Vigência das cédulas de maior valor

Embora o assunto principal deste blogue sejam as moedas, é interessante ver o comportamento do nosso meio circulante de papel.

Tendo em conta os ciclos inflacionários pós-1942, fizemos uma contagem aproximada de quanto tempo determinada cédula foi a maior em circulação enquanto outra não a suplantou.

No período pós-1942, a mais longeva é a cédula de 100 reais, que continua contando tempo aos seus 23 anos em circulação como valor mais alto. A que ocupou o posto por menos tempo foi a de mil cruzeiros reais, por 28 dias em outubro de 1993.

Os valores de equivalência de poder de compra são em níveis de junho de 2017.

Mil cruzeiros (1943) – aproximadamente 19 anos. Pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas, pela correção inflacionária, essa cédula, quando lançada, teria o poder de compra hoje de aproximadamente R$ 2,3 mil. Em 1947 pagava mil tarifas de ônibus na cidade de São Paulo (Cr$ 1,00). Comprava, em dezembro de 1943, US$ 94,07, a Cr$ 10,63 por dólar (fonte Diário da Noite de 30 dez. 1943).

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5 mil cruzeiros (17 dez 1962) – aproximadamente três anos e quatro meses. Em valores atualizados, valia, em seu lançamento, o equivalente a R$ 383. Pagava exatamente 200 passagens de ônibus em São Paulo (Cr$ 25). Em 27 dez. 1962, o dólar cotava-se a Cr$ 810, logo, a cédula comprava US$ 6,17 (fonte Correio da Manhã de 27 de dezembro de 1962).

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10 mil cruzeiros (agosto de 1966) 10 cruzeiros novos (a partir de 13 fev. 1967) – três anos e nove meses. Valia, no lançamento, cerca de R$ 120. Pagava 66 passagens de ônibus (Cr$ 150) e sobravam Cr$ 100. Em 11 de agosto de 1966, o dólar valia Cr$ 2.200; a cédula comprava US$ 4,54 (fonte Correio da Manhã de 11 de agosto de 1966).

Em fevereiro de 1967, a cédula pagava as mesmas passagens, mas comprava apenas US$ 3,69, com o dólar cotado a NCr$ 2,71 (fonte Correio da Manhã de 21 de fevereiro de 1967).

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100 cruzeiros (15 maio 1970) – dois anos e seis meses. Poder de compra estimado em R$ 568 na data de lançamento. Pagava 285 passagens de ônibus (Cr$ 0,35) e sobrava Cr$ 0,25. Comprava então US$ 22,27 (Cr$ 4,49 por dólar).

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500 cruzeiros (15 nov 1972) – seis anos e 21 dias. Valor estimado em R$ 1,8 mil. Pagava mil passagens de ônibus, a Cr$ 0,50 cada. Comprava então US$ 81,57 (Cr$ 6,13 por dólar).

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Mil cruzeiros (06 dez 1978) – um ano, dez meses e dois dias. Cerca de R$ 600. Pagava 333 passagens de ônibus e sobrava Cr$ 1. Comprava então US$ 48,85 (Cr$ 20,47 por dólar).

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5 mil cruzeiros (08 set 1981) – três anos, um mês e 23 dias. Poder de compra estimado em R$ 520. Pagava 227 passagens de ônibus, a Cr$ 22 cada, e sobravam Cr$ 6. Comprava então US$ 47,78 (Cr$ 104,64 por dólar).

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50 mil cruzeiros (01 nov 1984) – onze meses e dois dias. Poder de compra de R$ 260. Pagava exatamente 125 passagens de ônibus a Cr$ 400 cada. Comprava então US$ 18,53 (Cr$ 2.698 por dólar).

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100 mil cruzeiros (03 out 1985) – um ano e dezessete dias. Poder de compra de R$ 180 na data do lançamento. Pagava 111 passagens de ônibus, a Cr$ 900 cada, e sobravam Cr$ 100. Comprava então US$ 12,29 (Cr$ 8.135 por dólar).

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500 cruzados (20 out 1986) – onze meses e nove dias. R$ 480 em poder de compra. Pagava 333 passagens de ônibus, a Cz$ 1,50, e sobrava Cz$ 0,50. Comprava então US$ 36,13 (CZ$ 13,84 por dólar).

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Mil cruzados (29 set 1987) – onze meses e catorze dias. R$ 220 em poder de compra. Pagava exatamente cem passagens de ônibus a Cz$ 10 cada. Comprava então US$ 20,12 (Cz$ 49,71 por dólar).

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5 mil cruzados (15 set 1988) – dois meses e nove dias. Poder de compra estimado em R$ 175. Pagava 62 passagens, a Cz$ 80 cada, e sobravam Cz$ 40. Comprava então US$ 15,56 (Cz$ 321,25 por dólar).

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10 mil cruzados (24 nov 1988) – dois meses e 23 dias. Poder de compra estimado em R$ 220. Pagava 125 passagens, a Cz$ 80 cada. Comprava então US$ 19,25 (Cz$ 519,60 por dólar).

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50 cruzados novos (17 mar 1989) – dois meses e dois dias. Poder de compra estimado em R$ 430. Pagava 294 passagens, a NCz$ 0,17 cada, e sobrava NCz$ 0,02. Comprava então US$ 50,00 (NCz$ 1,00 por dólar).

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100 cruzados novos (19 maio 1989) – cinco meses e onze dias. Poder de compra estimado em R$ 780. Pagava 588 passagens, a NCz$ 0,17 cada, e sobrava NCz$ 0,04. Comprava então US$ 110 (NCz$ 1,10 por dólar).

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200 cruzados novos (08 nov 1989) – três meses. Poder de compra estimado em R$ 300. Pagava 181 passagens, a NCz$ 1,10 cada, e sobravam NCz$ 0,90. Comprava então US$ 33,06 (NCz$ 6,05 por dólar).

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500 cruzados novos (08 fev 1990) – dois meses e um dia. Poder de compra estimado em R$ 220. Pagava 142 passagens, a NCz$ 3,50 cada, e sobravam NCz$ 3. Comprava então US$ 20,53 (NCz$ 24,35 por dólar).

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5 mil cruzeiros (09 abr 1990) – um ano e quinze dias. Poder aquisitivo estimado em R$ 670. Pagava 333 passagens, a Cr$ 15 cada, e sobravam Cr$ 5. Comprava então US$ 40,67 (NCz$ 106,72 por dólar).

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10 mil cruzeiros (26 abr 1991) – sete meses e onze dias. R$ 260 em poder aquisitivo. Pagava exatamente cem passagens, a Cr$ 100 cada. Comprava então US$ 39,78 (Cr$ 251,37 por dólar).

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50 mil cruzeiros (09 dez 1991) – sete meses e treze dias. R$ 450 em poder de compra. Pagava exatamente 200 passagens, a Cr$ 250 cada. Comprava então US$ 52,86 (Cr$ 945,85 por dólar).

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100 mil cruzeiros (24 jul 1992) – seis meses e cinco dias. Cerca de R$ 210 em poder de compra. Pagava 66 passagens, a Cr$ 1.500 cada, e sobravam Cr$ 1.000. Comprava então US$ 26,39 (Cr$ 3.790 por dólar).

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500 mil cruzeiros (29 jan 1993) – oito meses e 28 dias. Algo por volta de R$ 280 em poder aquisitivo. Pagava exatamente 125 passagens, a Cr$ 4.000 cada. Comprava então US$ 35,51 (Cr$ 14.081 por dólar).

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Mil cruzeiros reais (01 out 1993) – 28 dias. Poder aquisitivo na data de lançamento de R$ 50. Pagava 16 passagens, a CR$ 60 cada, e sobravam CR$ 40. Comprava então US$ 6,70 (CR$ 149,26 por dólar).

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5 mil cruzeiros reais (29 out 1993) – cinco meses e um dia. Cerca de R$ 270 em poder de compra. Pagava 62 passagens, a CR$ 80 cada, e sobravam CR$ 40. Comprava então US$ 35,51 (CR$ 149,23 por dólar).

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50 mil cruzeiros reais (30 mar 1994) – três meses e um dia. Poder aquisitivo equivalente a R$ 380. Pagava 333 passagens, a CR$ 150 cada, e sobravam CR$ 50. Comprava então US$ 66,18 (CR$ 755,52 por dólar).

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100 reais (01 jul 1994) – 23 anos e um mês (até 01 ago 2017). Poder aquisitivo na época equivalente a R$ 700 em junho de 2017. Pagava 200 passagens, a R$ 0,50 cada. Hoje (out. 2017) paga 26 passagens, a R$ 3,80, e sobra R$ 1,20. Comprava então US$ 108,11 (R$ 0,925 por dólar). Compra hoje (out. 2017) US$ 31,54 (a R$ 3,17 por dólar).

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Tarifas de ônibus de São Paulo/SP.
Média mensal do dólar (desde 1970).

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O porquê de nosso sumiço

Não, meus caros. Ainda não foi desta vez que este blogue acabou. Na verdade, demos uma pausa na postagem por alguns motivos de trabalho e também de estudo numismático.

Aliás, trazemos a vocês, se já não as conhecem, duas obras que consideramos muito importantes e que responderam a várias indagações nossas. A primeira é “Dinheiro no Brasil“, de Florisvaldo dos Santos Trigueiros, que traz informações e dados muito úteis acerca principalmente das cédulas brasileiras até 1987.

A outra é “Moedas do Brasil – Desde o Reino Unido – 1818-2000“, de Eugenio Vergara Caffarelli, uma espécie de catálogo enciclopédico.

São obras que, após leitura, consideramos imprescindíveis para continuação dos nossos estudos, principalmente pela riqueza de detalhes. O bom é que ambas estão disponíveis em PDF.

Bons estudos.

Os miniassegni

A numária italiana do pós-guerra teve poucas alterações. Tivemos uma primeira série, toda de alumínio (chamada de italma, italiano alluminio magnesio), entre 1946 e 1950, com quatro peças: 1 lira (reverso: um ramo de laranjeira frutificado; anverso: busto feminino ornado de espigas de trigo), 2 liras (reverso: espiga de trigo; anverso: homem arando campo), 5 liras (reverso: cacho de uvas; anverso: busto feminino com tocha na mão) e 10 liras (reverso: ramo de oliveira frutificado; anverso: pégaso).

Em 1951, por conta da inflação, o governo decidiu reduzir o tamanho das moedas de alumínio e introduzir mais dois valores em acmonital (acciaio monetario italiano, aço inox): 50 e 100 liras, que começaram a ser emitidas em 1954 e 1955, respectivamente. Em 1968, foi introduzida uma peça de 20 liras de bronze-alumínio; em 1977, emitiu-se uma peça de 200 liras, também de bronze-alumínio. A peça de 500 liras, a primeira moeda bimetálica moderna, foi posta em circulação em 1978.

A moeda de 1 lira trazia no anverso a balança, símbolo da justiça e, no reverso uma cornucópia; a de 2, uma abelha e um ramo de oliveira frutificado; a de 5, um leme e um golfinho; a de 10, um arado e duas espigas de trigo; a de 20, a representação feminina da República e um ramo de carvalho; a de 50, outra efígie da República e Vulcano trabalhando numa bigorna; a de 100, um retrato alegórico feminino (República?) e Minerva ao lado de uma oliveira; e a de 200, outra República e uma roda dentada.

Vamos parar nesta descrição nesse finzinho dos anos 1970. Sim, a numária italiana sofreu outras alterações, mas essas ficarão para outra postagem.

Na segunda metade dos anos 1970, a Itália sofreu com a falta de troco. Para resolver o problema, instituições bancárias emitiram os miniassegni (minicheques, no singular miniassegno), já que emissão de moeda é prerrogativa do Banco da Itália. Os primeiros apareceram em dezembro de 1975 e foram emitidos pelo Istituto Bancario San Paolo di Torino. Outras instituições fizeram emissões similares, e o número total de tipos emitidos chega a 835, uma verdadeira avalanche.

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Miniassegno de 50 liras emitido em 1976 pelo Istituto Bancario San Paolo di Torino

Os miniassegni desapareceram no final de 1978, quando o Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato (IPZS, a casa da moeda italiana), conseguiu suprir a necessidade de troco, o que coincide também com o lançamento da moeda de 200 liras chamada Lavoro, obra do gravador Mario Vallucci. Os miniassegni lembram muito os Notgelder alemães, emitidos entre 1918 e começo dos anos 20, por conta da escassez de meio circulante na Alemanha pós-guerra.

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Moeda de 200 liras. Provável filha da crise de troco

São comumente achados miniassegni nos valores de 50, 100, 150, 200, 250, 300 e 350 liras. Há vários catálogos de miniassegni, como o Bobba e o Crapanzano, e blogues dedicados à temática.

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Miniassegno de 150 liras emitido em 1976 pelo Credito Italiano

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Capa do Catálogo Bobba de miniassegni, edição de 1977

Os múltiplos e submúltiplos de 2 na numária brasileira

Primeiramente, alguns conceitos básicos. Em tese, as moedas de submúltiplos são planejadas de modo a uma quantidade determinada delas ser equivalente à unidade. Por exemplo, em nosso atual sistema centesimal:

A moeda de 1 centavo equivale à fração 1/100; com cem delas forma-se 1 real;

A moeda de 5 centavos equivale à fração 5/100, ou 1/20; com 20 delas forma-se 1 real;

A moeda de 10 centavos equivale à fração 10/100, ou 1/10; com dez delas forma-se 1 real;

A moeda de 25 centavos equivale à fração 25/100, ou 1/4; com quatro delas forma-se 1 real;

A moeda de 50 centavos equivale à fração 50/100, ou 1/2; com duas delas forma-se 1 real.

Note-se que os valores base são 1, 5 e 10, sendo os outros derivados: 25 = 5.5; 50 = 5.10. Todos redutíveis a uma fração de numerador 1.

No que se refere à numária brasileira, é interessante notar a presença esporádica de submúltiplos de 2. Na primeira (1942-56) e segunda (1957-61) séries, além da série das pequeninas (1956), do primeiro cruzeiro, tivemos moedas de 20 centavos e 2 cruzeiros. A terceira série (1965) teve uma moeda de 20 cruzeiros. Os 20 centavos formam a fração 1/5; a peça representante 1/5 voltaria ainda na primeira série do segundo cruzeiro (1967-79), que trouxe ainda a única moeda de 2 centavos que tivemos na nossa história, cuja fração é 1/50.

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A única moeda de 2 centavos da numária brasileira

A segunda série (1979-86) do segundo cruzeiro, embora pulasse o valor de 2 cruzeiros, trouxe-nos uma moeda de 20. A terceira série (1985-6) teve também uma moeda de 200 cruzeiros.

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20 cruzeiros (1981)

A série do cruzado (1986-8), herdeira estética dessa terceira série do segundo cruzeiro, trouxe a moeda de 20 centavos, mas não uma de 2 centavos ou uma de 2 cruzados, ficando como única representante dos múltiplos e submúltiplos de 2.

A partir de 1989, com a introdução do cruzado novo, o 2 foi definitivamente banido da numária brasileira.

Porém, com a criação do real, em 1994, entrou uma variante de submúltiplo de base 5, a peça de 25 centavos, formando a fração 1/4, novidade absoluta na numária brasileira.

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A arte final da segunda moeda de 25 centavos (1998)

O Brasil teve ainda valores submúltiplos menos ortodoxos, como os $400, equivalentes a 2/5 da unidade, introduzidos em 1901, e os $300 (3/10), introduzidos em 1936, irredutíveis a uma fração de numerador 1, o que significa que é impossível, com uma quantidade x de peças, atingir exatamente a unidade.

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300 réis (1936)

Há frações de numerador 1 comuns em outros países, como a Venezuela, que teve em períodos de sua história a peça de 12½ cêntimos, a chamada locha, que equivale a 1/8 da unidade, ou os Países Baixos, que tiveram a moeda de 2½ cent, equivalente à fração 1/40.

Na imagem maior, 15 copeques da URSS; à dir., no alto, 15 cêntimos do Paraguai; abaixo, 12 1/2 cêntimos da Venezuela

Há países que emitiram moedas cuja fração não era de denominador 1, como o Paraguai (15 cêntimos, fração 3/20) ou a URSS, com as moedas de 3 (3/100) e 15 copeques (3/20).

A base 2 nas cédulas

Nas estampas das cédulas do primeiro cruzeiro (1942-66), havia cédulas de 2 (Duque de Caxias), 20 (Marechal Deodoro) e 200 cruzeiros (Pedro I). Com a aceleração da inflação, entre o final dos anos 1950 e começo dos 1960, foi emitida a cédula de 5 mil cruzeiros, e não de 2 mil, o que quebrou com a sequenciação da base 2.

No cruzeiro novo, embora as moedas tivessem valores de base 2, as cédulas da primeira família não seguiam o mesmo padrão, inclusive na parte estética. As cédulas eram de 1, 5, 10, 50 e 100 cruzeiros, com lançamento posterior de uma cédula comemorativa de 500 cruzeiros.

A segunda família do segundo cruzeiro trazia uma cédula de 200 cruzeiros, com tons verdes e arroxeados, que circulou na primeira metade dos anos 1980.

A última cédula de base 2 antes do real foi a comemorativa de 200 cruzados novos/cruzeiros, que celebrava o centenário da República, lançada em 1989.

Somente em 2001 o Brasil voltaria a ter uma cédula de base 2, com o lançamento da peça de 2 reais. No ano seguinte, deu-se a introdução da cédula de 20 reais.

Clipping/Venezuela: ‘BCV anuncia emissão de cédulas de 500 e mil bolívares’

Do site Notilogía, 21/6/2016

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O Banco Central da Venezuela (BCV) prepara-se para pôr em circulação as novas cédulas de maior denominação, adaptando-se à situação atual dos venezuelanos, conforme informou de maneira extraoficial o canal NTN24. Sem dúvida, os economistas ratificaram que as cédulas não atenderão as expectativas, já que as emissões não sanarão as necessidades do país.

De maneira extraoficial, deu-se a conhecer que no decorrer das semanas o Banco Central da Venezuela anunciará a emissão das novas cédulas, de 500 e mil bolívares, com a ideia de redirecionar e distribuir os recursos.

Por outro lado, o deputado da Assembleia Nacional José Guerra assegurou que a cédula de maior denominação deveria ser de 2 mil bolívares, já que a crise econômica destruiu o poder aquisitivo dos venezuelanos.

Economistas reiteraram que a emissão da cédula de mil bolívares não basta para atender as necessidades do país, por conta da inflação alta e desvalorização constantes.

Una breve storia delle unità monetarie brasiliane

Here is a english version of this text.
Aquí hay una versión en español de este texto.

Il Brasile ebbe molte monete nella sua storia. La prima fu ereditata da Portogallo. Dal 1500 fino il 1822, la nostra moneta fu il real portoghese (pl. réis). Dopo l’indipendenza, nel 1822, la moneta passó ad essere il real brasiliano, peró nel 1833, una legge della Regenza stabilì de facto il mil-réis come unità monetaria (mil-réis vuol dire mille réis). Ciò trasformó il mil-réis in una moneta millesimale: il real era la millesima parte de l’unità.

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100 réis (1871)

Questo mil-réis sopravisse fino il 1942. In quest’anno un decreto legge della dittatura Vargas convertì 1 mil-réis in 1 cruzeiro. La nuova denominazione venne della costellazione della Croce del Sul (Cruzeiro do Sul in portoghese), usata come simbolo nazionale. E’ anche il debutto del centavo (la centesima parte del cruzeiro).

Banconota da 200 cruzeiros e monete del primo cruzeiro

Il primo cruzeiro (ci saranno altre due edizioni negli anni seguenti) fu la nostra moneta fino al 1966. Quindi, la svalutazione e l’inflazione forzarono una riforma. Mille cruzeiros diventarono 1 cruzeiro novo (nuovo, come il noveau franc in Francia). Nel 1970, soltanto la denominazione fu cambiata di nuovo per cruzeiro, ma la relazione si mantenne 1:1, anche come successe in Francia.

Banconota da 50 cruzeiros e moneta da 20 centavos delle prime famiglie

Questo secondo cruzeiro durò fino al 1986, L’inflazione portò una nuova riforma: mille cruzeiros diventarono 1 cruzado. Il nome viene da una vecchia moneta coloniale d’oro.

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Moneta da 10 cruzados

L’inflazione diventò incontrollabile. Nel 1989, una nuova riforma 1:1.000. Mille cruzados diventano 1 cruzado novo (il novo di nuovo). Nel 1990, il nome fu cambiato: 1 cruzado novo diventò 1 cruzeiro (il terzo cruzeiro); nel 1993, altra riforma venne fatta: mille cruzeiros diventano 1 cruzeiro real. Fu la nostra moneta più breve: durò 11 mesi.

Banconota e moneta del terzo cruzeiro

L’ultima riforma venne nel 1994. Un piano di stabilizzazione monetaria, chiamato Plano Real, cambiò la valuta di nuovo. La tassa di conversione fu 1:2.750; 2.750 cruzeiros reais diventarono 1 real. Il nome venne dalla vecchia valuta coloniale, imperial e dei primi anni della Repubblica (il plurale non è réis, come la vecchia moneta, ma reais, la forma moderna del plurale).

Monete e banconote del secondo real

Dal 1994, la valuta brasiliana è la stessa. E’ il periodo più stabile dal tempo dell’Impero (1822-1889).

Una breve historia de las unidades monetarias brasileñas

There is a english version of this text.

Brasil tuvo muchas monedas en su historia. La primera fue heredada de Portugal. De 1500 hasta 1822, nuestra moneda fue el real portugués (pl. réis). Después de la independencia, en 1822, la moneda pasó a ser el real brasileño, pero en 1833 una ley de la Regencia estableció de facto el mil-réis como unidad monetaria (mil-réis quiere decir mil réis). Eso transformó el mil-réis en una moneda milesimal: el real era la milésima parte de la unidad.

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100 réis (1871)

Ese mil-reis sobrevivió hasta el 1942. En ese año, un decreto-ley de la dictadura Vargas convirtió 1 mil-réis en 1 cruzeiro. La nueva denominación vino de la constelación de la Cruz del Sur (Cruzeiro do Sul en portugués), usada como símbolo nacional. Es también el estreno del centavo.

Billete de 10 cruzeiros y monedas del primer cruzeiro

Ese primer cruzeiro (habrán aun otros dos en el futuro) fue nuestra moneda hasta 1966. Entonces, la desvalorización y la inflación hicieron necesaria una reforma. Mil cruzeiros fueran convertidos en 1 cruzeiro novo (novo: nuevo, como el noveau franc en Francia). En 1970, solo la denominación fue alterada nuevamente para cruzeiro, pero la relación se mantuvo en 1:1, como también ocurrió en Francia.

Moneda de 1 cruzeiro y billete de 10o cruzeiros de las primeras series.

Ese segundo cruzeiro duró hasta 1986. La inflación hizo necesaria una nueva reforma, y otro cambio se dio: mil cruzeiros se han convertido en 1 cruzado. El nombre viene de una vieja moneda de oro de los tiempos coloniales.

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Moneda de 10 cruzados

La inflación volvió implacable. En 1989, una nueva reforma con corte de tres ceros. Mil cruzados se convierten en 1 cruzado novo (el novo de nuevo). En 1990, el nombre fue cambiado: 1 cruzado novo se convirtió en 1 cruzeiro (el tercer cruzeiro). En 1993, otra reforma fue necesaria: mil cruzeiros pasan a ser 1 cruzeiro real. Esa fue nuestra más breve moneda: duró 11 meses.

Billete y moneda del tercer cruzeiro

La última reforma se dio en 1994. Un plan de estabilización, llamado Plano Real, cambió la moneda otra vez, pero el factor de conversión fue 2.750; 2.750 cruzeiros reais se transformaron en 1 real. El nombre vino de la vieja unidad colonial, imperial y del comienzo de la República (pero el plural no es réis, como la vieja moneda, sino reais, la forma moderna del plural).

Monedas y billetes del segundo real

Desde 1994, la moneda de Brasil es la misma. El real es la unidad más estable desde los tiempos del Imperio.

Clipping: ‘Lançamento da cédula de 500 pesos argentinos com a imagem da onça-pintada’

30 de junho de 2016, 9h24. O anúncio foi feito ontem pelo BCRA. A medida ajudará a agilizar os pagamentos e tirará a “pressão” dos caixas automáticos. A cédula de 100 pesos perdeu poder de compra frente à desvalorização e ao avanço da inflação.

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O Banco Central da Argentina anunciou o lançamento da nova cédula de 500 pesos, que terá a imagem da onça-pintada. O BC argentino começará a distribuir a cédula às instituições bancárias a partir de hoje, conforme foi oficialmente informado, e chegará às pessoas por meio das agências bancárias e caixas automáticos. Com o lançamento, serão sete cédulas de diferentes denominações em circulação por todo o país.

A cédula de 500 pesos, de tonalidade verde, terá a figura de uma onça-pintada [yaguareté no espanhol platino] do noroeste do país; a cédula de 200 pesos, de cor azul e com a imagem da baleia-franca-austral deverá ser lançada em outubro. A partir do ano que vem, a nova família de cédulas chamada “Animais autóctones da Argentina” será completada com a emissão das cédulas de 20, 50, 100 e mil pesos (esta com o desenho de um joão-de-barro [hornero, em espanhol], a ave nacional da Argentina), além da aparição das novas moedas de 1, 2, 5 e 10 pesos.

O governo anterior sempre se negou a emitir novas cédulas para não admitir o processo inflacionário. Este ano, quando o macrismo confirmou a ideia de lançar novas demoninações, o ex-titular do BC Alejandro Vanoli mostrou por sua conta no Twitter uma série de imagens que mostravam esboços que a entidade preparava. Assim, pode-se saber que, para a cédula de 200 pesos, o kirchnerismo pretendia ilustrá-lo com a imagem de Hipólito Yrigoyen, e que, para a de 500, pensava-se em Juan Domingo perón.

A cédula de 100 pesos, que é atualmente a maior denominação, perdeu poder de compra frente ao avanço da inflação desde 2007 e às desvalorizações que o BC levou a cabo.

Publicação original.

‘Cabeções’

Costumo chamar “cabeções” as últimas cédulas do padrão terceiro cruzado novo-cruzeiro/cruzeiro real, cujo marco inicial é a peça de 50 mil cruzeiros com a efígie do historiador, escritor e folclorista Luís da Câmara Cascudo, lançada em dezembro de 1991.

A série, iniciada com a peça de 50 cruzados novos, que homenageia o poeta Carlos Drummond de Andrade, transpassa três padrões monetários e destacou-se por dar imagem a vultos da cultura, em vez das personalidades ligadas à política ou ao campo militar.

A subsérie dos cabeções têm continuidade com as cédulas de 500 mil cruzeiros (Mário de Andrade), 1.000 cruzeiros reais, 5 mil cruzeiros reais (gaúcho) e 50 mil cruzeiros reais (baiana).

A concepção artística é diferente da vigente até então. Basta compararmos as cédulas de 10 mil cruzeiros com a seguinte, de 5o mil cruzeiros, lançada em 9 de dezembro de 1991.

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Nota-se que o busto de Câmara Cascudo é bem maior. Em vez de retratar a cabeça toda, optou-se por dar destaque ao rosto, mesmo com algumas omissões, como o topo da cabeça. Além da questão da cabeça, trata-se da primeira cédula que incorpora elementos de auxílio para os deficientes visuais (as três barras sobre o 50), que estarão presentes em todas as cédulas emitidas a partir de então (exceto na de 1.000 cruzeiros reais). Note-se ainda a figura do jangadeiro, relacionada aos estudos de Cascudo, e um grande sol, de cor mais viva que os resto da cédula. Como fundo, um padrão que lembra o da renda, outro elemento da cultura popular do Rio Grande do Norte.

O registro coincidente reproduz o Forte dos Reis Magos, ponto de interesse histórico de  Natal, capital norte-rio-grandense e local de nascimento do intelectual.

E o mesmo para os valores subsequentes (exceto a de 100 mil cruzeiros).

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Cédula de 500 mil cruzeiros, com o escritor Mário de Andrade (1893-1945). Detalhe para o registro coincidente, a famosa muiraquitã, o amuleto de Macunaíma, protagonista do romance homônimo (1928). A peça foi lançada em 29 de janeiro de 1993.

baud_pauliceia.jpgAlém da muiraquitã, este anverso traz ainda um padrão de losangos que lembra muito a primeira capa de “Pauliceia desvairada” (1922, à esquerda), que reproduz a roupa de Pierrot, personagem da Commedia dell’Arte. Note-se ainda uma silhueta hachurada no centro da cédula, e o verso “E então minha alma servirá de abrigo”, do poema “Descobrimento”.

O reverso traz o escritor rodeado de crianças e com o Edifício Martinelli, marco do Centro Histórico da capital paulista, ao fundo.

Também o topo do chapéu do Mário não aparece, concentrados os detalhes na fisionomia do retratado.

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A cédula de 1.000 cruzeiros reais, lançada em em 1º de outubro de 1993, traz o educador Anísio Teixeira (1900-1971). É a última cédula brasileira de circulação comum a trazer o rosto de um benemérito.

A cédula do gaúcho, lançada em 29 de outubro de 1993, justamente por tratar-se de um tipo regional e não uma pessoa específica, traz o resto numa perspectiva um pouco mais ampla, mas que ainda se enquadra na tipologia “cabeção”, ao fundo, no centro, detalhe do edifício do Parque-Escola concebido pelo Educador.

Como registro coincidente, uma coruja estilizada, símbolo do conhecimento, cujas sobrancelhas têm a forma de um livro aberto.

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Cédula de 5 mil cruzeiros reais, com o gaúcho e as ruínas da igreja jesuítica de São Miguel das Missões/RS; o registro coincidente é uma cuia de chimarrão e sua bomba. Sobre a igreja, uma planta, muito possivelmente de erva-mate (Ilex paraguariensis).

E, finalmente, a baiana, personagem que já havia sido homenageada em moeda. A cédula foi lançada em 30 de março de 1994 e valeu apenas até 15 de setembro do mesmo ano.

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Cédula de 50 mil cruzeiros reais, com a baiana ladeada por penduricalhos, entre os quais se vê uma figa, um peixe e algo como um dente (ou um corno?); no registro coincidente, outra figa.

A série ficou com este “espaço” entre os valores de 5 mil e 50 mil; uma cédula de 10 mil cruzeiros reais estava prevista, mas nunca entrou em circulação.

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Ensaio/prova da cédula de 10 mil cruzeiros reais, que nunca entrou em circulação, que mostra a rendeira e detalhes da almofada, com um pedaço de renda e os bilros. O tipo já havia sido homenageado em uma moeda; como registro coincidente, um detalhe de renda.

Beija-flores

Este interessante artigo do Diniz Numismática mostra a inspiração muito similar em cédulas totalmente diferentes, no caso, uma hondurenha e uma brasileira.

Mas o nosso querido Banco Central reutilizou artes já prontas. Basta ver a cédula de 100 mil cruzeiros/100 cruzeiros reais (1991-1993) e a nossa saudosa cédula de 1 real, cuja produção começou em 1994. O beija-flor, usado no anverso da primeira e no reverso da segunda, é o mesmo. Pode contar os detalhes, apenas cuidado para não tropeçar na “renda” impressa na cédula de 100 mil cruzeiros.

Tendo em vista que a ideia original da primeira família de cédulas do real era ser provisória, a ideia não era assim tão absurda. O problema é que o provisório durou praticamente 16 anos, até as primeiras cédulas da segunda família aparecerem, em 2010; embora a dita cédula tenha sido produzida somente até 2005.

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