Quantidade de moedas emitidas pelo BC: os números são confiáveis?

Mais uma vez a perspicácia do nosso leitor Rubens Bulad, que já nos havia alertado acerca de mudanças do gênero, trouxe oscilações curiosas na quantidade de moedas emitidas nos últimos anos. Até mesmo peças de 2009 tiveram seus valores alterados. Expomos aqui conforme levantamento do sr. Bulad.

10 centavos (2009): constava 205.748.000 e agora está em 470.016.000; aumento de 128%.

10 centavos (2012): de 454.464.000 para 444.288.000; redução de 2,24%.

10 centavos (2013): de 600.000.000 para 610.176.000; aumento de 1,7%.

25 centavos (2009): de 200.985.000 para 320 milhões; aumento de 159,2%.

1 real (2009): de 245.247.000 para 510.080.000; aumento de 208%.

1 real (2012): de 150.016.000 para 145.589.000; redução de 2,95%.

1 real (2013): de 400 milhões para 404.736.000; aumento de 1,2%.

A partir de 1º de setembro, este blogue manterá um registro mensal de monitoramento das quantidades de moedas emitidas divulgadas pelo BC. A que se devem tais oscilações? Auditoria? Vamos fazer uma investigação e tentar descobrir.

Mais uma vez os nossos agradecimentos ao sr. Bulad, que gentilmente compartilhou essas informações na nossa página do Facebook.Parte superior do formulário

 

Anúncios

Estrelas estranhas

O brasão de Armas da República, obra do engenheiro Artur Zauer, aparece repetidamente na numária brasileira, desde o $020 de bronze (1889-1912) até os 25 centavos de real da segunda família, fazendo fundo ao marechal Deodoro.

O brasão é basicamente o mesmo desde sua estreia; a única coisa que variou foi a quantidade de estrelas na bordadura do escudo, que foi alterada conforme a criação de novos estados, sendo que a versão atual vem de 1992, com a inclusão das estrelas por conta da criação dos novos estados, no marco da Constituição de 1988.

Embora não esteja textualmente citado nos dispositivos legais como têm de ser as estrelas, nos diagramas que acompanham os decretos todas têm cinco pontas. E assim foram reproduzidos nas moedas.

Porém, na moeda de 2$ comemorativa do centenário da Independência, o Cruzeiro do Sul presente no centro do brasão reproduzido na peça tem estrelas, digamos, um pouco estranhas.

O confrade Valdir Holtman, do Paraná, fotografou com detalhes algumas peças e todas são iguais: as estrelas da bordadura têm cinco pontas, mas a do centro do escudo, não. Rubídea, Mimosa e a Estrela de Magalhães têm seis (a primeira) e sete pontas (as duas últimas). É a única reprodução do brasão em que as estrelas têm seis pontas.

2mil reis

O que seriam essas estrelas “anômalas”? É estranho ser um simples erro; trata-se de um desenho extremamente conhecido. As estrelas de seis e sete pontas podem ter relação com a maçonaria.

“A estrela de seis pontas é a representação da Trindade em duas situações: na manifestação divina aos planos inferiores da existência e na transcendência do manifesto até os planos mais elevados. Geralmente representa a descida da energia pura e espiritual de Fohat até onde possa existir vida e o mínimo de Luz. O objetivo desta descida é a iluminação e a purificação de Tudo o Criado. A subida ou transcendência refere-se a Kundalini ou energia vital mais material, carnal e animal. Ela deve elevar-se fechando o ciclo iniciado com a Criação e coroando a Magnus Opus Dei (Grande Obra de Deus). É Kundalini que atrai Fohat e é Fohat que eleva Kundalini. A existência destas duas energias ou consciências é em si uma existência só contendo duas realidades complementares e não postas, à semelhança do número dois ou da Dualidade. Quando estas duas energias realizam seus movimentos (de descida e de subida) encontram-se (em Akahsa) na Unidade formando a Divindade também conhecida como a Rosa na Cruz (o plano horizontal representando Kundalini e o plano vertical representando Fohat). Outra referência desta trindade de princípios espirituais é encontrada nos conceitos de Rajas, Tamas e Satwa. É a geração da vida com suas diversas manifestações, variações e imprecisões. O cruzamento dos triângulos também representa a união sexual e o Tantrismo (o sexo sagrado).” (aqui)

“O número sete, tão conhecido e divulgado, sempre relacionado com o poder e o comando da Organização Celestial está presente em diversos textos e referências esotéricas. O sete representa as maravilhas do mundo, sábios gregos, virtudes, pecados capitais, notas musicais, cores do arco-íris, dias da semana, etc. Conforme os ensinamentos esotéricos, Sete também são os corpos das pessoas (Físico, Vital, Astral, Mental Inferior, Mental Superior, Búdico e Atmico). Podemos encontrar muitas outras correlações setenárias. Conforme estudiosos, na Bíblia o sete é o número da “preferência divina”. O sete é o conceito do quatro (Criação) unido à Trindade (Criador), por isso é tido como o número da Perfeição. O esoterismo universal e eterno apresenta o conceito setenário de uma forma bem clara e prática no estudo astrológico dos planetas. Os planetas astrológicos (existe uma grande diferença entre Astrologia e Astronomia, leia artigo em meu outro blog) representam as Leis Divinas em ação, ou mesmo as “janelas” ou vórtices por onde nos chegam as luzes celestiais. Eles são: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Podemos também estudar o número sete pelos Arcanjos que ele representa.” (aqui)

Na maçonaria, a estrela de sete pontas são “as sete maneiras através das quais o homem pode atingir a perfeição” (aqui).

Seria o gravador da peça, Girardet, maçom?

Mistérios do cruzado – parte I

O Plano Cruzado entrou em vigor no começo de março de 1986. Foi a primeira tentativa do governo Sarney de controlar a inflação, que vinha crescendo desde o final dos anos 70. Além de medidas ortodoxas, como o congelamento de preços, o plano cortou três zeros do cruzeiro e nomeou o novo padrão como cruzado, em referência à velha moeda colonial de ouro.

Novo padrão que implicou em uma nova série de moedas. O velho cruzeiro, nos seus estertores, nos legou uma série de “pequeninas”, nos valores de 100, 200 e 500 cruzeiros. Essa nova série, visivelmente diminuta perto da precedente, mas cuja ideia foi reutilizada na concepção da nova série para o cruzado.

As moedas, singelas, têm, no anverso, as armas da República e a orla perolada — ornato que não aparecia em moedas brasileiras desde a 1956, quando a primeira série do primeiro cruzeiro foi substituída — e, no reverso, o valor, a era, a denominação, o país emissor e a orla perolada. Todos os sete valores iniciais eram de aço inox, como vinha sendo regra desde 1979 e o foi até 1997.

Pode parecer uma estética insossa, mas trazia simplicidade e elegância. Algo ligeiramente britânico.

Como vimos antes, a nova série teve como base as três moedas da série do cruzeiro. Aproveitou-se de seus elementos estéticos, diâmetros e espessuras, transformando-se nas peças de 10, 20 e 50 centavos. Foram incluídas as moedas de 1 e 5 centavos e de 1 e 5 cruzados. O primeiro mistério está na moeda de 5 centavos.

A Resolução do Banco Central nº 1.100, de 28/2/1986, além de instituir o novo padrão, dispõe sobre a organização do meio circulante. A nova série de moedas é assim apresentada.

XI – As moedas divisionárias aludidas no item precedente serão cunhadas com idênticas características gerais das moedas de Cr$ 100, Cr$ 200 e Cr$ 500 atualmente em circulação, com os seguintes diâmetros:

– 5 cruzados       25 mm;
– 1 cruzado         23 mm;
– 50 centavos     21 mm;
– 20 centavos     19 mm;
– 10 centavos     17 mm;
– 1 centavo         15 mm.

CZ 5 centavosOnde está a moeda de 5 centavos? Parece ilógico cunhar uma moeda 1 um centavo e uma de 10 sem seu intermediário natural, que seria a de 5? Lembremo-nos de que, na série do cruzeiro imediatamente precedente, houve uma moeda de 1 centavo, cunhada entre 1979 e 1983 (os chamados “centavinhos”), cujo valor imediatamente posterior era a moeda de 1 cruzeiro, se bem que o uso desse centavo foi praticamente nulo.

Pode ser sido falha na digitalização do texto da resolução? Não é impossível, mas isso é facilmente rebatido por uma análise dos valores dos diâmetros das peças. Todas têm 2 mm de diferença entre si; as moedas de 1 e 10 centavos têm, respectivamente 15 mm e 17 mm. A única que destoa da proporção é justamente a de 5, com 16 mm, com 1 mm de diferença seja para a imediatamente anterior como para a imediatamente superior.

Pode se pensar que a proporção menor tenha sido estabelecida para evitar uma moeda de 1 centavo extremamente diminuta. Se fôssemos manter o padrão, teríamos;

– 10 centavos     17 mm;
– 5 centavos       15 mm;
– 1 centavo         13 mm.

A proporção assim mantida teria feito da moeda de 1 centavo de cruzado a menor moeda emitida. Basta que a comparemos com outras “pequeninas”:

– 20 réis (1918-1935)                       15,5 mm;
– 100 réis (1938-1942)                    17 mm;
– 10 centavos (1942-1956)           17 mm;
– 10 centavos (1956-1961)           17 mm;
– 1 centavo (1967, 1969, 1975)   17 mm;
– 1 centavo (1979-1983)                14 mm;
– 1 centavo (1989-1990)                16,5 mm;
– 100 cruzeiros (1992-1993)         18 mm;
– 1 centavo (1994-1997)                20 mm;
– 1 centavo (1998-2004)                17 mm.

O que houve então com a moeda de 5 centavos de cruzado? Foi inicialmente omitida? Por que uma peça de 1 centavo, então, já que seu poder de compra hoje equivaleria a R$ 0,0071 (setenta e um décimos milésimos de real; praticamente 7 milésimos)? E consideremos que há mais de dez anos não temos a moeda de 1 centavo. Apenas como curiosidade, as moedas de cruzado, quando lançadas, tinham o seguinte poder de compra, atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor:

1 centavo            R$ 0,0071 (quase um centavo);
5 centavos          R$ 0,035 (três centavos e meio);
10 centavos       R$ 0,071 (sete centavos e um milésimo);
20 centavos       R$ 0,142 (14 centavos e dois milésimos);
50 centavos       R$ 0,35 (35 centavos e meio);
1 cruzado            R$ 0,71
5 cruzados          R$ 3,50

Em compensação, a moeda de 5 cruzados tinha poder de compra bem superior a nossa moeda atual de maior valor facial (1 real). Se compararmos com a tarifa de ônibus na cidade de São Paulo no mesmo período, que era de Cz$ 1,50, com uma moeda de 5, era possível pagar três passagens e ainda sobrariam 50 centavos.