As estrelas da série do cruzado novo/terceiro cruzeiro

Tratamos já das moedas do cruzado novo/terceiro cruzeiro em outra ocasião, mas as moedas brasileiras sempre têm alguma surpresa.

No caso dessa série específica, o detalhe tem relação ao significado das estrelas no reverso. E notório que a disposição e o número delas e cada anverso não obedecem à forma como se encontram na bandeira nacional, com exceção da estrela α-Spica, que representa o Pará e fica acima da faixa; segundo Vergara (2002, p. 231 e ss.), as estrelas representam o valor em braile.

Para quem não conhece o sistema Braille, trata-se da escrita tátil direcionada aos deficientes visuais, em que cada caractere — letra ou número — é representado dentro de uma grade de pontos com três linhas e duas colunas, chamada de célula.

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Para as moedas de centavos, colocadas em circulação a partir de 28 de abril de 1989, vêm simplesmente o sinal que representa o número; o mesmo vale para as peças precursoras, da série, as três moedas de 100 cruzados comemorativas do centenário da abolição da escravidão (1988).

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Reverso comum das três peças comemorativas do centenário da abolição da escravidão (1988); no centro, á direita, os três sinais compostos de uma, três e três estrelas, representando os números 1, 0 e 0, que formam 100, o valor da peça. Repare a ausência do prefixo numérico.

As peças incluídas já no padrão novo, o cruzeiro, lançadas em 31 de maio de 1990, com exceção da de 1 cruzeiro, trazem, além dos símbolos numéricos, o chamado prefixo numérico, que indica para o deficiente visual que a sequência tátil que se segue representa número. Característica que segue inclusive a polêmica moeda “Cruz de Cristo”, a de 1 cruzado novo que não chegou a ser emitida.

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Anverso da peça de 1 cruzado novo (“Cruz de Cristo”), que não chegou a ser lançada, mas que tem a mesma configuração das peças futuras de 5, 10 e 50 cruzeiros. Além o sinal do número em si, há, à esquerda deste, o prefixo numérico (o L invertido).

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Medalhística: os 140 anos da Colônia Murici

SÃO JOSÉ DOS PINHAIS/PR – Descendentes de poloneses em São José dos Pinhais, cidade vizinha à capital paranaense, Curitiba, apresentaram, no último dia 2 de março, à imprensa especializada o design da medalha que será produzida em comemoração aos 140 anos da fundação da Colônia Murici, em 2018. Importante espaço agroeconômico do município, a Colônia é reconhecida nacionalmente por ainda manter vivas muitas das tradições de seus fundadores poloneses.

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Desenho inicial do anverso mostrando uma carroça, representando a chegada dos poloneses, os pinheiros-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia, árvore-símbolo do Estado), uma águia branca (ligada à simbologia da Polônia) e a constelação do Cruzeiro do Sul.

Cada medalha trará um desenho alusivo à imigração e contará com o patrocínio de empresas que terão seu logotipo no reverso das peças. Ao todo, serão produzidos pelo menos dez modelos diferentes, sendo um reverso para cada patrocinador.

Várias empresas já aderiram ao projeto, mas o grupo aguarda ainda a adesão de mais colaboradores.

As medalhas têm previsão de lançamento para 2018, durante as comemorações do aniversário da Colônia e estarão à venda em site especializado. O lucro obtido com a venda será destinado a estudos históricos e étnicos na região.

O projeto indica ainda que as medalhas serão fabricadas com a técnica de fundição e feitas de zamac (liga de zinco, manganês, alumínio e cobre), com 40 mm de diâmetro e massa aproximada de 25 g. Serão feitos 53 exemplares de cada uma das dez medalhas: 50 revestidos de níquel e três de prata esterlina (.925).

Esse tipo de emissão por entes não ligados diretamente ao âmbito tradicional, como Banco Central e Casa da Moeda, dá impulso à medalhística nacional. Iniciativas como esta da Colônia Murici são sempre muito bem-vindas.

Maiores informações pelo e-mail coloniamurici2018@gmail.com.

Clipping: ‘Pela primeira vez, haverá uma Liberdade negra em uma moeda’

Por A. J. Willingham, CNN. Texto original.

13 de janeiro de 2017

Uma nova moeda comemorativa emitida pela Casa da Moeda dos EUA mostra um novo retrato da Liberdade. Com uma coroa de estrela nos cabelos e com um vestido tipo toga, ela continua patriótica como sempre. Ela é também, pela primeira vez em uma moeda oficial, representada como uma mulher negra.

A Casa da Moeda dos EUA apresentou a moeda de 24 quilates em comemoração de seus 225 anos. Contemplemos sua beleza.

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Nos próximos anos, a Casa da Moeda planeja dar a essa versão da Liberdade alguns outros amigos.

“A moeda de ouro dos 225 anos da Casa da Moeda é a primeira dentro de uma série de moedas de ouro 24 quilates que mostrará desenhos que representam alegoricamente a Liberdade em formas contemporâneas, incluindo representações asiático-americanas, hispano-americanas e indígenas, entre outras, para refletir a diversidade étnica e cultural dos EUA (leia aqui o release da Casa da Moeda, em inglês).

As moedas têm valor de face de 100 USD e esta dinâmica, mas algo já previsível, águia-careca.

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Atualização de 1º/2/2017, extraída do Coin News: o retrato da Liberdade foi criado por Justin Kunz e gravado por Phebe Hemphill.

As ciências auxiliares da numismática

A numismática é a ciência que se dedica ao estudo de moedas e medalhas, segundo o Dicionário Houaiss, ou “a ciência que tem por objeto o estudo morfológico e imperativo das moedas”, segundo Leite de Vasconcellos (1), mas ela é uma ciência que depende muito de outras, justamente pela natureza de seu objeto de estudo.

A moeda, originalmente, não era um objeto em si, ou seja, de ser apenas por ser, mas tem uma função muito específica: a de ser meio de troca neutro, sem necessidade de troca direta de mercadorias; ou seja, a moeda representa um veículo de valor; tal relação acabou, com o tempo, sendo atribuição do poder estatal.

E os Estados mudam no decorrer do tempo; consequentemente somem e aparecem instituições emissoras. Aí entra a primeira e quiçá mais importante ciência auxiliar da numismática: a história. É preciso entender o que foi, por exemplo, o Império Austro-Húngaro e a sua monarquia dual para a classificação das moedas emitidas pelo Império da Áustria e pelo Reino da Hungria, embora fossem do mesmo padrão monetário (a coroa austro-húngara). Ou como classificar as moedas de libra pré-decimais, sabendo-se, que antes do sistema decimal, a libra usava um sistema franco ou carolíngio.

Como os Estados geralmente têm uma circunscrição territorial sobre a qual exercem seu poder, a geografia. Podemos saber, pela data, em que territórios determinada peça circulava. Voltemos ao Império Austro-Húngaro. A monarquia dual, composta por Império da Áustria e Reino da Hungria, extrapolava o que hoje são os territórios da Áustria e da Hungria. A Áustria, dentro do Império Austro-Húngaro, incluía os territórios atuais de Áustria, República Tcheca e partes da Itália, da Eslovênia, da Croácia, da Ucrânia e da Romênia; o Reino da Hungria incluía a atual Hungria, Eslováquia, partes de Eslovênia, Croácia, Ucrânia, Romênia, Sérvia e Polônia; havia ainda a Bósnia, que era condomínio austro-húngaro. Logo, as moedas emitidas por Viena e Budapeste circulavam nesse vasto território.

As moedas são geralmente feitas de metal, principalmente no mundo ocidental. Desde há muito, usam-se discos de metal puro ou muito puro, como cobre, prata, ouro e alumínio, ou de ligas, como cuproníquel, aço inox, bronze, bronze-alumínio. A ciência que trata dos metais, suas propriedades e suas ligas é a metalurgia, relativamente esquecida entre os colecionadores. Também a fabricação de moedas é campo da metalurgia.

Não podemos nos esquecer de outra ciência muito importante. As moedas, como símbolo de um valor, tinham poder de compra; a relação da moeda com o poder de compra é estudada pela economia. O que determinada moeda comprava em tal época é uma questão que pode ser respondida por meio de conhecimentos econômicos. Também se pode explicar por meio da economia a mudança dos metais das moedas, geralmente atribuída à inflação e ao aumento do valor do metal com relação ao valor extrínseco das peças. Nessa toada explica-se o sumiço da prata da cunhagem regular brasileira a partir de 1939.

A heráldica é uma ciência importante. É com ela que analisamos os brasões eventualmente presentes nas moedas.

A iconografia é importante para identificação de elementos estéticos e representativos não heráldicos.

A linguística também é importante. É com conhecimentos linguísticos que lemos ou deciframos as inscrições nas moedas.

Conhecimentos sobre sistemas de numeração são bem-vindos. Além do sistema indo-arábico usado nas moedas hoje em dia, podemos nos deparar com os sistemas árabe-oriental, japonês, romano, hebraico.

A lista pode ser ainda maior. Dependerá de quais conhecimentos precisaremos mobilizar para responder as questões que nos pomos.


(1) VASCONCELLOS, J. L. de. apud FRÈRE, H. Numismática – uma introdução aos métodos e à classificação. São Paulo: Sociedade Numismática Brasileira, 1984.

Circulares do Império Britânico

Há algum tempo, fizemos um artigo sobre a estética circular de moedas brasileiras, supostamente baseadas em uma moeda belga. Agora, trazemos a incrível semelhança entre moedas do Império Britânico, de várias partes do mundo.

Em sentido horário: um cent da Honduras Britânica (1862-1963), atual Belize; uma piastra de Chipre (1878-1960); um cent de Hong Kong; e um cent dos Estabelecimentos do Estreito (1826-1942/1945-6), hoje parte da Malásia, com exceção de Cingapura.

Os segredos da Bromélia

Por Emerson Pippi (SNP)

Um dos mistérios mais empolgantes e discutidos da numismática brasileira volta à tona com inéditas revelações da artista plástica Glória Dias, que participou da equipe de design do famoso Real Balsemão. A peça, que intrigou muitos especialistas e colocou em cheque a reputação de um ilustre gravador brasileiro, realmente foi feita na Casa da Moeda do Brasil (CMB) e é um teste de material do que viria a ser uma das moedas da segunda família do Real, lançada em 1998.

Quem afirma é a coautora dos projetos da nova família do real, Glória Dias, atualmente Assessora Técnica do Gabinete da Presidência da CMB. A designer, medalhista e moedeira é também criadora dos desenhos de recentes moedas comemorativas brasileiras, como as dos 40 e 50 anos do Bacen e a do Centenário de Belo Horizonte.

Nesta entrevista, Glória confirma que é uma peça feita na CMB e dá um sensacional e detalhado relato sobre a moeda. “Não imaginávamos o sucesso que essa peça-teste faria, pois era para ter sido devolvida à CMB, para descaracterização. Foi feita para testar ajustes e melhorias para aumento de ductibilidade”, diz.

Entenda a polêmica

Em 2011, o gaúcho Pedro Balsemão anunciou ter encontrado uma raridade até então desconhecida do meio numismático; uma moeda de 1 real bimetálica datada de 1997, completamente diferente das circulantes. No reverso, está a figura de uma bromélia, sobreposta pela inscrição 1 real. No anverso, conhecida imagem da efígie da República, idêntica à que esteve presente em moedas de Cruzeiro entre 1967 e 1978.

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Real Balsemão ou bromélia

Apresentada em congresso da SNB, a moeda dividiu as opiniões de especialistas. A tese de que realmente era um ensaio desconhecido fabricado pela CMB foi defendida de maneira ferrenha por Balsemão. Por outro lado, uma vertente importante de numismatas via com incredulidade a recente descoberta. Havia até mesmo quem suspeitasse de que a moeda fora feita pelo próprio gaúcho, ilustre escultor de cunhos, medalheiro e fabricante de réplicas perfeitas de moedas raras. A Casa da Moeda nunca admitiu oficialmente que aquela peça havia saído das suas fábricas.

“Sofri muito com desconfianças de próprios colegas numismatas. Pessoas tratavam o assunto com ironia e risadinhas disfarçadas”, diz Balsemão.

Também surgiu a vertente de numismatas que acreditavam ser a bromélia uma ficha que seria usada exclusivamente em vending machines, essas máquinas que vendem refrigerantes, doces e até flores. A teoria deles era de que, em virtude da futura substituição do padrão das moedas, a CMB criou fichas de fantasia para testes e enviou-as aos fabricantes das máquinas. Essa afirmação mudava completamente o status do achado de Balsemão: de inédito ensaio de moeda passava a ser um simples token.


Confira alguns trechos da entrevista esclarecedora de Glória Dias, que conta a história da criação do Real Balsemão.

Glória, como surgiu a ideia dessa moeda da bromélia, hoje conhecida como Real Balsemão?

Essas peças foram confeccionadas exclusivamente para testes, já com as características de material das moedas que seriam lançadas. Ela foi feita para testar ajustes e melhorias para aumento de ductibilidade. Não usamos as matrizes da moeda de 1 real que seria válida, exatamente para não corrermos o risco de criarmos uma raridade. Não imaginávamos o sucesso que essa peça-teste faria, pois era para ter sido devolvida à CMB, para descaracterização.

Como você ficou sabendo do vazamento?

Encaminhamos algumas peças para apreciação e testes, e o trabalho seguiu adiante. Houve um momento, anos após as remessas, que a moeda teste surgiu em publicações especializadas. Muitos colecionadores, ao mesmo tempo em que queriam saber tudo a seu respeito, fantasiaram histórias sobre a criação dela. Mas a verdade é que foi um teste para otimização do nosso processo fabril.

E por que foi datada em 1997?

A concepção artística e técnica de uma nova série de moedas de circulação se dá muito tempo antes de sua emissão e distribuição. São muitos os estudos e testes para garantir a melhor performance nas máquinas de industrialização. É o tipo de produto que precisa responder bem aos quesitos de altíssima e acelerada produção.

E por que não se usou nesses testes o mesmo desenho das moedas que seriam lançadas?

Uma moeda é um produto de alta segurança, e nem todos os testes ocorrem em ambiente “oficial”. Por isso, a melhor maneira é não contar com a arte válida, mas sim com uma que simule perfeitamente os volumes da gravura original. Esse foi o caso da bromélia. Não podíamos arriscar o vazamento do layout artístico da moeda. E, visto que essas peças teste vazaram misteriosamente, fica implicitamente reforçada essa orientação.

Essa moeda seria então utilizada para testes de material em geral, não somente para vending machines?

A peça da bromélia foi criada para amplos testes que serviriam para definições de especificações do produto “moeda de circulação bimetálica, taxa de 1 real”. Teste em vending machines é apenas mais uma entre tantas características para quais a moeda deve estar apta.

E por que escolheu o desenho da bromélia?

O uso de figuras históricas poderia suscitar elucubrações várias sobre tendências políticas, mesmo sendo uma peça teste. Se vazasse, o que acabou acontecendo, poderia haver questionamento do tipo: Por que um homem? Por que um militar? Por que um artista? Um músico de esquerda? Um esportista? Com tanto cientista importante, por que esse? Como era um simples teste, não valeria a pena se preocupar com essas coisas. A bromélia já nasceu politicamente correta. Afinal, quem é contra as bromélias?

E a efígie da República? Ela já havia sido usada em moedas dos anos 1970. Qual o motivo de usá-la novamente?

Essa efígie era unanimidade entre todos os artistas da época como a mais bela de todas. A obra é do gravador numismata Mestre Benedicto Ribeiro, admirado por toda equipe. O perfil que inspirou ele foi o da jovem e belíssima atriz Tonia Carrero.

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Em tempos de delação premiada, nós que fomos premiados com os relatos da artista. O depoimento de Glória, apesar de ser testemunhal e não documental, encerra a maioria das dúvidas que cercavam o Real Balsemão.

A moeda foi feita nas oficinas da CMB e trata-se de teste de material, não sendo um ensaio de layout. A moeda é original, mesmo não sendo oficial.


Veja também:

A ‘bromélia’ ou ‘real Balsemão’
Os ‘reais’ da bromélia

Moedas da FAO

Em 1968, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations) deu início a um projeto para emissão de moedas com o tema da produção de alimentos. Naquele ano, mais de 20 países participaram emitindo peças temáticas.

O Brasil emitiu peças no seio desse programa em três ocasiões: 1975, 1985 e 1995, sempre coincidindo com o aniversário decenal da FAO, fundada em 1945.

A primeira emissão brasileira constava de três moedas: 1, 2 e 5 centavos, emitidas entre 1975 e 1978. Todas as peças traziam o anverso comum da série, da efígie da República. No reverso, a de 1 centavo trazia a cana-de-açúcar; a de 2, a soja; e a de 5, a cabeça de um boi; as moedas apresentavam ainda a inscrição “alimentos para o mundo”.

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Emissão FAO brasileira (1975-1978).

A segunda emissão deu-se em 1985, nos valores de 1 e 5 cruzeiros, cujos anversos foram redesenhados para a ocasião, mas trazendo os mesmos “homenageados”, o cana e o café, respectivamente. Também constava a inscrição “alimentos para o mundo”.

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Emissão FAO 1985: à esq., peça de 1 cruzeiro; à dir., a de 5.

A terceira emissão foi em 1995, com as moedas de 10 e 25 centavos da primeira família do real; a celebração deu-se com a mudança no anverso das peças. A moeda de 10 centavos mostra duas mãos formando uma concha com um punhado de terra, do qual brota uma planta; abaixo: “FAO  1945/1995” e “Alimentos para o mundo”, além da inscrição “Brasil”. Na de 25 centavos, um lavrador debruçado tratando de uma planta folhosa, com as mesmas inscrições.

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Emissão FAO 1995. À esq., 25 centavos; à dir., 10.

Depois dessa data, o Brasil não emitiu mais peças no âmbito do programa, que foi extinto pela FAO em 2008.

Neste link, em inglês, uma resenha sobre o FAO Coins International Catalog, do colecionador italiano Atilio Armiento.

Logo, as emissões FAO brasileiras somam 12 peças: 1, 2 e 5 centavo (1975, 1976, 1977 e 1978), 1 e 5 cruzeiros (1985) e 10 e 25 centavos (1995).

Clipping: ‘Nova cédula de 200 pesos do Bicentenário da Independência da Argentina’

Do Diario La Provincia, 26 de abril de 2016.

A estátua da Liberdade – da artista tucumana Lola Mora – com uma bandeira argentina presa à falda do vestido é a imagem vencedora do concurso lançado pelo Legislativo da Província de Tucumã para ilustrar a futura cédula de 200 ARS, proposta que faz parte das atividades oficiais organizadas por motivo do Bicentenário da Independência.

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Protótipo da cédula de 200 ARS

A imagem principal mostra a revoada de pombos brancos e, ao fundo, a Casa Histórica com parte da ata da Declaração da Independência, de 1816. No anverso, dois símbolos tucumanos: um menir – ícone da cultura tafi – e uma árvore de queñua [Polylepis rugulosa], espécie característica da serraria local.

O trabalho escolhido pelo júri foi feito pelos irmãos Luis Acardi Lobo – um advogado de 34 anos – e María Susa Acardi Lobo – estudante do último ano de Desenho Gráfico da UNSTA [Universidade do Norte Santo Tomás de Aquino], de 27 anos –, que receberam um prêmio de 50 mil ARS em dinheiro.

Agora, o modelo da cédula será enviado, por meio de um projeto de resolução, ao Congresso da Nação para que os representantes tucumanos promovam a aprovação e a impressão pelo Banco Central.

“O concurso superou nossas expectativas, já que recebemos 134 propostas que se destacaram pela criatividade e originalidade”, afirmou o legislador Marcelo Ditinis, um dos promotores do projeto, com o radical Ariel García.

N. do T.: parece que a cédula de 200 ARS mostrando a baleia-franca-austral vai ficar de lado.

Flotilha numismática

Hoje escolhemos algumas moedas que trazem embarcações. Há gente que coleciona moedas por temas, e o tema pode ser-lhe interessante.

Em primeiro lugar, o meio penny pré-decimal britânico, que circulou no Reino Unido até 1968. O reverso traz o galeão “Golden Hind”, que foi comandado pelo capitão sir Francis Drake e ficou conhecido pela viagem de circum-navegação do globo, entre 1577 e 1580. Chamava-se originalmente “Pelican”, mas seu capitão mudou seu nome no meio da célebre viagem. A gravação é obra de Thomas Paget, em 1937. Aparentemente drapejam no galeão uma bandeira escocesa (à esq.) e uma irlandesa enquanto nação constituinte do Reino Unido (à dir.); ao centro, a flâmula naval inglesa.

g2066fO anverso da moeda de 5 pesos (1961-8) traz a fragata ARA Presidente Sarmiento. O famoso navio de fabricação britânica serviu à Armada Argentina de 1898 até 1961. Desde 1964 é um navio-museu e está ancorado em Puerto Madero, Buenos Aires. É habitualmente confundido com outro navio-escola argentino, o ARA Libertad, que está na marinha desde 1963.

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A nossa moedinha de 1 centavo (1998-2004) traz no anverso, além da efígie do navegador português Pedro Álvares Cabral, uma nau, de velas quadradas, costumeiramente confundida com uma caravela, que tem velas triangulares.

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As moedas portuguesas de 2$50 (1963-85), 5 (1963-86) e 10 escudos (1971-4) mostram no anverso uma caravela. A moeda de 50 escudos (1986-2000) traz no anverso uma nau estilizada.

À esq., anverso comum das moedas de 2$50, 5 e 10 escudos; à esq., o anverso da peça de 50 escudos

A moeda de 5 patacas, de Macau, traz, no reverso, diante das chamadas ruínas de São Paulo, um tradicional junco chinês.

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Reverso da moeda de 5 patacas

As moedas cipriotas são pródigas em embarcações. Associando sua tradição grega e o fato de ser uma ilha, Chipre cunhou trirremes em várias peças.

No alto, à esquerda, o anverso comum das peças cipriotas de 10, 20 e 50 cêntimos de euro; à direita, no alto, 5 mils de alumínio (1982); abaixo, 5 mils de bronze (1963-80); em baixo, 100 mils (1955 e 1957)

As ‘circulares’

designs que podemos dizer que fizeram escola na numária brasileira. Um deles começa com as moedas de 100 e 200 réis de cuproníquel de 1871, e a 50, introduzida posteriormente. Claramente inspiradas na moeda de 20 cêntimos belga, elas perduraram de 1871 a 1889; infelizmente não se sabe que as peças imperiais. As versões republicanas foram feitas até 1900; as de 100 e 200 réis é obra de Francisco José Pinto Carneiro. Chamo esse design do anverso de “circular”.

Cem réis (1871) e 20 cêntimos (Bélgica, 1860)

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100 réis republicanos (1889-1900), com os dizeres condizentes com o novo regime

Outras inspiradas nesse conceito de um círculo dentro das peças são as moedas de 20 e 40 reis batidas de 1889 a 1912. Também se desconhece quem as teria gravado. O curioso foi que os novos desenhos para as peças de 20 e 40 réis são claramente inspiradas nas moedas de 50, 100 e 200 de cuproníquel, visto que essas duas peças tinham aspecto diferente no período imperial.

Reverso das peças de 20 e 40 réis (1889-1912)

A nova série de cuproníquel introduzida em 1918 (20, 50, 100, 200 e 400 réis), com alguma licença poética para a de 20 réis, seguem esse padrão. Tampouco se sabe quem as gravou.

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400 réis da série 1918-1935

O fato de apenas ser conhecido um gravador, para as moedas de 100 e 200 réis de 1889-1900, mostra que esse design do anverso é uma espécie de padrão genérico. Pode-se apostar que o gravador fez o anverso e apenas “revisou” o reverso.

As séries que se seguiram são obras dos discípulos de Girardet, como Arlindo Bastos, Basílio Nunes, Benedito de Araújo Ribeiro, Calmon Barreto de Sá Carvalho, Francisco José Pinto Carneiro, Hermínio José Pereira, João da Cruz Vargas, Leopoldo Alves de Campos, Orlando Moutinho Maia, Walfrido Bruno Trindade e Walter Rodrigues Toledo.