Vigência das cédulas de maior valor

Embora o assunto principal deste blogue sejam as moedas, é interessante ver o comportamento do nosso meio circulante de papel.

Tendo em conta os ciclos inflacionários pós-1942, fizemos uma contagem aproximada de quanto tempo determinada cédula foi a maior em circulação enquanto outra não a suplantou.

No período pós-1942, a mais longeva é a cédula de 100 reais, que continua contando tempo aos seus 23 anos em circulação como valor mais alto. A que ocupou o posto por menos tempo foi a de mil cruzeiros reais, por 28 dias em outubro de 1993.

Os valores de equivalência de poder de compra são em níveis de junho de 2017.

Mil cruzeiros (1943) – aproximadamente 19 anos. Pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas, pela correção inflacionária, essa cédula, quando lançada, teria o poder de compra hoje de aproximadamente R$ 2,3 mil. Em 1947 pagava mil tarifas de ônibus na cidade de São Paulo (Cr$ 1,00). Comprava, em dezembro de 1943, US$ 94,07, a Cr$ 10,63 por dólar (fonte Diário da Noite de 30 dez. 1943).

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5 mil cruzeiros (17 dez 1962) – aproximadamente três anos e quatro meses. Em valores atualizados, valia, em seu lançamento, o equivalente a R$ 383. Pagava exatamente 200 passagens de ônibus em São Paulo (Cr$ 25). Em 27 dez. 1962, o dólar cotava-se a Cr$ 810, logo, a cédula comprava US$ 6,17 (fonte Correio da Manhã de 27 de dezembro de 1962).

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10 mil cruzeiros (agosto de 1966) 10 cruzeiros novos (a partir de 13 fev. 1967) – três anos e nove meses. Valia, no lançamento, cerca de R$ 120. Pagava 66 passagens de ônibus (Cr$ 150) e sobravam Cr$ 100. Em 11 de agosto de 1966, o dólar valia Cr$ 2.200; a cédula comprava US$ 4,54 (fonte Correio da Manhã de 11 de agosto de 1966).

Em fevereiro de 1967, a cédula pagava as mesmas passagens, mas comprava apenas US$ 3,69, com o dólar cotado a NCr$ 2,71 (fonte Correio da Manhã de 21 de fevereiro de 1967).

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100 cruzeiros (15 maio 1970) – dois anos e seis meses. Poder de compra estimado em R$ 568 na data de lançamento. Pagava 285 passagens de ônibus (Cr$ 0,35) e sobrava Cr$ 0,25. Comprava então US$ 22,27 (Cr$ 4,49 por dólar).

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500 cruzeiros (15 nov 1972) – seis anos e 21 dias. Valor estimado em R$ 1,8 mil. Pagava mil passagens de ônibus, a Cr$ 0,50 cada. Comprava então US$ 81,57 (Cr$ 6,13 por dólar).

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Mil cruzeiros (06 dez 1978) – um ano, dez meses e dois dias. Cerca de R$ 600. Pagava 333 passagens de ônibus e sobrava Cr$ 1. Comprava então US$ 48,85 (Cr$ 20,47 por dólar).

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5 mil cruzeiros (08 set 1981) – três anos, um mês e 23 dias. Poder de compra estimado em R$ 520. Pagava 227 passagens de ônibus, a Cr$ 22 cada, e sobravam Cr$ 6. Comprava então US$ 47,78 (Cr$ 104,64 por dólar).

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50 mil cruzeiros (01 nov 1984) – onze meses e dois dias. Poder de compra de R$ 260. Pagava exatamente 125 passagens de ônibus a Cr$ 400 cada. Comprava então US$ 18,53 (Cr$ 2.698 por dólar).

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100 mil cruzeiros (03 out 1985) – um ano e dezessete dias. Poder de compra de R$ 180 na data do lançamento. Pagava 111 passagens de ônibus, a Cr$ 900 cada, e sobravam Cr$ 100. Comprava então US$ 12,29 (Cr$ 8.135 por dólar).

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500 cruzados (20 out 1986) – onze meses e nove dias. R$ 480 em poder de compra. Pagava 333 passagens de ônibus, a Cz$ 1,50, e sobrava Cz$ 0,50. Comprava então US$ 36,13 (CZ$ 13,84 por dólar).

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Mil cruzados (29 set 1987) – onze meses e catorze dias. R$ 220 em poder de compra. Pagava exatamente cem passagens de ônibus a Cz$ 10 cada. Comprava então US$ 20,12 (Cz$ 49,71 por dólar).

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5 mil cruzados (15 set 1988) – dois meses e nove dias. Poder de compra estimado em R$ 175. Pagava 62 passagens, a Cz$ 80 cada, e sobravam Cz$ 40. Comprava então US$ 15,56 (Cz$ 321,25 por dólar).

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10 mil cruzados (24 nov 1988) – dois meses e 23 dias. Poder de compra estimado em R$ 220. Pagava 125 passagens, a Cz$ 80 cada. Comprava então US$ 19,25 (Cz$ 519,60 por dólar).

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50 cruzados novos (17 mar 1989) – dois meses e dois dias. Poder de compra estimado em R$ 430. Pagava 294 passagens, a NCz$ 0,17 cada, e sobrava NCz$ 0,02. Comprava então US$ 50,00 (NCz$ 1,00 por dólar).

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100 cruzados novos (19 maio 1989) – cinco meses e onze dias. Poder de compra estimado em R$ 780. Pagava 588 passagens, a NCz$ 0,17 cada, e sobrava NCz$ 0,04. Comprava então US$ 110 (NCz$ 1,10 por dólar).

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200 cruzados novos (08 nov 1989) – três meses. Poder de compra estimado em R$ 300. Pagava 181 passagens, a NCz$ 1,10 cada, e sobravam NCz$ 0,90. Comprava então US$ 33,06 (NCz$ 6,05 por dólar).

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500 cruzados novos (08 fev 1990) – dois meses e um dia. Poder de compra estimado em R$ 220. Pagava 142 passagens, a NCz$ 3,50 cada, e sobravam NCz$ 3. Comprava então US$ 20,53 (NCz$ 24,35 por dólar).

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5 mil cruzeiros (09 abr 1990) – um ano e quinze dias. Poder aquisitivo estimado em R$ 670. Pagava 333 passagens, a Cr$ 15 cada, e sobravam Cr$ 5. Comprava então US$ 40,67 (NCz$ 106,72 por dólar).

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10 mil cruzeiros (26 abr 1991) – sete meses e onze dias. R$ 260 em poder aquisitivo. Pagava exatamente cem passagens, a Cr$ 100 cada. Comprava então US$ 39,78 (Cr$ 251,37 por dólar).

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50 mil cruzeiros (09 dez 1991) – sete meses e treze dias. R$ 450 em poder de compra. Pagava exatamente 200 passagens, a Cr$ 250 cada. Comprava então US$ 52,86 (Cr$ 945,85 por dólar).

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100 mil cruzeiros (24 jul 1992) – seis meses e cinco dias. Cerca de R$ 210 em poder de compra. Pagava 66 passagens, a Cr$ 1.500 cada, e sobravam Cr$ 1.000. Comprava então US$ 26,39 (Cr$ 3.790 por dólar).

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500 mil cruzeiros (29 jan 1993) – oito meses e 28 dias. Algo por volta de R$ 280 em poder aquisitivo. Pagava exatamente 125 passagens, a Cr$ 4.000 cada. Comprava então US$ 35,51 (Cr$ 14.081 por dólar).

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Mil cruzeiros reais (01 out 1993) – 28 dias. Poder aquisitivo na data de lançamento de R$ 50. Pagava 16 passagens, a CR$ 60 cada, e sobravam CR$ 40. Comprava então US$ 6,70 (CR$ 149,26 por dólar).

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5 mil cruzeiros reais (29 out 1993) – cinco meses e um dia. Cerca de R$ 270 em poder de compra. Pagava 62 passagens, a CR$ 80 cada, e sobravam CR$ 40. Comprava então US$ 35,51 (CR$ 149,23 por dólar).

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50 mil cruzeiros reais (30 mar 1994) – três meses e um dia. Poder aquisitivo equivalente a R$ 380. Pagava 333 passagens, a CR$ 150 cada, e sobravam CR$ 50. Comprava então US$ 66,18 (CR$ 755,52 por dólar).

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100 reais (01 jul 1994) – 23 anos e um mês (até 01 ago 2017). Poder aquisitivo na época equivalente a R$ 700 em junho de 2017. Pagava 200 passagens, a R$ 0,50 cada. Hoje (out. 2017) paga 26 passagens, a R$ 3,80, e sobra R$ 1,20. Comprava então US$ 108,11 (R$ 0,925 por dólar). Compra hoje (out. 2017) US$ 31,54 (a R$ 3,17 por dólar).

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Tarifas de ônibus de São Paulo/SP.
Média mensal do dólar (desde 1970).

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O cruzeiro real que nunca foi

O cruzeiro real foi a unidade monetária do Brasil entre 1º/8/1993 e 30/6/1994. Em seus nove meses de existência, foram lançadas quatro peças metálicas: em 20 de setembro de 1993, as de 5 e 10 cruzeiros reais (Comunicado BC nº 3.508, de 17/9/1993), e, em 10 de dezembro do mesmo ano, as de 50 e 100 cruzeiros reais (Comunicado BC nº 3.624, de 8/12/1993). Foram moedas efêmeras, pois perderam poder liberatório em 15/9/1994, já na vigência do real (Circular BC nº 2.471, de 24 de agosto de 1994).

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Da dir. para a esq.: anverso das peças de 5, 10, 50 e 100 cruzeiros reais (fonte: Mercado Livre).

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Da esq. para a dir.: reverso das peças de 5, 10, 50 e 100 cruzeiros reais (fonte: Mercado Livre).

As quatro moedas são nossas conhecidas. Emitidas com eras 1993 e 1994, não há quem não as tenha em suas coleções. A peça de 5 traz em seu anverso um par de araras; a de 10, um tamanduá; a de 50, uma onça-pintada e sua cria; e a de 100, o lobo-guará. O cruzeiro real deu continuidade “natural” à série que vinha já do cruzeiro (1990-1993), com as peças de 100 (peixe-boi), 500 (tartaruga marinha) e 1.000 cruzeiros (acará), seja nas dimensões ou na temática.

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Da esq. para a dir.: moedas de 1.000, 500 e 100 cruzeiros que provavelmente seriam a base das peças de 1 cruzeiro real, 50 e 10 centavos (fonte: sergiobatista-moedas)

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Moedas de 10 e 50 cruzeiros, possíveis bases (a serem reduzidas?) das moedas de 1 e 5 centavos de cruzeiro real.

Porém, há um detalhe que passa despercebido a muita gente. Trata-se da Resolução BC nº 2.010, de 28/7/1993, que é justamente a que informa sobre a vigência iminente do cruzeiro real. Ali há a previsão de uma família um pouco diferente daquela que conhecemos.

Art. 19. As moedas divisionárias a que se refere o artigo precedente serão cunhadas em aço inoxidável, com temática centrada em aspectos típicos do Brasil, observando as características gerais adiante descritas:

A – 1 centavo do cruzeiro real: – diâmetro: 16 mm; – tema do anverso: Seringueiro;

B – 5 centavos do cruzeiro real: – diâmetro: 17 mm; – tema do anverso: Baiana;

C – 10 centavos do cruzeiro real: – diâmetro: 18 mm; – tema do anverso: Peixe-Boi;

D – 50 centavos do cruzeiro real: – diâmetro: 19 mm; Resolução n° 2010, de 28 de julho de 1993 – tema do anverso: Tartaruga-Marinha;

E – 1 cruzeiro real: – diâmetro: 20 mm; – tema do anverso: Acará.

Ninguém viu essas moedas. Na verdade, elas seriam adaptação da numária até então vigente.

As moedas de 1 e 5 centavos apresentadas têm os mesmos temas das moedas de 10 e 50 cruzeiros emitidas entre 1990 e 1992, mas os tamanhos são diferentes: enquanto a moeda de 10 cruzeiros tinha 22,5 mm de diâmetro, a nova peça equivalente, de 1 centavo, teria apenas 16mm; a de 50 cruzeiros media 23,5 mm; a equivalente de 5 centavos teria 17 mm. No que se pensava no Banco Central e na Casa da Moeda? Em versões reduzidas, como ocorreu com as moedas de 5, 10 e 50 pence no Reino Unido?

As medidas dessas duas peças novas fariam conjunto perfeito com as adaptações das moedas de 100, 500 e 1.000 cruzeiros (10, 50 centavos e 1 cruzeiro real, respectivamente), com 17 mm, 18 mm e 19 mm, nessa sequência.

Como a iconografia é mantida pelo decreto, imagina-se, pelo menos para as moedas de 10, 50 centavos e 1 cruzeiro real a adaptação das peças de cruzeiro.

É curioso ainda notar o art. 20 da mesma resolução:

Art. 20. O Banco Central do Brasil colocará em circulação, até 31.12.93, moedas dos valores de CR$ 5,00 (cinco cruzeiros reais) e CR$ 10,00 (dez cruzeiros reais), adaptando ao novo padrão monetário as características gerais das moedas de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) e Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros), aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, em sessão de 29.06.93, e adiante descritas:

A – 5 cruzeiros reais: – diâmetro: 21 mm; – tema do anverso: Arara;

B – 10 cruzeiros reais: – diâmetro: 22 mm; – tema do anverso: Tamanduá-Bandeira.

Ou seja, as peças de 5 e 10 cruzeiros reais seriam lançadas como 5 mil e 10 mil cruzeiros. E se foram aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, provavelmente há arte-final dessas peças, ou na Casa da Moeda ou no Banco Central.

O fato de não termos visto essas moedas divisionárias do cruzeiro real deve-se à inflação e seu valor já muito baixo. Corrigido pelo IGP-M, o valor atual (janeiro/2017) de um cruzeiro real seria de R$ 0,10, o que tornaria as moedas divisionárias inúteis. Para uma comparação, a primeira cotação do dólar em cruzeiro real, em 2/8/1993, foi de CR$ 72,06.

Referências

BACEN – BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular nº 2.471, de 24 de agosto de 1994. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/43168/Circ_2471_v1_O.pdf>. Acesso em 23 fev. 2017.

______. Resolução nº 2.010, de 28 de julho de 1993. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/43582/Res_2010_v1_O.pdf>. Acesso em 23 fev. 2017.

Novo espectro monetário na Venezuela

Por conta da inflação rampante, a Venezuela finalmente admitiu a necessidade de reformular seu espectro monetário. Em 2008, o velho bolívar, unidade monetária desde 1879, teve três zeros cortados. Mil bolívares (VEB) passaram a ser 1 bolívar forte (VEF).

O espectro inicial era:

Moedas: 0,01 e 0,05 VEF (cobre); 0,10, 0,125, 0,25 e 0,50 VEF (níquel); e 1 VEF (bimetálica; anel de latão e núcleo de níquel). Chama a atenção a presença da moeda de 12 ½ cêntimos, chamada popularmente de locha, equivalente a um oitavo de bolívar. Trata-se de recriação romântica de moeda que circulou entre 1896 a 1969.

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Moeda de 12 1/2 cêntimos emitida em 2008.

Cédulas: 1, 2, 5, 10, 20 e 100 VEF.

O espectro inicial fez sentido, mas com a inflação, em 2016 a taxa de câmbio ultrapassou ou 5.000 VEF por USD, ou seja, a maior cédula em circulação, 100 VEF, valia aproximadamente 0,02 USD, o que causa atualmente uma verdadeira catástrofe na vida do cidadão.

Para dezembro de 2016, está prevista a introdução de novas moedas de 10, 50 e 100 VEF (níquel) e cédulas de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 bolívares. As cédulas são graficamente reaproveitamento das cédulas que ora nada valem.

Lado a lado: a nova cédulas de 5.000 VEF e a de 20 VEF introduzida em 2008.

Clipping/Argentina: ‘Custo de fabricação da moeda de 5 centavos é o dobro do valor nominal’

Por Cecilia Boufflet (Blog Vil Metal, Infobae) – 22/9/2013

Ainda que o INDEC [Instituto Nacional de Estatísticas e Censo, da Argentina] tente ocultar, a inflação é percebida em tantas situações do dia a dia. No supermercado, as notas se vão mais rapidamente cada mês que passa e as moedas tornaram-se inúteis, por exemplo. Essa perda de valor das moedas é tão forte que fabricar as menores pode custar até 134% mais do que elas valem no mercado.

É o caso da moeda de 5 centavos prateada, feita com liga de cobre em níquel e com peso de 2,25 gramas cada uma. Com base nos valores desses metais em 19 de setembro [de 2013], produzir uma moeda de 5 centavos custava 11,7 centavos. E ainda é preciso somar o custo de cunhá-la na polêmica Casa da Moeda.

A moeda de 5 centavos dourada é de cobre e alumínio e, por seu peso, custa 8,2 centavos um disco — assim se chamam as moedas antes de serem cunhadas. Ou seja, 64% mais do que vale quando começa a circular. Outro caso é o da moeda de 25 centavos prateada, que por ter 25% de níquel, metal que custa 14.140 USD/tonelada, em sua liga, tem custo de produção de 31,6 centavos. Fabricar uma moeda prateada de 25 centavos prateada exige que o Banco Central invista 26,4% sobre o valor que será posto em circulação.

Ainda que o Governo não tenha tirado nenhuma dessas moedas de circulação — seria reconhecer a inflação —, o Banco Central fez as últimas edições em aço eletrorrevestido de latão, para que sejam mais baratas, mas também porque o sistema de eletrorrevestimento é o que permite às máquinas de venda as reconheça.

No limite

As moedas de 10 e as de 25 centavos em sua versão dourada estão no limite, mas seu custo de produção ainda é menor que o valor fácil. A de 10 centavos, fabricada com uma liga de cobre e alumínio e com peso de 2,25 gramas, requer metal que custa 9,2 centavos. Apenas [0,8 centavo] menos que o valor facial; espera-se, porém, que os custos de fabricação da moeda sejam maiores que seu valor de face. Na mesma situação, o metal da moeda de 25 centavos dourada custa 21,4 centavos, ao que se deve somar o custo de cunhá-la.

As que têm maior margem são as de maior valor facial. Os metais da moeda de 50 centavos custam 22,9 centavos, enquanto que a de 1 ARS tem 27,8 centavos em metal.

Outro reflexo da inflação é a participação cada vez maior das moedas de maior valor e a diminuição do uso das de menor denominação. Em setembro de 2008, havia um total de 4,96 bilhões de moedas em circulação, das quais 11,4% eram de 1 ARS e 17%, de 5 centavos.

Em cinco anos, a quantidade de moedas aumentou 55,7%, até chegar aos 7,723 bilhões de unidades atualmente. Mas a participação das moedas de 5 centavos caiu a 16,4% do total, enquanto que a das de 1 ARS cresceu e representa 16,5% do total.

A diferença mais notável é com as moedas de 2 ARS, que, em 2008, eram avis rara e representavam apenas 0,14% do total. Enquanto que, hoje em dia, as moedas de maior valor são 4% do total.

O mesmo acontece quando as comparamos às cédulas. Em 2008, a quantidade de moedas emitida era 245% mais que a de cédulas, agora, porém, as moedas superam as cédulas apenas em 105%.

Está pensando em juntar moedas de 5 centavos e vendê-las como metal? Parece que não é bom negócio, pois é preciso assumir o custo de separar a liga. Mas o que parece também mau negócio é comprar metal por 11,7 centavos para fabricar moedas de 5 centavos, o que se faz isso na Argentina.

Clipping/Venezuela: ‘BCV anuncia emissão de cédulas de 500 e mil bolívares’

Do site Notilogía, 21/6/2016

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O Banco Central da Venezuela (BCV) prepara-se para pôr em circulação as novas cédulas de maior denominação, adaptando-se à situação atual dos venezuelanos, conforme informou de maneira extraoficial o canal NTN24. Sem dúvida, os economistas ratificaram que as cédulas não atenderão as expectativas, já que as emissões não sanarão as necessidades do país.

De maneira extraoficial, deu-se a conhecer que no decorrer das semanas o Banco Central da Venezuela anunciará a emissão das novas cédulas, de 500 e mil bolívares, com a ideia de redirecionar e distribuir os recursos.

Por outro lado, o deputado da Assembleia Nacional José Guerra assegurou que a cédula de maior denominação deveria ser de 2 mil bolívares, já que a crise econômica destruiu o poder aquisitivo dos venezuelanos.

Economistas reiteraram que a emissão da cédula de mil bolívares não basta para atender as necessidades do país, por conta da inflação alta e desvalorização constantes.

Clipping: ‘E se vier o peso federal? Vantagens e desvantagens da troca da moeda na Argentina’

O país mudou de moeda em várias oportunidades, deixando quantidades significativas de zeros pelo caminho: um total de 13

Por Nicolás Litvinoff

Original.

Terça-feira, 5 de fevereiro de 2013, 3h09

Há pouco mais de uma semana, o ex-vice-presidente, Julio Cobos, afirmou em uma entrevista de rádio que o governo estaria preparando a emissão de uma nova moeda, o peso federal, que substituiria o atual (e vilipendiado) peso conversível (que de conversível já não tem mais nada).

O que exatamente disse Julio Cobos?

Tudo começou com as declarações à Rádio El mundo, em 25 de janeiro último: “Até me chegou um comentário de que estão estudando a mudança da moeda, o peso federal ou algo parecido”.

No dia seguinte, vieram declarações mais detalhadas: “É uma das várias soluções para a inflação que chegaram ao Governo para terminar com essa espiral”. Contou que a informação lhe havia sido passada uns quinze dias antes em Buenos Aires. Disse ainda: “é uma versão mais, não lhe dei tanta importância; mas acredito que não é possível suportar mais esta situação inflacionária, e, por tal, o Governo deve tomar alguma medida. Seria algo parecido com o que ocorreu com o austral. A saída é estabelecer uma moeda que não se desvalorize, uma moeda forte”. E disse na sequência: “Entendo que buscam uma maneira de sair do enrosco, uma desvalorização programada, e voltar a valorizar a moeda”. Dois dias depois, em declaração a La Voz del Interior, disse: “o que me chegou de fontes relativamente confiáveis é que estaria entre as medidas para sair do atraso e da prisão cambiária. Estavam pensando em uma reforma da moeda, do peso. Até com nome, me disseram: ‘peso federal’”.

Ainda que Julio Cobos não faça mais parte do Governo, a maior parte da equipe que exerce o poder executivo continua a mesma. Ter sido o número dois dessa equipe seguramente garante um conhecimento que poucos mortais têm sobre o fincionamento “portas adentro” do atual governo. Como todo ex-funcionário, provavelmente o ex-vice-presidente mantém algum tipo de contato com funcionários (ou com subordinados ou assessores destes).

Tudo o dito anteriormente não garante a veracidade do rumor, mas serve para chamar a atenção para não descartá-lo imediatamente sem uma análise mais detalhada.

Breve história das mudanças de moeda na Argentina

A história das moedas argentinas

Os Estados Unidos adotaram o dólar como moeda oficial em 1792 (há 221 anos).

Os mais jovens poderiam pensar que aconteceu algo similar com o peso na Argentina. Mas quem tem já uns anos a mais sabe que o país mudou de moeda em várias oportunidades, deixando quantidades significativas de zeros no caminho: um total de 13.

Mas a essas modificações é preciso juntar uma tentativa fracassada: no final de 2001, David Expósito, economista e jornalista, chegou à presidência do Banco Nación após apresentar ao presidente Rodríguez Saá um plano para emitir uma terceira moeda: o argentino.

Essa nova moeda flutuaria em relação ao peso e ao dólar. O novo sistema monetário, com três moedas em circulação, teria sido similar àqueles que praticam países como Cuba e China.

A ideia, porém, fracassou, e Expósito deixou de ser presidente do Banco Nación apenas 48 horas depois de tê-lo assumido, logo depois de dar declarações à imprensa na que dava a entender que a nova moeda já nasceria desvalorizada.

Razões e potenciais do novo peso federal

O que diferencia uma moeda das demais mercadorias de uma economia?

Uma moeda tem certas funções e propriedades que nenhum outro bem pode ter:

Unidade de conta. É a função inicial, da qual derivam as outras, que permite representar as distintas mercadorias por um só elemento.

Meio de pagamento. É a função diferenciadora da moeda, que permite que as obrigações entre duas partes sejam canceladas de forma exata, sem que fique dívida alguma. Dado que os saldos entre operações de débito/crédito não são sempre de soma zero, a moeda permite eliminar esses saldos.

Meio de troca. Serve como intermediário para evitar os intercâmbios diretos de mercadorias por outras mercadorias.

Reserva de valor. Permite manter o poder de compra ao largo do tempo.

Dessas quatro atribuições, a última mencionada (reserva de valor) é uma das mais importantes e é, justamente, a disciplina pendente que o peso conversível tem na atualidade: a sensação de que os pesos derretem-se na mão de que os cobra é fruto do aumento de preços na ordem de 25% ao ano que estamos suportando há vários anos e que cria a necessidade de gastar as cédulas antes que percam poder aquisitivo.

Quais são as vantagens que o Governo poderia atribuir ao nascimento de uma nova moeda? Arriscando um pouco, poderíamos assinalar cinco:

1) Seria um reconhecimento implícito, por parte do Governo, de que a inflação é um problema real e que procurará combatê-lo. Essa medida poderia vir acompanhada de um controle de preços mais forte, baseado nos valores que surjam a partir da troca de pesos conversíveis por pesos federais (1 a 10 seria, talvez, uma boa medida, com a qual 100 pesos “de agora” passariam a ser 10 pesos “novos”).

2) Poderia solucionar o problema do transporte físico. Atualmente, para quem prefere pagar com dinheiro em vez de fazê-lo com cartão, a quantidade de cédulas que tem de levar para fazer a compra mensal no supermercado já é incômodo… sem falar quando se trata do comprador de um automóvel ou de um imóvel (será preciso ir com um caminhão de mudança).

3) Poderia resolver a questão da deterioração e das más condições das atuais cédulas de 2, 5, 10 e, principalmente, 50 pesos, que de tanto trocar de mãos encontram-se muito deteriorados.

4) Permitiria deixar de uma vez por todas a convertibilidade e faria com que a desvalorização de mercado que se está levando a cabo não pareça tão “sangrenta”, já que o dólar oficial passaria a valer (levando em conta o ponto 1) 50 centavos de peso deral, enquanto o blue valeria 80 centavos. Dessa maneira, o objetivo do paralelo talvez fosse chegar a 1 peso federal (10 pesos atuais) em algum momento posterior à mudança da moeda.

5) Poderia restaurar a confiança na moeda local, tão vilipendiada após anos sofrendo inflação de dois dígitos, ainda que seja de maneira momentânea.

Conclusão

Supondo que o novo peso federal perdesse um zero com relação ao peso atual, o câmbio ficar por volta de 0,80 peso federal/dólar. Notável coincidência com a marca de câmbio inicial do Plano Austral.

Segundo os últimos dados oficiais, as reservas do Banco Central são de US$ 42, 83 bilhões. Com a marca de câmbio mencionada, teríamos um meio circulante de aproximadamente 53 bilhões de pesos federais, que ficaria inicialmente lastreado pelas reservas. Se esse respaldo com reservar manter-se no tempo, a demanda de dólares como reserva de valor poderia diminuir substancialmente.

Mas para que uma medida dessas tenha êxito, há dois fatores que deveriam estar presentes: a abertura da prisão cambiária (não pode haver confiança na nova moeda se as restrições continuam) e, na sequência, um pacote de medidas anti-inflacionárias concretas.

A mudança de moeda seria um plano de choque anti-inflacionário, que poderia servir para mudar as expectativas, atualmente negativas, do peso.

Sem dúvida, é importante destacar que se trataria de um “câmbio artificial”, que tem um efeito mais psicológico que econômico.

Esse efeito de curto prazo deveria ser aproveitado para implantar políticas de longo prazo para que tenha alguma chance de êxito e para que não caia nos velhos erros do passado recente.

Clipping: ‘A terceira moeda argentina não convence’

Enquanto o novo presidente da Argentina, Adolfo Rodríguez Saá, consolida-se no poder, os investidores expressaram seu ceticismo com relação à proposta de introduzir uma moeda paralela para ajudar a Argentina a sair da limitação monetária que atrela o valor do peso ao do dólar.

Por Matt Moffett e Michelle Wallin readatores de The Wall Street Journal

26 de dezembro de 2001

A ideia que Rodríguez Saá e seus assessores explicaram consiste em atribuir liquidez à economia sem quebrar com a convertibilidade, o que conduziria a uma traumática desvalorização do peso. O sistema de convertibilidade proíbe a impressão de moeda se não houver reservas em dólar para lastreá-la. Isso limita a capacidade do governo em promover qualquer tipo de injeção monetária que permitisse à Argentina sair da recessão em que se encontra há quatro anos.

O plano incluiria a emissão do que seria tecnicamente um bônus negociável, em vez de uma moeda. Mas tal conceito parece ser inspirado no que já fizeram várias províncias argentinas, que pagam seus funcionários púbicos e prestadores de serviço com bônus que são usados como moeda de curso legal. Mais de US$ 1 bilhão desses bônus já estão em circulação; o principal exemplo é o chamado patacón, emitido pela província de Buenos Aires. Carlos Ruckauf, governador bonaerense, disse que o volume do novo instrumento do presidente da República superaria o dos bônus provinciais em circulação emitidos pelas províncias sem dinheiro. A ausência de uma autoridade federal obrigou cada província a emitir sua própria moeda, disse Ruckauf.

Mas os críticos dizem que essa imensa quantidade de bônus na Argentina corre o risco de sair do controle. Na província de Córdoba, há já quatro tipos de moedas ou bônus em circulação. Alguns investidores estrangeiros dizem estar consternados pela nova proposta de moeda e por outras ideias econômicas de Rodríguez Saá. Ignacio E. Sosa, da One World Investments LP, diz que o plano enfraquece o valor do peso e, eventualmente, tornaria ainda mais dolorosa uma desvalorização. A combinação de imprimir distintas moedas, caso a convertibilidade seja mantida, é simplesmente uma receita para o desastre, diz. Tudo o que fizeram foi postergar o dia do juízo final.

Essas são as más notícias para os detentores de bônus, já que significa que o Estado terá menos dinheiro para pagar seus credores.

Os investidores expressaram suas preocupações na segunda-feira, no dia seguinte à posse de Rodríguez Saá, quando alguns bônus baixaram à cota de US$ 0,25.

José de Mendiguren, presidente da principal organização empresarial do país, conhecida como União Industrial Argentina, disse que o anúncio de Rodríguez Saá marcou o fim da rígida lei de convertibilidade de 1991.

Disse ainda que, enquanto a UIA reconheceu que a “terceira moeda” poderia ajudar a estimular a demanda, essa não era o substitutivo de um sistema monetário permanente e mais flexível. É uma medida provisória para movimentar a economia, disse.

Hernán Fardi, economista da consultoria Maxinver, diz que os economistas argentinos cogitaram a ideia de uma terceira moeda para sair da convertibilidade. Mas sua grande preocupação é se o clima político instável permitirá ao governo emplacar alguma medida econômica que tenha sucesso.

Pamela Druckerman contribuiu neste artigo.

N. do T.: chegou-se mesmo a nomear a natimorta moeda como argentino. Rodríguez Saá foi presidente da Argentina exatamente por uma semana, entre 23 e 30 de dezembro de 2001, no vácuo de poder produzido pela renúncia de Fernando de la Rúa e seu vice. As declarações dadas pelo então presidente do Banco da Nação Argentina, David Expósito, sobre a irresponsabilidade da medida, custou-lhe o cargo, que ocupou por 48 horas.

Artigo original.

patacon20.jpg

O argentino morreu no ventre, mas aí está um chamado patacón, bônus emitido pela província de Buenos Aires para cumprir com suas obrigações financeiras.