Clipping: ‘Novas moedas de 5 e 10 pesos a partir de 2017’

Por Minuto Uno, 9/11/2016.

Em janeiro, o Banco Central {da República Argentina] começará a distribuir moedas de maior valor e remodelará as de 1 e 2 ARS. As novas peças de 5 e 10 ARS manterão os bustos de San Martín e Belgrano.

A partir do ano que vem, as novas moedas juntam-se à nova família de cédulas que foi lançada em 2016 pelo governo de Mauricio Macri.

Assim, entrarão em circulação os novos desenhos das cédulas de 20, 50 e 100 ARS e a nova cédula de 1.000 ARS. A nota de 500 ARS já está em circulação desde junho e há algumas semanas foi lançada a de 200.

O próximo lançamento será a cédula de 1.000 ARS, que terá um joão-de-barro como motivo principal.

Com as novas moedas, começam a sair de circulação as cédulas de 2, 5 e 10 ARS, mas as novas moedas manterão os bustos de San Martín e Belgrano.

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Clipping: ‘Nova cédula de 200 pesos do Bicentenário da Independência da Argentina’

Do Diario La Provincia, 26 de abril de 2016.

A estátua da Liberdade – da artista tucumana Lola Mora – com uma bandeira argentina presa à falda do vestido é a imagem vencedora do concurso lançado pelo Legislativo da Província de Tucumã para ilustrar a futura cédula de 200 ARS, proposta que faz parte das atividades oficiais organizadas por motivo do Bicentenário da Independência.

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Protótipo da cédula de 200 ARS

A imagem principal mostra a revoada de pombos brancos e, ao fundo, a Casa Histórica com parte da ata da Declaração da Independência, de 1816. No anverso, dois símbolos tucumanos: um menir – ícone da cultura tafi – e uma árvore de queñua [Polylepis rugulosa], espécie característica da serraria local.

O trabalho escolhido pelo júri foi feito pelos irmãos Luis Acardi Lobo – um advogado de 34 anos – e María Susa Acardi Lobo – estudante do último ano de Desenho Gráfico da UNSTA [Universidade do Norte Santo Tomás de Aquino], de 27 anos –, que receberam um prêmio de 50 mil ARS em dinheiro.

Agora, o modelo da cédula será enviado, por meio de um projeto de resolução, ao Congresso da Nação para que os representantes tucumanos promovam a aprovação e a impressão pelo Banco Central.

“O concurso superou nossas expectativas, já que recebemos 134 propostas que se destacaram pela criatividade e originalidade”, afirmou o legislador Marcelo Ditinis, um dos promotores do projeto, com o radical Ariel García.

N. do T.: parece que a cédula de 200 ARS mostrando a baleia-franca-austral vai ficar de lado.

Flotilha numismática

Hoje escolhemos algumas moedas que trazem embarcações. Há gente que coleciona moedas por temas, e o tema pode ser-lhe interessante.

Em primeiro lugar, o meio penny pré-decimal britânico, que circulou no Reino Unido até 1968. O reverso traz o galeão “Golden Hind”, que foi comandado pelo capitão sir Francis Drake e ficou conhecido pela viagem de circum-navegação do globo, entre 1577 e 1580. Chamava-se originalmente “Pelican”, mas seu capitão mudou seu nome no meio da célebre viagem. A gravação é obra de Thomas Paget, em 1937. Aparentemente drapejam no galeão uma bandeira escocesa (à esq.) e uma irlandesa enquanto nação constituinte do Reino Unido (à dir.); ao centro, a flâmula naval inglesa.

g2066fO anverso da moeda de 5 pesos (1961-8) traz a fragata ARA Presidente Sarmiento. O famoso navio de fabricação britânica serviu à Armada Argentina de 1898 até 1961. Desde 1964 é um navio-museu e está ancorado em Puerto Madero, Buenos Aires. É habitualmente confundido com outro navio-escola argentino, o ARA Libertad, que está na marinha desde 1963.

argentina-5-pesos-1961

A nossa moedinha de 1 centavo (1998-2004) traz no anverso, além da efígie do navegador português Pedro Álvares Cabral, uma nau, de velas quadradas, costumeiramente confundida com uma caravela, que tem velas triangulares.

1 centavo

As moedas portuguesas de 2$50 (1963-85), 5 (1963-86) e 10 escudos (1971-4) mostram no anverso uma caravela. A moeda de 50 escudos (1986-2000) traz no anverso uma nau estilizada.

À esq., anverso comum das moedas de 2$50, 5 e 10 escudos; à esq., o anverso da peça de 50 escudos

A moeda de 5 patacas, de Macau, traz, no reverso, diante das chamadas ruínas de São Paulo, um tradicional junco chinês.

5 patacas

Reverso da moeda de 5 patacas

As moedas cipriotas são pródigas em embarcações. Associando sua tradição grega e o fato de ser uma ilha, Chipre cunhou trirremes em várias peças.

No alto, à esquerda, o anverso comum das peças cipriotas de 10, 20 e 50 cêntimos de euro; à direita, no alto, 5 mils de alumínio (1982); abaixo, 5 mils de bronze (1963-80); em baixo, 100 mils (1955 e 1957)

Clipping/Argentina: ‘Custo de fabricação da moeda de 5 centavos é o dobro do valor nominal’

Por Cecilia Boufflet (Blog Vil Metal, Infobae) – 22/9/2013

Ainda que o INDEC [Instituto Nacional de Estatísticas e Censo, da Argentina] tente ocultar, a inflação é percebida em tantas situações do dia a dia. No supermercado, as notas se vão mais rapidamente cada mês que passa e as moedas tornaram-se inúteis, por exemplo. Essa perda de valor das moedas é tão forte que fabricar as menores pode custar até 134% mais do que elas valem no mercado.

É o caso da moeda de 5 centavos prateada, feita com liga de cobre em níquel e com peso de 2,25 gramas cada uma. Com base nos valores desses metais em 19 de setembro [de 2013], produzir uma moeda de 5 centavos custava 11,7 centavos. E ainda é preciso somar o custo de cunhá-la na polêmica Casa da Moeda.

A moeda de 5 centavos dourada é de cobre e alumínio e, por seu peso, custa 8,2 centavos um disco — assim se chamam as moedas antes de serem cunhadas. Ou seja, 64% mais do que vale quando começa a circular. Outro caso é o da moeda de 25 centavos prateada, que por ter 25% de níquel, metal que custa 14.140 USD/tonelada, em sua liga, tem custo de produção de 31,6 centavos. Fabricar uma moeda prateada de 25 centavos prateada exige que o Banco Central invista 26,4% sobre o valor que será posto em circulação.

Ainda que o Governo não tenha tirado nenhuma dessas moedas de circulação — seria reconhecer a inflação —, o Banco Central fez as últimas edições em aço eletrorrevestido de latão, para que sejam mais baratas, mas também porque o sistema de eletrorrevestimento é o que permite às máquinas de venda as reconheça.

No limite

As moedas de 10 e as de 25 centavos em sua versão dourada estão no limite, mas seu custo de produção ainda é menor que o valor fácil. A de 10 centavos, fabricada com uma liga de cobre e alumínio e com peso de 2,25 gramas, requer metal que custa 9,2 centavos. Apenas [0,8 centavo] menos que o valor facial; espera-se, porém, que os custos de fabricação da moeda sejam maiores que seu valor de face. Na mesma situação, o metal da moeda de 25 centavos dourada custa 21,4 centavos, ao que se deve somar o custo de cunhá-la.

As que têm maior margem são as de maior valor facial. Os metais da moeda de 50 centavos custam 22,9 centavos, enquanto que a de 1 ARS tem 27,8 centavos em metal.

Outro reflexo da inflação é a participação cada vez maior das moedas de maior valor e a diminuição do uso das de menor denominação. Em setembro de 2008, havia um total de 4,96 bilhões de moedas em circulação, das quais 11,4% eram de 1 ARS e 17%, de 5 centavos.

Em cinco anos, a quantidade de moedas aumentou 55,7%, até chegar aos 7,723 bilhões de unidades atualmente. Mas a participação das moedas de 5 centavos caiu a 16,4% do total, enquanto que a das de 1 ARS cresceu e representa 16,5% do total.

A diferença mais notável é com as moedas de 2 ARS, que, em 2008, eram avis rara e representavam apenas 0,14% do total. Enquanto que, hoje em dia, as moedas de maior valor são 4% do total.

O mesmo acontece quando as comparamos às cédulas. Em 2008, a quantidade de moedas emitida era 245% mais que a de cédulas, agora, porém, as moedas superam as cédulas apenas em 105%.

Está pensando em juntar moedas de 5 centavos e vendê-las como metal? Parece que não é bom negócio, pois é preciso assumir o custo de separar a liga. Mas o que parece também mau negócio é comprar metal por 11,7 centavos para fabricar moedas de 5 centavos, o que se faz isso na Argentina.

Clipping/Argentina: ‘Sem valor, as moedas menores estão à beira da extinção’

El Clarín, Argentina – 23 de março de 2015

Por conta da inflação, são usadas por cada vez menos pessoas. Com as de 5 e 10 centavos já não se compra nada. E as de 25 e 50 dão para muito pouco.

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Atual moeda de 0,10 ARS

Há quem prefira não pegá-las, pois não há porta-níquel que aguente dez pesos em moedas. Se o troco de uma compra vem com moedas de 10 ou 5 centavos, pior ainda. Será um pequeno monte de pouco poder aquisitivo que pode acabar como recordação em algum canto de casa. Por isso, as moedas menores acabam esquecidas e são vistas menos em circulação. “De 2007 para cá, calculamos 270% de inflação; uma moeda de 25 centavos de oito anos atrás tem um valor atualizado hoje de 6 centavos”, diz Soledad Pérez Duhalde, coordenadora de análise macroeconômica da consultoria Abeceb Lapidaria.

Os exemplos são simples. Quantas moedas (e quanto peso no bolso) são necessárias para pagar 12 ARS por um maço de cigarros ou uma garrafinha de água de 500 ml? Esse descompasso tem explicação: a escala monetária vige desde a época da Convertibilidade, e a maioria das moedas entrou em circulação em 1992. Valiam. Antes.

Por outro lado, desde 2009, quando foi implantado o cartão magnético Sube para o transporte público, a necessidade de conseguir moedas para viajar deixou de existir. Acabaram-se as filas dos cobradores que peregrinavam pelos kioskos pedindo troco. E as moedas começaram a sumir.

Os informes de circulação de cédulas e moedas publicados pelo Banco Central (BCRA) em sua página web confirmam essa percepção. Entre março de 2013 e março de 2015, a circulação de moedas com valor inferior a 1 ARS cresceu menos de 1,5%. Ao mesmo tempo, a emissão da cédula de 100 ARS aumentou 57%. Esse papel, também depreciado, é o eixo da economia. É o mais entregue pelos caixas automáticos e o mais usado pelos consumidores. “Tem o poder de compra equivalente a 20 ARS de 2007”, informa Soledad.

Ainda que as moedinhas possam ter sua importância para dar troco e evitar o “arredondamento” do preço a favor do vendedor, os consumidores às vezes nem as pedem.

Nas associações que os defendem, assegura-se que já não são recebidas de maneira direta queixas por falta de moedas. “As de 5 ou 10 centavos desapareceram, são pouco vistas. Nos EUA, sem dúvida, circulam as de 1 USD; as pessoas a juntam e, quando chegam a uma quantia razoável, trocam-nas por notas no supermercado”, explica Susana Andrada, do Centro de Educación al Consumidor (CEC).

Soledad completa: “Como os comerciantes pedem menos moedas pequenas nos bancos privados, estes, por suas vez, pedem-nas menos ao BCRA, motivo por que a circulação das peças praticamente parou”.

Vê-se na rua. Já não são procuradas como antes. “Às vezes, se tenho de dar 10 ou 20 centavos de troco, nem me pedem”, conta ao Clarín Andrea, dona de um kiosco do bairro portenho de Barracas. Com esses valores não é possível comprar um bala.

Tampouco os táxis trabalham com os centavos. “O cliente os inclui na gorjeta, e, se não for assim, você deixa pra lá para não ter de procurar moedinhas”, conta o taxista Oscar Vásquez, no bairro de Constitución, Buenos Aires.

Alejandro, estudante de direito, exemplifica com sinceridade: “Outro dia, eu estava limpando meu departamento e vi, num montinho de terra, uma moeda de 5 centavos, e, te confesso, não tive nem o impulso de salvá-la… Acabou na pá e no saco de lixo”.

Apesar de tudo, os centavos continuam tendo um papel importante na configuração dos preços. Nos supermercados, a maioria dos valores incluem as moedinhas. Por exemplo, um litro de achocolatado é vendido a 11,99 ARS; um doce de leite de 400 g, a 15,09 ARS. A conta final é paga com cartão de crédito ou débito, para evitar complicações. Se não, a caixa solta a pergunta “antimoeda”: “Não quer doar os seus 50 centavos do troco para a fundação…?”.

* * *

N. do T.: Isso corrobora a decisão do governo argentino de emitir moedas novas de 1, 2, 5 e 10 ARS. Muito possivelmente os centavos deixarão de ser feitos.

Clipping: ‘E se vier o peso federal? Vantagens e desvantagens da troca da moeda na Argentina’

O país mudou de moeda em várias oportunidades, deixando quantidades significativas de zeros pelo caminho: um total de 13

Por Nicolás Litvinoff

Original.

Terça-feira, 5 de fevereiro de 2013, 3h09

Há pouco mais de uma semana, o ex-vice-presidente, Julio Cobos, afirmou em uma entrevista de rádio que o governo estaria preparando a emissão de uma nova moeda, o peso federal, que substituiria o atual (e vilipendiado) peso conversível (que de conversível já não tem mais nada).

O que exatamente disse Julio Cobos?

Tudo começou com as declarações à Rádio El mundo, em 25 de janeiro último: “Até me chegou um comentário de que estão estudando a mudança da moeda, o peso federal ou algo parecido”.

No dia seguinte, vieram declarações mais detalhadas: “É uma das várias soluções para a inflação que chegaram ao Governo para terminar com essa espiral”. Contou que a informação lhe havia sido passada uns quinze dias antes em Buenos Aires. Disse ainda: “é uma versão mais, não lhe dei tanta importância; mas acredito que não é possível suportar mais esta situação inflacionária, e, por tal, o Governo deve tomar alguma medida. Seria algo parecido com o que ocorreu com o austral. A saída é estabelecer uma moeda que não se desvalorize, uma moeda forte”. E disse na sequência: “Entendo que buscam uma maneira de sair do enrosco, uma desvalorização programada, e voltar a valorizar a moeda”. Dois dias depois, em declaração a La Voz del Interior, disse: “o que me chegou de fontes relativamente confiáveis é que estaria entre as medidas para sair do atraso e da prisão cambiária. Estavam pensando em uma reforma da moeda, do peso. Até com nome, me disseram: ‘peso federal’”.

Ainda que Julio Cobos não faça mais parte do Governo, a maior parte da equipe que exerce o poder executivo continua a mesma. Ter sido o número dois dessa equipe seguramente garante um conhecimento que poucos mortais têm sobre o fincionamento “portas adentro” do atual governo. Como todo ex-funcionário, provavelmente o ex-vice-presidente mantém algum tipo de contato com funcionários (ou com subordinados ou assessores destes).

Tudo o dito anteriormente não garante a veracidade do rumor, mas serve para chamar a atenção para não descartá-lo imediatamente sem uma análise mais detalhada.

Breve história das mudanças de moeda na Argentina

A história das moedas argentinas

Os Estados Unidos adotaram o dólar como moeda oficial em 1792 (há 221 anos).

Os mais jovens poderiam pensar que aconteceu algo similar com o peso na Argentina. Mas quem tem já uns anos a mais sabe que o país mudou de moeda em várias oportunidades, deixando quantidades significativas de zeros no caminho: um total de 13.

Mas a essas modificações é preciso juntar uma tentativa fracassada: no final de 2001, David Expósito, economista e jornalista, chegou à presidência do Banco Nación após apresentar ao presidente Rodríguez Saá um plano para emitir uma terceira moeda: o argentino.

Essa nova moeda flutuaria em relação ao peso e ao dólar. O novo sistema monetário, com três moedas em circulação, teria sido similar àqueles que praticam países como Cuba e China.

A ideia, porém, fracassou, e Expósito deixou de ser presidente do Banco Nación apenas 48 horas depois de tê-lo assumido, logo depois de dar declarações à imprensa na que dava a entender que a nova moeda já nasceria desvalorizada.

Razões e potenciais do novo peso federal

O que diferencia uma moeda das demais mercadorias de uma economia?

Uma moeda tem certas funções e propriedades que nenhum outro bem pode ter:

Unidade de conta. É a função inicial, da qual derivam as outras, que permite representar as distintas mercadorias por um só elemento.

Meio de pagamento. É a função diferenciadora da moeda, que permite que as obrigações entre duas partes sejam canceladas de forma exata, sem que fique dívida alguma. Dado que os saldos entre operações de débito/crédito não são sempre de soma zero, a moeda permite eliminar esses saldos.

Meio de troca. Serve como intermediário para evitar os intercâmbios diretos de mercadorias por outras mercadorias.

Reserva de valor. Permite manter o poder de compra ao largo do tempo.

Dessas quatro atribuições, a última mencionada (reserva de valor) é uma das mais importantes e é, justamente, a disciplina pendente que o peso conversível tem na atualidade: a sensação de que os pesos derretem-se na mão de que os cobra é fruto do aumento de preços na ordem de 25% ao ano que estamos suportando há vários anos e que cria a necessidade de gastar as cédulas antes que percam poder aquisitivo.

Quais são as vantagens que o Governo poderia atribuir ao nascimento de uma nova moeda? Arriscando um pouco, poderíamos assinalar cinco:

1) Seria um reconhecimento implícito, por parte do Governo, de que a inflação é um problema real e que procurará combatê-lo. Essa medida poderia vir acompanhada de um controle de preços mais forte, baseado nos valores que surjam a partir da troca de pesos conversíveis por pesos federais (1 a 10 seria, talvez, uma boa medida, com a qual 100 pesos “de agora” passariam a ser 10 pesos “novos”).

2) Poderia solucionar o problema do transporte físico. Atualmente, para quem prefere pagar com dinheiro em vez de fazê-lo com cartão, a quantidade de cédulas que tem de levar para fazer a compra mensal no supermercado já é incômodo… sem falar quando se trata do comprador de um automóvel ou de um imóvel (será preciso ir com um caminhão de mudança).

3) Poderia resolver a questão da deterioração e das más condições das atuais cédulas de 2, 5, 10 e, principalmente, 50 pesos, que de tanto trocar de mãos encontram-se muito deteriorados.

4) Permitiria deixar de uma vez por todas a convertibilidade e faria com que a desvalorização de mercado que se está levando a cabo não pareça tão “sangrenta”, já que o dólar oficial passaria a valer (levando em conta o ponto 1) 50 centavos de peso deral, enquanto o blue valeria 80 centavos. Dessa maneira, o objetivo do paralelo talvez fosse chegar a 1 peso federal (10 pesos atuais) em algum momento posterior à mudança da moeda.

5) Poderia restaurar a confiança na moeda local, tão vilipendiada após anos sofrendo inflação de dois dígitos, ainda que seja de maneira momentânea.

Conclusão

Supondo que o novo peso federal perdesse um zero com relação ao peso atual, o câmbio ficar por volta de 0,80 peso federal/dólar. Notável coincidência com a marca de câmbio inicial do Plano Austral.

Segundo os últimos dados oficiais, as reservas do Banco Central são de US$ 42, 83 bilhões. Com a marca de câmbio mencionada, teríamos um meio circulante de aproximadamente 53 bilhões de pesos federais, que ficaria inicialmente lastreado pelas reservas. Se esse respaldo com reservar manter-se no tempo, a demanda de dólares como reserva de valor poderia diminuir substancialmente.

Mas para que uma medida dessas tenha êxito, há dois fatores que deveriam estar presentes: a abertura da prisão cambiária (não pode haver confiança na nova moeda se as restrições continuam) e, na sequência, um pacote de medidas anti-inflacionárias concretas.

A mudança de moeda seria um plano de choque anti-inflacionário, que poderia servir para mudar as expectativas, atualmente negativas, do peso.

Sem dúvida, é importante destacar que se trataria de um “câmbio artificial”, que tem um efeito mais psicológico que econômico.

Esse efeito de curto prazo deveria ser aproveitado para implantar políticas de longo prazo para que tenha alguma chance de êxito e para que não caia nos velhos erros do passado recente.

Clipping: ‘A terceira moeda argentina não convence’

Enquanto o novo presidente da Argentina, Adolfo Rodríguez Saá, consolida-se no poder, os investidores expressaram seu ceticismo com relação à proposta de introduzir uma moeda paralela para ajudar a Argentina a sair da limitação monetária que atrela o valor do peso ao do dólar.

Por Matt Moffett e Michelle Wallin readatores de The Wall Street Journal

26 de dezembro de 2001

A ideia que Rodríguez Saá e seus assessores explicaram consiste em atribuir liquidez à economia sem quebrar com a convertibilidade, o que conduziria a uma traumática desvalorização do peso. O sistema de convertibilidade proíbe a impressão de moeda se não houver reservas em dólar para lastreá-la. Isso limita a capacidade do governo em promover qualquer tipo de injeção monetária que permitisse à Argentina sair da recessão em que se encontra há quatro anos.

O plano incluiria a emissão do que seria tecnicamente um bônus negociável, em vez de uma moeda. Mas tal conceito parece ser inspirado no que já fizeram várias províncias argentinas, que pagam seus funcionários púbicos e prestadores de serviço com bônus que são usados como moeda de curso legal. Mais de US$ 1 bilhão desses bônus já estão em circulação; o principal exemplo é o chamado patacón, emitido pela província de Buenos Aires. Carlos Ruckauf, governador bonaerense, disse que o volume do novo instrumento do presidente da República superaria o dos bônus provinciais em circulação emitidos pelas províncias sem dinheiro. A ausência de uma autoridade federal obrigou cada província a emitir sua própria moeda, disse Ruckauf.

Mas os críticos dizem que essa imensa quantidade de bônus na Argentina corre o risco de sair do controle. Na província de Córdoba, há já quatro tipos de moedas ou bônus em circulação. Alguns investidores estrangeiros dizem estar consternados pela nova proposta de moeda e por outras ideias econômicas de Rodríguez Saá. Ignacio E. Sosa, da One World Investments LP, diz que o plano enfraquece o valor do peso e, eventualmente, tornaria ainda mais dolorosa uma desvalorização. A combinação de imprimir distintas moedas, caso a convertibilidade seja mantida, é simplesmente uma receita para o desastre, diz. Tudo o que fizeram foi postergar o dia do juízo final.

Essas são as más notícias para os detentores de bônus, já que significa que o Estado terá menos dinheiro para pagar seus credores.

Os investidores expressaram suas preocupações na segunda-feira, no dia seguinte à posse de Rodríguez Saá, quando alguns bônus baixaram à cota de US$ 0,25.

José de Mendiguren, presidente da principal organização empresarial do país, conhecida como União Industrial Argentina, disse que o anúncio de Rodríguez Saá marcou o fim da rígida lei de convertibilidade de 1991.

Disse ainda que, enquanto a UIA reconheceu que a “terceira moeda” poderia ajudar a estimular a demanda, essa não era o substitutivo de um sistema monetário permanente e mais flexível. É uma medida provisória para movimentar a economia, disse.

Hernán Fardi, economista da consultoria Maxinver, diz que os economistas argentinos cogitaram a ideia de uma terceira moeda para sair da convertibilidade. Mas sua grande preocupação é se o clima político instável permitirá ao governo emplacar alguma medida econômica que tenha sucesso.

Pamela Druckerman contribuiu neste artigo.

N. do T.: chegou-se mesmo a nomear a natimorta moeda como argentino. Rodríguez Saá foi presidente da Argentina exatamente por uma semana, entre 23 e 30 de dezembro de 2001, no vácuo de poder produzido pela renúncia de Fernando de la Rúa e seu vice. As declarações dadas pelo então presidente do Banco da Nação Argentina, David Expósito, sobre a irresponsabilidade da medida, custou-lhe o cargo, que ocupou por 48 horas.

Artigo original.

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O argentino morreu no ventre, mas aí está um chamado patacón, bônus emitido pela província de Buenos Aires para cumprir com suas obrigações financeiras.

Clipping: ‘O BCRA emitirá nova moeda de dois pesos comemorando o bicentenário’

A nova peça começará a circular a partir de segunda, 11 de julho.

Por Infobae.

200 pesos

Peça de 2 pesos argentinos que celebra os 200 anos da independência do país platino (fonte: BCRA)

Após emitir a nova cédula de 500 pesos, o Banco Central da República Argentina (BCRA) lançará uma nova moeda de dois pesos para celebrar o bicentenário da Declaração de Independência do país.

A moeda começará a circular a partir de segunda-feira, 11 de julho, quando terá início sua distribuição ao sistema bancário. No total, “serão emitidas 200 milhões de peças, que coexistirão com as cédulas e moedas da mesma denominação”, especificou o organismo em um comunicado.

A peça é composta por uma liga de cobre (92%), alumínio (6%) e níquel (2%) no anel e cobre (75%) e níquel (25%) no núcleo.

No anverso está o barrete frígio, como símbolo da liberdade, sustentado pelo pique, como representação da defesa da pátria. As mãos entrelaçadas são a expressão da união e da fraternidade dos povos das Províncias Unidas do Rio da Prata.

Em alusão ao bicentenário, a inscrição “1816 INDEPENDENCIA 2016” está na parte inferior, dentro do anel. O reverso mostra — além do valor facial de dois pesos — o sol da dragona do uniforme militar do general José de San Martín.

N. do T.: trata-se, possivelmente, da última emissão antes da reforma da família de moedas, prevista para 2017.

Clipping: ‘Lançamento da cédula de 500 pesos argentinos com a imagem da onça-pintada’

30 de junho de 2016, 9h24. O anúncio foi feito ontem pelo BCRA. A medida ajudará a agilizar os pagamentos e tirará a “pressão” dos caixas automáticos. A cédula de 100 pesos perdeu poder de compra frente à desvalorização e ao avanço da inflação.

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O Banco Central da Argentina anunciou o lançamento da nova cédula de 500 pesos, que terá a imagem da onça-pintada. O BC argentino começará a distribuir a cédula às instituições bancárias a partir de hoje, conforme foi oficialmente informado, e chegará às pessoas por meio das agências bancárias e caixas automáticos. Com o lançamento, serão sete cédulas de diferentes denominações em circulação por todo o país.

A cédula de 500 pesos, de tonalidade verde, terá a figura de uma onça-pintada [yaguareté no espanhol platino] do noroeste do país; a cédula de 200 pesos, de cor azul e com a imagem da baleia-franca-austral deverá ser lançada em outubro. A partir do ano que vem, a nova família de cédulas chamada “Animais autóctones da Argentina” será completada com a emissão das cédulas de 20, 50, 100 e mil pesos (esta com o desenho de um joão-de-barro [hornero, em espanhol], a ave nacional da Argentina), além da aparição das novas moedas de 1, 2, 5 e 10 pesos.

O governo anterior sempre se negou a emitir novas cédulas para não admitir o processo inflacionário. Este ano, quando o macrismo confirmou a ideia de lançar novas demoninações, o ex-titular do BC Alejandro Vanoli mostrou por sua conta no Twitter uma série de imagens que mostravam esboços que a entidade preparava. Assim, pode-se saber que, para a cédula de 200 pesos, o kirchnerismo pretendia ilustrá-lo com a imagem de Hipólito Yrigoyen, e que, para a de 500, pensava-se em Juan Domingo perón.

A cédula de 100 pesos, que é atualmente a maior denominação, perdeu poder de compra frente ao avanço da inflação desde 2007 e às desvalorizações que o BC levou a cabo.

Publicação original.

As novas cédulas argentinas de 200 e 500 pesos

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Concepção artística da nova cédula argentina de 200 pesos

O Banco Central da República Argentina (BCRA) anunciou na última sexta (15/1) o lançamento de cédulas de valor mais alto e a substituição da série ora vigente no país platino, que contempla os valores de 2, 5, 10, 20, 50 e 100 pesos. As cédulas de 200 e 500 pesos entrarão em circulação a partir do meio do ano; os dois valores sãos os primeiros de uma nova série, que, em 2017, será acrescida de novas cédulas de 20, 50, 100 e 1.000 pesos e homenageará a fauna e os biomas do território argentino.

As cédulas retratarão os seguintes animais e biomas:

20 pesos: guanaco / estepe patagônica
50 pesos: condor / região andina
100 pesos: taruca / região noroeste
200 pesos: baleia-franca-austral / Mar Argentino, Antártida e ilhas do Atlântico Sul
500 pesos: onça-pintada / região nordeste
1.000 pesos: joão-de-barro / região central

Ainda para 2017, o BCRA informou, no mesmo comunicado, a alteração da família de moedas, com valores de 1, 2, 5 e 10 pesos, a ser lançada em 2017.

Aqui, o comunicado do BCRA na íntegra (em espanhol).