Bolívar soberano: mais um engodo

Desde o último dia 1º, a Venezuela tem um novo padrão monetário, o bolívar soberano, que equivale a 1.000 bolívares fortes. Trata-se de mais uma medida desesperada do governo de Nicolás Maduro frente à inflação galopante que atinge o país caribenho. O índice fechou 2017 em 2.616%, segundo a Comissão de Finanças da Assembleia Nacional Venezuela.a

O roteiro já nos é conhecido. Entre 1986 e 1994, o Brasil passou por quatro redenominações: de cruzeiro para cruzado (1986), de cruzado para cruzado novo/cruzeiro (1989), de cruzeiro para cruzeiro real (1993) e de cruzeiro real para real (1994). Somente esta última foi acompanhada de medidas macroeconômicas eficazes para frear a inflação em médio prazo.

O padrão venezuelano já fora vítima de uma redenominação em 1º de janeiro de 2008, quando mil bolívares passaram a ser um bolívar forte, o que encerrou a carreira do padrão monetário mais antigo da América do Sul, que fora criado em 1879, durante o segundo governo de Antonio Guzmán Blanco.

Como medida cosmética, o bolívar soberano já nasce caduco. Na cotação de hoje (3/5/2018), um dólar americano está em 637,05 bolívares soberanos, ou 637.053,28 bolívares fortes. Em questão de dois ou três meses, o câmbio ultrapassará a faixa das mil unidades. Talvez o mais indicado fosse cortar seis zeros, fazendo com que 1 milhão de bolívares fortes fosse igual a 1 bolívar soberano, o que deixaria a cotação em 0,637 bolívar soberano.

A partir de junho circulará o novo espectro monetário, com moedas metálicas de 50 cêntimos e 1 bolívar. As cédulas serão de 2, 5, 10, 20, 50 e 100, 200 e 500. Nota-se que a cédula mais alta, se lançada hoje, valeria menos de 1 dólar.

Além do mais, as cédulas do novo bolívar são excessivamente parecidas com as do padrão que está saindo de circulação, o que poderá trazer confusão à população.

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Cédula de 500 bolívares soberanos. Note-se que a palavra ‘soberano’ não aparece escrita. Fonte: BCV
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Cédula de 500 bolívares do padrão ‘forte’. Note-se a semelhança da disposição dos objetos. Fonte: BCV
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Novo espectro monetário na Venezuela

Por conta da inflação rampante, a Venezuela finalmente admitiu a necessidade de reformular seu espectro monetário. Em 2008, o velho bolívar, unidade monetária desde 1879, teve três zeros cortados. Mil bolívares (VEB) passaram a ser 1 bolívar forte (VEF).

O espectro inicial era:

Moedas: 0,01 e 0,05 VEF (cobre); 0,10, 0,125, 0,25 e 0,50 VEF (níquel); e 1 VEF (bimetálica; anel de latão e núcleo de níquel). Chama a atenção a presença da moeda de 12 ½ cêntimos, chamada popularmente de locha, equivalente a um oitavo de bolívar. Trata-se de recriação romântica de moeda que circulou entre 1896 a 1969.

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Moeda de 12 1/2 cêntimos emitida em 2008.

Cédulas: 1, 2, 5, 10, 20 e 100 VEF.

O espectro inicial fez sentido, mas com a inflação, em 2016 a taxa de câmbio ultrapassou ou 5.000 VEF por USD, ou seja, a maior cédula em circulação, 100 VEF, valia aproximadamente 0,02 USD, o que causa atualmente uma verdadeira catástrofe na vida do cidadão.

Para dezembro de 2016, está prevista a introdução de novas moedas de 10, 50 e 100 VEF (níquel) e cédulas de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 bolívares. As cédulas são graficamente reaproveitamento das cédulas que ora nada valem.

Lado a lado: a nova cédulas de 5.000 VEF e a de 20 VEF introduzida em 2008.

Clipping/Venezuela: ‘BCV anuncia emissão de cédulas de 500 e mil bolívares’

Do site Notilogía, 21/6/2016

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O Banco Central da Venezuela (BCV) prepara-se para pôr em circulação as novas cédulas de maior denominação, adaptando-se à situação atual dos venezuelanos, conforme informou de maneira extraoficial o canal NTN24. Sem dúvida, os economistas ratificaram que as cédulas não atenderão as expectativas, já que as emissões não sanarão as necessidades do país.

De maneira extraoficial, deu-se a conhecer que no decorrer das semanas o Banco Central da Venezuela anunciará a emissão das novas cédulas, de 500 e mil bolívares, com a ideia de redirecionar e distribuir os recursos.

Por outro lado, o deputado da Assembleia Nacional José Guerra assegurou que a cédula de maior denominação deveria ser de 2 mil bolívares, já que a crise econômica destruiu o poder aquisitivo dos venezuelanos.

Economistas reiteraram que a emissão da cédula de mil bolívares não basta para atender as necessidades do país, por conta da inflação alta e desvalorização constantes.