O cruzeiro real que nunca foi

O cruzeiro real foi a unidade monetária do Brasil entre 1º/8/1993 e 30/6/1994. Em seus nove meses de existência, foram lançadas quatro peças metálicas: em 20 de setembro de 1993, as de 5 e 10 cruzeiros reais (Comunicado BC nº 3.508, de 17/9/1993), e, em 10 de dezembro do mesmo ano, as de 50 e 100 cruzeiros reais (Comunicado BC nº 3.624, de 8/12/1993). Foram moedas efêmeras, pois perderam poder liberatório em 15/9/1994, já na vigência do real (Circular BC nº 2.471, de 24 de agosto de 1994).

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Da dir. para a esq.: anverso das peças de 5, 10, 50 e 100 cruzeiros reais (fonte: Mercado Livre).

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Da esq. para a dir.: reverso das peças de 5, 10, 50 e 100 cruzeiros reais (fonte: Mercado Livre).

As quatro moedas são nossas conhecidas. Emitidas com eras 1993 e 1994, não há quem não as tenha em suas coleções. A peça de 5 traz em seu anverso um par de araras; a de 10, um tamanduá; a de 50, uma onça-pintada e sua cria; e a de 100, o lobo-guará. O cruzeiro real deu continuidade “natural” à série que vinha já do cruzeiro (1990-1993), com as peças de 100 (peixe-boi), 500 (tartaruga marinha) e 1.000 cruzeiros (acará), seja nas dimensões ou na temática.

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Da esq. para a dir.: moedas de 1.000, 500 e 100 cruzeiros que provavelmente seriam a base das peças de 1 cruzeiro real, 50 e 10 centavos (fonte: sergiobatista-moedas)

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Moedas de 10 e 50 cruzeiros, possíveis bases (a serem reduzidas?) das moedas de 1 e 5 centavos de cruzeiro real.

Porém, há um detalhe que passa despercebido a muita gente. Trata-se da Resolução BC nº 2.010, de 28/7/1993, que é justamente a que informa sobre a vigência iminente do cruzeiro real. Ali há a previsão de uma família um pouco diferente daquela que conhecemos.

Art. 19. As moedas divisionárias a que se refere o artigo precedente serão cunhadas em aço inoxidável, com temática centrada em aspectos típicos do Brasil, observando as características gerais adiante descritas:

A – 1 centavo do cruzeiro real: – diâmetro: 16 mm; – tema do anverso: Seringueiro;

B – 5 centavos do cruzeiro real: – diâmetro: 17 mm; – tema do anverso: Baiana;

C – 10 centavos do cruzeiro real: – diâmetro: 18 mm; – tema do anverso: Peixe-Boi;

D – 50 centavos do cruzeiro real: – diâmetro: 19 mm; Resolução n° 2010, de 28 de julho de 1993 – tema do anverso: Tartaruga-Marinha;

E – 1 cruzeiro real: – diâmetro: 20 mm; – tema do anverso: Acará.

Ninguém viu essas moedas. Na verdade, elas seriam adaptação da numária até então vigente.

As moedas de 1 e 5 centavos apresentadas têm os mesmos temas das moedas de 10 e 50 cruzeiros emitidas entre 1990 e 1992, mas os tamanhos são diferentes: enquanto a moeda de 10 cruzeiros tinha 22,5 mm de diâmetro, a nova peça equivalente, de 1 centavo, teria apenas 16mm; a de 50 cruzeiros media 23,5 mm; a equivalente de 5 centavos teria 17 mm. No que se pensava no Banco Central e na Casa da Moeda? Em versões reduzidas, como ocorreu com as moedas de 5, 10 e 50 pence no Reino Unido?

As medidas dessas duas peças novas fariam conjunto perfeito com as adaptações das moedas de 100, 500 e 1.000 cruzeiros (10, 50 centavos e 1 cruzeiro real, respectivamente), com 17 mm, 18 mm e 19 mm, nessa sequência.

Como a iconografia é mantida pelo decreto, imagina-se, pelo menos para as moedas de 10, 50 centavos e 1 cruzeiro real a adaptação das peças de cruzeiro.

É curioso ainda notar o art. 20 da mesma resolução:

Art. 20. O Banco Central do Brasil colocará em circulação, até 31.12.93, moedas dos valores de CR$ 5,00 (cinco cruzeiros reais) e CR$ 10,00 (dez cruzeiros reais), adaptando ao novo padrão monetário as características gerais das moedas de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) e Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros), aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, em sessão de 29.06.93, e adiante descritas:

A – 5 cruzeiros reais: – diâmetro: 21 mm; – tema do anverso: Arara;

B – 10 cruzeiros reais: – diâmetro: 22 mm; – tema do anverso: Tamanduá-Bandeira.

Ou seja, as peças de 5 e 10 cruzeiros reais seriam lançadas como 5 mil e 10 mil cruzeiros. E se foram aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, provavelmente há arte-final dessas peças, ou na Casa da Moeda ou no Banco Central.

O fato de não termos visto essas moedas divisionárias do cruzeiro real deve-se à inflação e seu valor já muito baixo. Corrigido pelo IGP-M, o valor atual (janeiro/2017) de um cruzeiro real seria de R$ 0,10, o que tornaria as moedas divisionárias inúteis. Para uma comparação, a primeira cotação do dólar em cruzeiro real, em 2/8/1993, foi de CR$ 72,06.

Referências

BACEN – BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular nº 2.471, de 24 de agosto de 1994. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/43168/Circ_2471_v1_O.pdf>. Acesso em 23 fev. 2017.

______. Resolução nº 2.010, de 28 de julho de 1993. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/43582/Res_2010_v1_O.pdf>. Acesso em 23 fev. 2017.

O peso e o tamanho da cruz

Em 16 de janeiro de 1989, o velho cruzado saiu de cena, sendo substituído pelo cruzado novo na razão de 1:1.000, ou mais um “corte de três zeros”. A reforma foi um dos itens dentro do chamado Plano Verão, implantado pelo então ministro da Fazenda do governo Sarney, Maílson da Nóbrega.

A Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 1.565, de 16/1/1989, além de oficializar a reconversão monetária, dispõe sobre o novo meio circulante a entrar em circulação a partir de 30/4/1989. Originalmente, havia a previsão de quatro peças: 1, 5, 10 e 50 centavos, “com temática centrada em tipos e aspectos do Brasil” (CNM, 1989). Moedas, aliás, esteticamente muito interessantes.

Da esq. para a dir.: reverso e anverso da peça de 1 centavo; anversos das peças de 5, 10 e 50 centavos.

Com a posse de Fernando Collor de Mello como presidente da República, em 15 de março de 1990, assumiu o Ministério da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, que, no dia seguinte, pôs em vigência o Plano Brasil Novo, popularmente conhecido como Plano Collor. Além das várias medidas macroeconômicas para contenção da inflação, uma de ordem cosmética: pela Resolução CNM nº 1.689, de 18 de março de 1990 (retroativa a 16/3, data estabelecida pela Medida Provisória nº 168, de 15/3/1990), a moeda voltava a chamar-se cruzeiro. Não houve reconversão. Simplesmente 1 cruzado novo passou a ser 1 cruzeiro, a terceira vida da moeda.

A mudança, não obstante ser cosmética, acarretou em mudanças nas cédulas. As notas de 100, 200 e 500 cruzados novos traziam a expressão cruzados novos, que foi alterada para “cruzeiros”. A de 50 cruzados novos nem chegou a ser retocada, embora o art. 4º da Resolução CMN nº 1.689 o previsse inicialmente, ficando apenas com o carimbo retangular previsto pelo mesmo dispositivo legal (CNM, 1990). Um dos imperativos, provavelmente é o fato de, em 13/3/1990, o dólar ter chegado à cota de NCz$ 38,197, além de a mesma resolução, em seus arts. 6º 7º e 8º, prever já o lançamento da moeda de 50 cruzeiros para depois o final de 1990, o que acabou ocorrendo em dezembro (BACEN, 1990).

Como já dito, as quatro moedas divisionárias do cruzado novo foram previstas pela Resolução CNM nº 1.565, mas ficou faltando a peça auxiliar de 1 cruzado novo. Emitiu-se, em 8 de novembro de 1989, uma moeda desse valor que comemorava o centenário da República, mas não uma peça comum.

Porém, com o novo governo, o novo plano e a nova unidade monetária, apareceu a peça equivalente, a de 1 cruzeiro, na Resolução CNM nº 1.689.

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Peça de 1 cruzeiro emitida em 1990.

Se os projetos gráficos das peças de cruzado novo foram apresentadas ao CNM no fim de novembro de 1988 (CNM, 1989), porque não havia a ideia de uma moeda auxiliar? No fim desse mês, um dólar americano valia Cz$ 585 (que seriam, logo mais NCz$ 0,585); quando do corte de zeros, em 16/1/1989, o dólar valia exatamente NCz$ 1 (ou Cz$ 1.000), valor que o governo conseguiu manter congelado até meados de abril; quando da simples passagem de cruzado novo para cruzeiro, o dólar valia Cr$ 38.

Em resumo, a vida do cruzado novo foi curta, um ano e dois meses. Porém, lembremo-nos que o Plano Collor foi algo meio abrupto, incluindo mesmo o confisco de aplicações bancárias.

Nossos catálogos trazem uma moeda muito rara; os colecionadores batizaram-na de “Cruz de Cristo”. Trata-se de uma moeda de 1 cruzado novo, com era 1990, aparentemente pensada para circulação comum; o Catálogo Bentes 2014 indica a existência comprovada de 15 exemplares (MALDONADO, 2014). Há quem diga que, com a troca de padrão monetário, as moedas já batidas teriam sido enviadas à Acesita para refundição.

A polêmica “Cruz de Cristo”.

O reverso da “Cruz de Cristo” é praticamente igual ao das peças divisionárias, ao contrário do da moeda de 1 cruzeiro que acabou saindo no lugar. No anverso, um mapa do Brasil atravessado por uma cruz estilizada que lembra muito a da Ordem de Cristo, daí o nome que lhe atribuíram.

Porém, um detalhe no Catálogo Bentes chama muito a atenção. Na Portaria CMN nº 1.689, a peça de 1 cruzeiro é descrita como tendo 20,5 mm de diâmetro; a massa, no site do Bacen, é de 3,61 g. É de se imaginar que a “Cruz de Cristo” tivesse as mesmas dimensões; o Bentes 2014, porém, indica-nos essa moeda como tendo 19,5 mm de diâmetro e massa de 2,83 g, o que coincide, no próprio catálogo e na listagem on-line do Bacen, com a moeda de 50 centavos de cruzado novo.

A “Cruz de Cristo” teria o mesmo tamanho da moeda de 50 centavos? Acredito ser muito improvável. Já que o Catálogo Amato não nos traz as dimensões e o Krause não registra a peça em questão, onde poderíamos conseguir alguma informação?

Já que a moeda foi batida, é possível que seu projeto tenha sido apreciado pelo CNM entre 1989 e o começo de 1990; é pena essas atas não estarem disponíveis na internet.

Eis uma polêmica muito similar ao caso da Bromélia.

Referências

BACEN – Banco Central. Comunicado nº 2.249, de 11/12/1990. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/normativo.asp?numero=2249&tipo=Comunicado&data=11/12/1990>. Acesso em 21 fev. 2017.

CNM – Conselho Monetário Nacional. Resolução nº 1.565, de 16 de janeiro de 1989. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/42039/Res_1565_v2_L.pdf>. Acesso em: 21 fev. 2017.

______. Resolução nº 1.689, de 18 de março de 1990. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/44905/Res_1689_v1_O.pdf>. Acesso em 27 fev. 2017.

MALDONADO, R. Moedas Brasileiras – Catálogo Oficial. 2. ed. revista e atualizada. Itália: MBA Editores, 2014. p. 970.

Novo espectro monetário na Venezuela

Por conta da inflação rampante, a Venezuela finalmente admitiu a necessidade de reformular seu espectro monetário. Em 2008, o velho bolívar, unidade monetária desde 1879, teve três zeros cortados. Mil bolívares (VEB) passaram a ser 1 bolívar forte (VEF).

O espectro inicial era:

Moedas: 0,01 e 0,05 VEF (cobre); 0,10, 0,125, 0,25 e 0,50 VEF (níquel); e 1 VEF (bimetálica; anel de latão e núcleo de níquel). Chama a atenção a presença da moeda de 12 ½ cêntimos, chamada popularmente de locha, equivalente a um oitavo de bolívar. Trata-se de recriação romântica de moeda que circulou entre 1896 a 1969.

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Moeda de 12 1/2 cêntimos emitida em 2008.

Cédulas: 1, 2, 5, 10, 20 e 100 VEF.

O espectro inicial fez sentido, mas com a inflação, em 2016 a taxa de câmbio ultrapassou ou 5.000 VEF por USD, ou seja, a maior cédula em circulação, 100 VEF, valia aproximadamente 0,02 USD, o que causa atualmente uma verdadeira catástrofe na vida do cidadão.

Para dezembro de 2016, está prevista a introdução de novas moedas de 10, 50 e 100 VEF (níquel) e cédulas de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 bolívares. As cédulas são graficamente reaproveitamento das cédulas que ora nada valem.

Lado a lado: a nova cédulas de 5.000 VEF e a de 20 VEF introduzida em 2008.

Clipping/Argentina: ‘Sem valor, as moedas menores estão à beira da extinção’

El Clarín, Argentina – 23 de março de 2015

Por conta da inflação, são usadas por cada vez menos pessoas. Com as de 5 e 10 centavos já não se compra nada. E as de 25 e 50 dão para muito pouco.

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Atual moeda de 0,10 ARS

Há quem prefira não pegá-las, pois não há porta-níquel que aguente dez pesos em moedas. Se o troco de uma compra vem com moedas de 10 ou 5 centavos, pior ainda. Será um pequeno monte de pouco poder aquisitivo que pode acabar como recordação em algum canto de casa. Por isso, as moedas menores acabam esquecidas e são vistas menos em circulação. “De 2007 para cá, calculamos 270% de inflação; uma moeda de 25 centavos de oito anos atrás tem um valor atualizado hoje de 6 centavos”, diz Soledad Pérez Duhalde, coordenadora de análise macroeconômica da consultoria Abeceb Lapidaria.

Os exemplos são simples. Quantas moedas (e quanto peso no bolso) são necessárias para pagar 12 ARS por um maço de cigarros ou uma garrafinha de água de 500 ml? Esse descompasso tem explicação: a escala monetária vige desde a época da Convertibilidade, e a maioria das moedas entrou em circulação em 1992. Valiam. Antes.

Por outro lado, desde 2009, quando foi implantado o cartão magnético Sube para o transporte público, a necessidade de conseguir moedas para viajar deixou de existir. Acabaram-se as filas dos cobradores que peregrinavam pelos kioskos pedindo troco. E as moedas começaram a sumir.

Os informes de circulação de cédulas e moedas publicados pelo Banco Central (BCRA) em sua página web confirmam essa percepção. Entre março de 2013 e março de 2015, a circulação de moedas com valor inferior a 1 ARS cresceu menos de 1,5%. Ao mesmo tempo, a emissão da cédula de 100 ARS aumentou 57%. Esse papel, também depreciado, é o eixo da economia. É o mais entregue pelos caixas automáticos e o mais usado pelos consumidores. “Tem o poder de compra equivalente a 20 ARS de 2007”, informa Soledad.

Ainda que as moedinhas possam ter sua importância para dar troco e evitar o “arredondamento” do preço a favor do vendedor, os consumidores às vezes nem as pedem.

Nas associações que os defendem, assegura-se que já não são recebidas de maneira direta queixas por falta de moedas. “As de 5 ou 10 centavos desapareceram, são pouco vistas. Nos EUA, sem dúvida, circulam as de 1 USD; as pessoas a juntam e, quando chegam a uma quantia razoável, trocam-nas por notas no supermercado”, explica Susana Andrada, do Centro de Educación al Consumidor (CEC).

Soledad completa: “Como os comerciantes pedem menos moedas pequenas nos bancos privados, estes, por suas vez, pedem-nas menos ao BCRA, motivo por que a circulação das peças praticamente parou”.

Vê-se na rua. Já não são procuradas como antes. “Às vezes, se tenho de dar 10 ou 20 centavos de troco, nem me pedem”, conta ao Clarín Andrea, dona de um kiosco do bairro portenho de Barracas. Com esses valores não é possível comprar um bala.

Tampouco os táxis trabalham com os centavos. “O cliente os inclui na gorjeta, e, se não for assim, você deixa pra lá para não ter de procurar moedinhas”, conta o taxista Oscar Vásquez, no bairro de Constitución, Buenos Aires.

Alejandro, estudante de direito, exemplifica com sinceridade: “Outro dia, eu estava limpando meu departamento e vi, num montinho de terra, uma moeda de 5 centavos, e, te confesso, não tive nem o impulso de salvá-la… Acabou na pá e no saco de lixo”.

Apesar de tudo, os centavos continuam tendo um papel importante na configuração dos preços. Nos supermercados, a maioria dos valores incluem as moedinhas. Por exemplo, um litro de achocolatado é vendido a 11,99 ARS; um doce de leite de 400 g, a 15,09 ARS. A conta final é paga com cartão de crédito ou débito, para evitar complicações. Se não, a caixa solta a pergunta “antimoeda”: “Não quer doar os seus 50 centavos do troco para a fundação…?”.

* * *

N. do T.: Isso corrobora a decisão do governo argentino de emitir moedas novas de 1, 2, 5 e 10 ARS. Muito possivelmente os centavos deixarão de ser feitos.

As pequeninas de 1956

O primeiro cruzeiro durou de 1942 a 1966 e legou-nos quatro séries de moedas metálicas. A primeira, de bronze-alumínio, com os valores de 10, 20 e 50 centavos, e 1, 2 e 5 cruzeiros, que foi cunhada entre 1942 e 1956, com exceção da moeda de 5 cruzeiros, batida apenas em 1942 e 1943.

Em 1956, introduziu-se nova série: 10 e 20 centavos de alumínio, que conservavam, porém, o módulo das homólogas predecessoras, e 50 centavos, 1 e 2 cruzeiros, que conservavam o bronze-alumínio, mas tinham módulo reduzido, como indica a Portaria nº 333, de 10/12/1956.

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Peças de 1 cruzeiro da “Efêmera”

Essa série, na reclassificação que propusemos, é a “efêmera” ou “de transição”.

As três moedinhas de bronze-alumínio, cunhadas apenas com a era 1956, tinham um motivo de ser, como informou ao Jornal do Brasil o então diretor da Casa da Moeda, Filinto Epitácio Maia, em declaração ao diário carioca Correio da Manhã, publicada na edição de 22/8/1957.

“As moedas de 50 centavos e um e dois cruzeiros serão também cunhadas em alumínio e voltarão ao tamanho que tinham anteriormente. Seu tamanho diminuiu porque tínhamos de acabar com pequeno estoque de liga de cobre que havia aqui na Casa da Moeda. Mas dentro de pouco tempo, logo assim termine o estoque, passaremos a cunhar todo o nosso dinheiro em alumínio, desaparecendo a moeda amarela.”

Essa declaração dá ainda mais sustentação ao nome que propusemos em nossa reclassificação, já que, em 1957, todas as moedas do cruzeiro passaram a ser de alumínio. Mas que também deixa uma possibilidade no ar: se a portaria que autoriza as moedas é de dezembro de 1956 e a entrevista de Maia é de agosto de 1957, isso pode indicar que as moedas era 1956 foram cunhadas majoritariamente em 1957. Pela data da portaria, 10 de dezembro, arrisco dizer que muito poucas moedas foram cunhadas em 1956 de fato. Ou nenhuma.

Ainda cabem mais pesquisas, mas é algo para se pensar.