestões de Barreto Pinto, foi acatada a efígie de Rui Barbosa para a moeda de 20 centavos. Pelo que se lê na documentação, a substituição de Mascarenhas de Moraes por José Bonifácio foi obra de uma revisão da Comissão de Finanças sobre as emendas de Barreto Pinto.

281-edmundobarretopintoO mais curioso é que Barreto Pinto, figura excêntrica eleito para a Constituinte com apenas 200 votos, seria cassado em 1949 por ter posado para fotos de fraque e samba-canção ainda em 1946; as fotos foram publicadas por O Cruzeiro. Foi a primeira cassação por falta de decoro (fonte O Globo).

Após debates e vaivens do projeto entre o plenário da Câmara e a Comissão de Finanças, a redação final, ou seja, o PL nº 677B/1947, terminou por ser aprovada e tornou-se a Lei nº 140/1947.

Moedas auxiliares e divisionárias

Existe uma grande confusão entre esses dois termos. Habitualmente fala-se em “moedas divisionárias” do real, mas nem todas elas o são.

Divisionária é a moeda que é fração da unidade principal. O caso brasileiro, o real é a unidade principal, e seu submúltiplo é o centavo. As moedas divisionárias do real são 1, 5, 10, 25 e 50 centavos.

Auxiliares são as moedas que representam a unidade ou seus múltiplos. Atualmente, o Brasil tem apenas uma moeda auxiliar, a de 1 real.

A série do cruzado (1986-8), p. ex., teve cinco moedas divisionárias (1, 5, 10, 20 e 50 centavos) e três auxiliares (1, 5 e 10 cruzados).

Houve alguns períodos em que a numária brasileira não teve moedas divisionárias, mas apenas auxiliares, como entre 1962 e 1966, entre 1980 e 1985 e entre 1991 e 1993.

As ciências auxiliares da numismática

A numismática é a ciência que se dedica ao estudo de moedas e medalhas, segundo o Dicionário Houaiss, ou “a ciência que tem por objeto o estudo morfológico e imperativo das moedas”, segundo Leite de Vasconcellos (1), mas ela é uma ciência que depende muito de outras, justamente pela natureza de seu objeto de estudo.

A moeda, originalmente, não era um objeto em si, ou seja, de ser apenas por ser, mas tem uma função muito específica: a de ser meio de troca neutro, sem necessidade de troca direta de mercadorias; ou seja, a moeda representa um veículo de valor; tal relação acabou, com o tempo, sendo atribuição do poder estatal.

E os Estados mudam no decorrer do tempo; consequentemente somem e aparecem instituições emissoras. Aí entra a primeira e quiçá mais importante ciência auxiliar da numismática: a história. É preciso entender o que foi, por exemplo, o Império Austro-Húngaro e a sua monarquia dual para a classificação das moedas emitidas pelo Império da Áustria e pelo Reino da Hungria, embora fossem do mesmo padrão monetário (a coroa austro-húngara). Ou como classificar as moedas de libra pré-decimais, sabendo-se, que antes do sistema decimal, a libra usava um sistema franco ou carolíngio.

Como os Estados geralmente têm uma circunscrição territorial sobre a qual exercem seu poder, a geografia. Podemos saber, pela data, em que territórios determinada peça circulava. Voltemos ao Império Austro-Húngaro. A monarquia dual, composta por Império da Áustria e Reino da Hungria, extrapolava o que hoje são os territórios da Áustria e da Hungria. A Áustria, dentro do Império Austro-Húngaro, incluía os territórios atuais de Áustria, República Tcheca e partes da Itália, da Eslovênia, da Croácia, da Ucrânia e da Romênia; o Reino da Hungria incluía a atual Hungria, Eslováquia, partes de Eslovênia, Croácia, Ucrânia, Romênia, Sérvia e Polônia; havia ainda a Bósnia, que era condomínio austro-húngaro. Logo, as moedas emitidas por Viena e Budapeste circulavam nesse vasto território.

As moedas são geralmente feitas de metal, principalmente no mundo ocidental. Desde há muito, usam-se discos de metal puro ou muito puro, como cobre, prata, ouro e alumínio, ou de ligas, como cuproníquel, aço inox, bronze, bronze-alumínio. A ciência que trata dos metais, suas propriedades e suas ligas é a metalurgia, relativamente esquecida entre os colecionadores. Também a fabricação de moedas é campo da metalurgia.

Não podemos nos esquecer de outra ciência muito importante. As moedas, como símbolo de um valor, tinham poder de compra; a relação da moeda com o poder de compra é estudada pela economia. O que determinada moeda comprava em tal época é uma questão que pode ser respondida por meio de conhecimentos econômicos. Também se pode explicar por meio da economia a mudança dos metais das moedas, geralmente atribuída à inflação e ao aumento do valor do metal com relação ao valor extrínseco das peças. Nessa toada explica-se o sumiço da prata da cunhagem regular brasileira a partir de 1939.

A heráldica é uma ciência importante. É com ela que analisamos os brasões eventualmente presentes nas moedas.

A iconografia é importante para identificação de elementos estéticos e representativos não heráldicos.

A linguística também é importante. É com conhecimentos linguísticos que lemos ou deciframos as inscrições nas moedas.

Conhecimentos sobre sistemas de numeração são bem-vindos. Além do sistema indo-arábico usado nas moedas hoje em dia, podemos nos deparar com os sistemas árabe-oriental, japonês, romano, hebraico.

A lista pode ser ainda maior. Dependerá de quais conhecimentos precisaremos mobilizar para responder as questões que nos pomos.


(1) VASCONCELLOS, J. L. de. apud FRÈRE, H. Numismática – uma introdução aos métodos e à classificação. São Paulo: Sociedade Numismática Brasileira, 1984.

Novo espectro monetário na Venezuela

Por conta da inflação rampante, a Venezuela finalmente admitiu a necessidade de reformular seu espectro monetário. Em 2008, o velho bolívar, unidade monetária desde 1879, teve três zeros cortados. Mil bolívares (VEB) passaram a ser 1 bolívar forte (VEF).

O espectro inicial era:

Moedas: 0,01 e 0,05 VEF (cobre); 0,10, 0,125, 0,25 e 0,50 VEF (níquel); e 1 VEF (bimetálica; anel de latão e núcleo de níquel). Chama a atenção a presença da moeda de 12 ½ cêntimos, chamada popularmente de locha, equivalente a um oitavo de bolívar. Trata-se de recriação romântica de moeda que circulou entre 1896 a 1969.

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Moeda de 12 1/2 cêntimos emitida em 2008.

Cédulas: 1, 2, 5, 10, 20 e 100 VEF.

O espectro inicial fez sentido, mas com a inflação, em 2016 a taxa de câmbio ultrapassou ou 5.000 VEF por USD, ou seja, a maior cédula em circulação, 100 VEF, valia aproximadamente 0,02 USD, o que causa atualmente uma verdadeira catástrofe na vida do cidadão.

Para dezembro de 2016, está prevista a introdução de novas moedas de 10, 50 e 100 VEF (níquel) e cédulas de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 bolívares. As cédulas são graficamente reaproveitamento das cédulas que ora nada valem.

Lado a lado: a nova cédulas de 5.000 VEF e a de 20 VEF introduzida em 2008.

Clipping: ‘Novas moedas de 5 e 10 pesos a partir de 2017’

Por Minuto Uno, 9/11/2016.

Em janeiro, o Banco Central {da República Argentina] começará a distribuir moedas de maior valor e remodelará as de 1 e 2 ARS. As novas peças de 5 e 10 ARS manterão os bustos de San Martín e Belgrano.

A partir do ano que vem, as novas moedas juntam-se à nova família de cédulas que foi lançada em 2016 pelo governo de Mauricio Macri.

Assim, entrarão em circulação os novos desenhos das cédulas de 20, 50 e 100 ARS e a nova cédula de 1.000 ARS. A nota de 500 ARS já está em circulação desde junho e há algumas semanas foi lançada a de 200.

O próximo lançamento será a cédula de 1.000 ARS, que terá um joão-de-barro como motivo principal.

Com as novas moedas, começam a sair de circulação as cédulas de 2, 5 e 10 ARS, mas as novas moedas manterão os bustos de San Martín e Belgrano.

Franco do Sarre

A região do Sarre, hoje Land da Alemanha, já esteve em situações bem diferentes. Com a derrota alemã na Primeira Guerra, a Liga das Nações, “mãe” da ONU, estabeleceu um protetorado sobre a área, o Território da Bacia do Sarre, que existiu entre 1920 e 1935, quando ocorreu o plebiscito que devolveu a área à Alemanha.

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O Sarre (em vermelho) na Alemanha atual (em bege). Fonte: Wikipédia

Com a Segunda Guerra e nova derrota alemã, o Sarre voltou a ficar separado da Alemanha e, entre 1947 e 1957, constituiu o Protetorado do Sarre, sob tutela francesa. O porquê de tanta preocupação com um território tão pequeno (2.570 km²; para se ter uma ideia, a Região Metropolitana de São Paulo tem 7.946 km²)

A intenção francesa inicial era incorporar o Sarre, mas como a população local é predominantemente alemã, a França reavaliou suas pretensões e decidiu por um projeto de domínio econômico sobre um Sarre independente, o que foi frustrado em 1956, quando um referendo sobre o tema foi levado a cabo e a população decidiu pela reincorporação à Alemanha, não obstante a campanha do então chanceler alemão, Konrad Adenauer, para que o Sarre se tornasse independente.

Inicialmente, o governo francês introduziu novas cédulas de marco em paridade com o Reichsmark, em seis denominações: 1, 2, 5, 10, 50 e 100. As cédulas começaram a circular em 16 de julho de 1947, mas em novembro do mesmo ano, começaram a ser substituídas pelo franco francês, na taxa de 20 marcos para 1 franco.

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Um marco do Sarre, já sob protetorado francês (fonte: Wikipédia)

Em tese, a moeda que circulou no Sarre até 1959, quando foi totalmente substituída pelo marco da Alemanha Ocidental, mas em conjunto com as moedas e cédulas francesas, foram emitidas em 1954 e 1955 quatro peças especiais para o Sarre: 10, 20 e 50 francos de bronze-alumínio, com o mesmo tamanho e peso das moedas francesas então circulantes, e 100 francos de cuproníquel. Não foram batidas as moedas de 1 e 5 francos, que deveriam ser de alumínio; logo, presume-se que circulavam as peças francesas.

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As quatro moedas do “franco do Sarre” (fonte: hamsterkiste.de)

Em tese, não se pode falar em franco do Sarre no período de 1947 a 1959, pois o que circulava era o franco francês, com algumas peças metálicas diferenciadas. É mais ou menos o que ocorre com a coroa das Féroe, que tem cédulas diferenciadas, mas que é considerada coroa dinamarquesa para todos os efeitos; as moedas que circulam nas Féroe são as mesmas que circulam na Dinamarca.

Mario Vallucci

Ao contrário das nossas moedas, as peças de lira sempre traziam quem as gravou. Hoje trazemos um pequeno texto sobre Mario Vallucci, gravador do anverso e do reverso da famosa moeda de 200 liras, a Lavoro, cunhada em 1978 para dar fim à crise de falta de troco.

mario_27Valucci nasceu em Arpino, província de Frosinone [região do Lácio], em 1923.

Medalhista, gravador da Casa da Moeda, diplomado com bolsa de estudo na Escola da Arte da Medalha “Giuseppe Romagnoli”, em Roma. Participou de várias exposições nacionais e internacionais de medalhística.

Muitas obras suas estão expostas na Itália e no exterior em várias coleções artísticas.

Gravou muitas peças, entre as quais o reverso da moeda israelense de 1964.

Mario Vallucci assina também moedas da República Italiana, como a bela moeda de prata de 500 liras comemorando o centenário da morte de Giuseppe Garibaldi, de 1982.

Texto traduzido de Mebnet.

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200 liras “Lavoro”, obra de Mario Vallucci

Os miniassegni

A numária italiana do pós-guerra teve poucas alterações. Tivemos uma primeira série, toda de alumínio (chamada de italma, italiano alluminio magnesio), entre 1946 e 1950, com quatro peças: 1 lira (reverso: um ramo de laranjeira frutificado; anverso: busto feminino ornado de espigas de trigo), 2 liras (reverso: espiga de trigo; anverso: homem arando campo), 5 liras (reverso: cacho de uvas; anverso: busto feminino com tocha na mão) e 10 liras (reverso: ramo de oliveira frutificado; anverso: pégaso).

Em 1951, por conta da inflação, o governo decidiu reduzir o tamanho das moedas de alumínio e introduzir mais dois valores em acmonital (acciaio monetario italiano, aço inox): 50 e 100 liras, que começaram a ser emitidas em 1954 e 1955, respectivamente. Em 1968, foi introduzida uma peça de 20 liras de bronze-alumínio; em 1977, emitiu-se uma peça de 200 liras, também de bronze-alumínio. A peça de 500 liras, a primeira moeda bimetálica moderna, foi posta em circulação em 1978.

A moeda de 1 lira trazia no anverso a balança, símbolo da justiça e, no reverso uma cornucópia; a de 2, uma abelha e um ramo de oliveira frutificado; a de 5, um leme e um golfinho; a de 10, um arado e duas espigas de trigo; a de 20, a representação feminina da República e um ramo de carvalho; a de 50, outra efígie da República e Vulcano trabalhando numa bigorna; a de 100, um retrato alegórico feminino (República?) e Minerva ao lado de uma oliveira; e a de 200, outra República e uma roda dentada.

Vamos parar nesta descrição nesse finzinho dos anos 1970. Sim, a numária italiana sofreu outras alterações, mas essas ficarão para outra postagem.

Na segunda metade dos anos 1970, a Itália sofreu com a falta de troco. Para resolver o problema, instituições bancárias emitiram os miniassegni (minicheques, no singular miniassegno), já que emissão de moeda é prerrogativa do Banco da Itália. Os primeiros apareceram em dezembro de 1975 e foram emitidos pelo Istituto Bancario San Paolo di Torino. Outras instituições fizeram emissões similares, e o número total de tipos emitidos chega a 835, uma verdadeira avalanche.

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Miniassegno de 50 liras emitido em 1976 pelo Istituto Bancario San Paolo di Torino

Os miniassegni desapareceram no final de 1978, quando o Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato (IPZS, a casa da moeda italiana), conseguiu suprir a necessidade de troco, o que coincide também com o lançamento da moeda de 200 liras chamada Lavoro, obra do gravador Mario Vallucci. Os miniassegni lembram muito os Notgelder alemães, emitidos entre 1918 e começo dos anos 20, por conta da escassez de meio circulante na Alemanha pós-guerra.

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Moeda de 200 liras. Provável filha da crise de troco

São comumente achados miniassegni nos valores de 50, 100, 150, 200, 250, 300 e 350 liras. Há vários catálogos de miniassegni, como o Bobba e o Crapanzano, e blogues dedicados à temática.

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Miniassegno de 150 liras emitido em 1976 pelo Credito Italiano

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Capa do Catálogo Bobba de miniassegni, edição de 1977