Numária japonesa contemporânea

As moedas atualmente circulantes no Japão merecem um cuidado especial, principalmente por usarem um sistema de datação próprio, como vamos observar neste artigo.

A peça de 1 iene foi introduzida em 1955 (Shōwa 30) e não sofreu alterações estéticas desde então. Tem 3,2 g de peso, 20 mm de diâmetro e é feita de alumínio. A data era vem em numerais chineses no reverso; bordo liso. No anverso, um galho com brotos, simbolizando o renascimento do Japão após a Segunda Guerra. Desde 2014, é produzida apenas para os sets anuais.

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Peça de 1 iene (fonte: diniznumismatica.blogspot.com)

A moeda de 5 ienes foi introduzida em 1949 (Shōwa  24, escrita antiga, kyūjitai) e 1959 (Showa 34, escrita moderna, shinjitai). É de latão (600-700 milésimos de Cu e 300-400 de Zn), com furo central, e tem 3,75 g de peso e 22 mm de diâmetro; bordo liso. A era é indicada em caracteres numéricos chineses no anverso. No reverso há, além do valor, uma planta de arroz curvada com folhas jovens, simbolizando o crescimento japonês no pós-guerra, e uma roda dentada ao redor do furo central, simbolizando a indústria japonesa. É a única peça da série em que o valor facial é indicado no sistema numérico chinês.

À dir. peça de 5 ienes em estilo de escrita kyūjitai; à esq., em shinjitai (fonte: Wikipédia)

A moeda de 10 ienes foi introduzida em 1951 (Shōwa 26). Tem 4,5 g de peso, 23,5 mm de diâmetro e é de bronze (950 Cu, 40-30 Zn e 10-20 Sn); bordo liso. A data também é indicada em caracteres tradicionais chineses no reverso. No reverso, o Salão da Fênix do Templo de Byōdō-in, em Uji, Prefeitura de Quioto, que é patrimônio nacional do país e foi construído no século XI.

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Peça de 10 ienes (fonte: currencies.wikia.com)

O desenho atual da peça de 50 ienes é de 1967 (Shōwa 42). É feita de cuproníquel (750 Cu, 250 Ni) e tem 4 g de peso e 21 mm, com furo central; bordo serrilhado. A era é indicada no reverso, em algarismos arábicos. No anverso, o furo é ladeado por dois conjuntos com crisântemos e folhas; o crisântemo é considerado insígnia imperial.

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Moeda de 50 ienes (fonte: coinquest.com)

A atual moeda de 100 ienes foi introduzida em 1967 (Shōwa 42). Também é de cuproníquel, com 4,8 g de peso e 22,5 g de peso; bordo serrilhado. No anverso, três flores de cerejeira. A era é indicada em algarismos arábicos.

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Moeda de 100 ienes (fonte: tenshin.ru)

A moeda de 500 ienes foi posta em circulação em 1982 (Shōwa 57). Era originalmente de cuproníquel; desde 2000, é de alpaca (liga ternária: 720 Cu, 200 Zn e 80 Ni), com 7,2 g e 26,5 mm; bordo com inscrição: “NIPPON 500”. A era é indicada no reverso, em algarismos chineses. No anverso, flores e folhas de kiri (Paulownia tormentosa), considerado insígnia (mon) do governo japonês e do gabinete do primeiro-ministro (tokamon; go-shichi kiri). No reverso, como o valor e a data, folhas de bambu (abaixo e acima) e de ramos frutificados de tangerina (à esq. e à dir.), e não de cerejeira, como indica o Catálogo Krause (2014). A mudança de 2000 não se limitou à liga; a moeda teve o peso reduzido em 0,2 g e ganhou microimpressões nos zeros do 500, nas quais se lê a palavra “NIPPON” (Japão em japonês romanizado – rōmaji).

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Moeda de 500 ienes (1982-1999)

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Moeda de 500 ienes (desde 2000)

Os japoneses datam suas moedas pelo período ou reino do monarca. As moedas contemporâneas japonesas foram todas introduzidas no período Showa, que vai até 1989 (Shōwa 64), quando morre o imperador Hirohito, em 7 de janeiro; 1989 também é o ano 1 do período atual, Heisei. Atualmente (2016), as moedas levam a era Heisei 28.

Para identificar a era, é preciso atenção aos caracteres que dão início à data.

昭和, Shōwa (1926-1989).

平成, Heisei (desde 1989).

Após esses dois caracteres, nas moedas de 1, 5, 10 e 500 ienes, vêm os números chineses:

一 1

二 2

三 3

四 4

五 5

六 6

七 7

八 8

九 9

十 10

百 100

De 10 a 19, usa-se 十 + unidade. Ex.: 十四 (14).

Para as dezenas, usa-se a unidade anteposta ao 十. Ex.: 四十 (40).

Para arrematar, a expressão encerra-se com o caractere 年 (ano, temporada).

Exemplo de data nas moedas: 昭和六十三年,

Sendo: 昭和 (Shōwa) 六十三 ([6 x 10] + 3 = 63) 年 (ano); ou seja, uma moeda que leva essa notação é da era Shōwa 63, ou 1988.

Ou: 平成二十八年, sendo: 平成 (Heisei) 二十八 ([2 x 10] + 8 = 28) 年 (ano); Heisei 28, 2016.

Nas moedas de 50 e 100 ienes, o ano vem em numerais arábicos. Exs.: 平成28年 (Heisei 28) e 昭和63年 (Showa 63).

A título de curiosidade, Showa quer dizer “paz iluminada” ou “harmonia”. Após sua morte, o imperador deixa de ser chamado pelo nome com que reinou e passa a ser nomeado pelo nome da era. Logo, o imperador Hirohito não é chamado de Hirohito atualmente, mas de imperador Shōwa. O nome da era atual, Heisei, é expressão tirada da tradição chinesa, quer dizer aproximadamente “paz em toda parte”.

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Circulares do Império Britânico

Há algum tempo, fizemos um artigo sobre a estética circular de moedas brasileiras, supostamente baseadas em uma moeda belga. Agora, trazemos a incrível semelhança entre moedas do Império Britânico, de várias partes do mundo.

Em sentido horário: um cent da Honduras Britânica (1862-1963), atual Belize; uma piastra de Chipre (1878-1960); um cent de Hong Kong; e um cent dos Estabelecimentos do Estreito (1826-1942/1945-6), hoje parte da Malásia, com exceção de Cingapura.

Clipping/Argentina: ‘Sem valor, as moedas menores estão à beira da extinção’

El Clarín, Argentina – 23 de março de 2015

Por conta da inflação, são usadas por cada vez menos pessoas. Com as de 5 e 10 centavos já não se compra nada. E as de 25 e 50 dão para muito pouco.

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Atual moeda de 0,10 ARS

Há quem prefira não pegá-las, pois não há porta-níquel que aguente dez pesos em moedas. Se o troco de uma compra vem com moedas de 10 ou 5 centavos, pior ainda. Será um pequeno monte de pouco poder aquisitivo que pode acabar como recordação em algum canto de casa. Por isso, as moedas menores acabam esquecidas e são vistas menos em circulação. “De 2007 para cá, calculamos 270% de inflação; uma moeda de 25 centavos de oito anos atrás tem um valor atualizado hoje de 6 centavos”, diz Soledad Pérez Duhalde, coordenadora de análise macroeconômica da consultoria Abeceb Lapidaria.

Os exemplos são simples. Quantas moedas (e quanto peso no bolso) são necessárias para pagar 12 ARS por um maço de cigarros ou uma garrafinha de água de 500 ml? Esse descompasso tem explicação: a escala monetária vige desde a época da Convertibilidade, e a maioria das moedas entrou em circulação em 1992. Valiam. Antes.

Por outro lado, desde 2009, quando foi implantado o cartão magnético Sube para o transporte público, a necessidade de conseguir moedas para viajar deixou de existir. Acabaram-se as filas dos cobradores que peregrinavam pelos kioskos pedindo troco. E as moedas começaram a sumir.

Os informes de circulação de cédulas e moedas publicados pelo Banco Central (BCRA) em sua página web confirmam essa percepção. Entre março de 2013 e março de 2015, a circulação de moedas com valor inferior a 1 ARS cresceu menos de 1,5%. Ao mesmo tempo, a emissão da cédula de 100 ARS aumentou 57%. Esse papel, também depreciado, é o eixo da economia. É o mais entregue pelos caixas automáticos e o mais usado pelos consumidores. “Tem o poder de compra equivalente a 20 ARS de 2007”, informa Soledad.

Ainda que as moedinhas possam ter sua importância para dar troco e evitar o “arredondamento” do preço a favor do vendedor, os consumidores às vezes nem as pedem.

Nas associações que os defendem, assegura-se que já não são recebidas de maneira direta queixas por falta de moedas. “As de 5 ou 10 centavos desapareceram, são pouco vistas. Nos EUA, sem dúvida, circulam as de 1 USD; as pessoas a juntam e, quando chegam a uma quantia razoável, trocam-nas por notas no supermercado”, explica Susana Andrada, do Centro de Educación al Consumidor (CEC).

Soledad completa: “Como os comerciantes pedem menos moedas pequenas nos bancos privados, estes, por suas vez, pedem-nas menos ao BCRA, motivo por que a circulação das peças praticamente parou”.

Vê-se na rua. Já não são procuradas como antes. “Às vezes, se tenho de dar 10 ou 20 centavos de troco, nem me pedem”, conta ao Clarín Andrea, dona de um kiosco do bairro portenho de Barracas. Com esses valores não é possível comprar um bala.

Tampouco os táxis trabalham com os centavos. “O cliente os inclui na gorjeta, e, se não for assim, você deixa pra lá para não ter de procurar moedinhas”, conta o taxista Oscar Vásquez, no bairro de Constitución, Buenos Aires.

Alejandro, estudante de direito, exemplifica com sinceridade: “Outro dia, eu estava limpando meu departamento e vi, num montinho de terra, uma moeda de 5 centavos, e, te confesso, não tive nem o impulso de salvá-la… Acabou na pá e no saco de lixo”.

Apesar de tudo, os centavos continuam tendo um papel importante na configuração dos preços. Nos supermercados, a maioria dos valores incluem as moedinhas. Por exemplo, um litro de achocolatado é vendido a 11,99 ARS; um doce de leite de 400 g, a 15,09 ARS. A conta final é paga com cartão de crédito ou débito, para evitar complicações. Se não, a caixa solta a pergunta “antimoeda”: “Não quer doar os seus 50 centavos do troco para a fundação…?”.

* * *

N. do T.: Isso corrobora a decisão do governo argentino de emitir moedas novas de 1, 2, 5 e 10 ARS. Muito possivelmente os centavos deixarão de ser feitos.

A história das moedas de 1 centavo

O título pode parecer meio besta, mas tem alguma relevância.

Como já falamos aqui neste blogue, a divisão centesimal, chamada entre nós de centavo, fez seu début no Brasil em 1942, com a introdução do cruzeiro. Até então, a moeda era o mil-réis, dividido em mil réis. A menor moeda de mil-réis era o tostão, ou $100; a de $050 teve sua última emissão em 1931 (a emissão de 1935 teve apenas cem exemplares, certamente com intuitos numismáticos) e a de $020, em 1927 (também com um “choro” em 1935, também com cem exemplares).

Logo, a menor moeda do primeiro cruzeiro era a de 10 centavos, equivalente a $100 e que até os anos 1950 conservou o nome popular de tostão. O cruzeiro nasceu sem moeda de 1 centavo, quantia que existia apenas para conta.

A primeira moeda de 1 centavo vai aparecer apenas com o cruzeiro novo, em 1967. A “pequena notável”, além de representar a menor unidade formal da moeda, marcou, com as peças de 2 e 5 centavos, a introdução do aço inoxidável na numária brasileira.

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A primeira moeda de 1 centavo emitida no Brasil

A reforma da série em 1979 trouxe uma nova moeda de centavo, mas “para inglês ver”. Se em maio de 1967 um dólar americano valia cerca de NCr$ 2,70, a moeda norte-americana fechou dezembro de 1979 a Cr$ 42,30. O chamado “centavinho”, que ostentava um râmulo de soja foi emitido entre 1979 e 1983, com 100 mil peças anuais, exceto 1980, que contou apenas 60 mil. Trata-se de peça que, por seu valor mínimo, praticamente não circulou. Basta apenas pensar que a moeda seguinte na série era a de 1 cruzeiro.

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O “centavinho” de 1979

A introdução do cruzado, em fevereiro de 1986, trouxe nova série de moeda com a introdução de uma peça de 1 centavo, de 15 mm de diâmetro. Para se ter uma ideia, a primeira cotação do dólar em cruzados foi de Cz$ 13,84, o que conferia à moedinha o valor pouco acima de 1 milésimo de dólar.

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Em 1989, o cruzado novo entrou em paridade com o dólar. E trouxe também, na nova série de peças metálicas, sua moedinha de 1 centavo, com o boiadeiro; o câmbio do dólar chegou a NCz$ 11,30 ao final de 1989, o que mostra a depreciação da peça de 1 centavo. É sintomática a queda na cunhagem: 270,4 milhões de peças em 1989 (IR 1.829,5 pontos) e 1 milhão em 1990 (IR 6,6 pontos).

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O Brasil não veria outra moeda de 1 centavo até 1994, quando da entrada em circulação do real. A primeira versão, de aço inox, foi batida entre 1994 e 1997, e, em termos absolutos, foi a peça mais emitida da história da numária nacional, com 1,99 bilhão de peças. Individualmente, a peça de 1994, com 877,1 milhões, tem IR de 5.473 pontos, sendo, inicialmente a segunda moeda mais emitida da história da numária brasileira, perdendo apenas para a peça de 10 cruzeiros de 1991, com 947,9 milhões de exemplares, com IR de 6.198,8 pontos.

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A moeda de 1 centavo da segunda série do real, emitida entre 1998 e 2004, tem 1,2 bilhão de exemplares e marca também, com outras peças da série, a introdução do aço eletrorrevestido na numária.

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Quadro sinóptico

Peças de um centavo emitidas no Brasil

1967 – cruzeiro novo, aço
1979 – cruzeiro, aço
1986 – cruzado, aço
1989 – cruzado novo, aço
1994 – real, aço
1998 – real, aço eletrorrevestido de cobre

Uma proposta de índice de referência de raridade para peças comuns

É fato que os índices de raridade usados pelos catálogos deixam a desejar no que se refere a como tal moeda foi classificada como rara, escassa ou comum. Por conta dessa necessidade, começo a pensar em um sistema numérico, um índice de referência (IR) para termos uma noção de quão rara é uma peça. Claro que o sistema que começo a pensar é deficiente em vários pontos, mas pode ser uma luz para desenvolvimentos futuros.

A correlação básica é entre a população cliente quando da emissão da peça, ou seja, seu mercado de circulação, e a quantidade de peças emitidas. Vamos ao primeiro cálculo com exemplo.

A moeda de 50 cruzeiros de 1985 teve 180 milhões de exemplares batidos para uma população estimada, à época, de 136.836.400 pessoas, segundo estimativas do Banco Mundial. Dividindo o número de peças pelo número de habitantes, teremos 1,32 peça/habitante.

Fazendo a mesma operação com os $500 de 1930, temos 146 mil peças para uma população estimada em 35 milhões de pessoas, o que nos dá um índice de 0,004 peça/habitante. Como esses decimais são muito incômodos no trato, resolvemos adotar o critério de 1 peça/habitante = 1.000 pontos. Assim, os 50 cruzeiros de 1985 têm um IR de 1.320 pontos, enquanto os $500 de 1930, 4 pontos.

O sistema aqui proposto tem vários problemas. Apenas para ilustrar, o primeiro deles seria a falta de séries anuais de população, já que os censos são feitos a cada dez anos, e há mesmo alguns intervalos de 20 anos. Como temos o índice de crescimento entre os censos, pode-se criar uma tabela de estimativas fracionando o percentual pelos anos do intervalo afinal, buscamos um índice de referência, não uma estatística precisa.

O bom desse tipo de indexação é uma noção razoável da proporção do número das peças. A moeda de 50 cruzeiros de 1985 é indicada como C.2 no Catálogo Bentes, ou seja, muito comum. Sabemos, então, que os 1.320 pontos no nosso IR equivalem a uma moeda muito comum, a peça de $500 de 1930 têm 4 pontos, indicada no Bentes como C.1 (comum), parece não responder exatamente à qualificação de comum.

O mesmo vale para a peça de $500 de 1932, comemorativa do 4º centenário da colonização, o famoso coletinho. Não é possível que uma peça com 34.214 exemplares para uma população então de 35,75 milhões (estimada) possa ser considerada simplesmente como C.1 (comum). O índice que propomos atribui-lhe 0,9 ponto, o que indica que ela é 4,4 vezes mais rara que os $500 de 1930.

Temos algumas moedas problemáticas na nossa numária, como a série MCMI. Ela foi emitida entre 1901 e 1917 sem alteração de data. Teríamos que fazer uma média da população no período; as quantidades registradas pelos censos de 1900 e 1920 são 17.438.434 e 30.635.605 habitantes, respectivamente. Considerando a média de 24.037.019,5 habitantes no período, para a moeda de $400, com 26,5 milhões de peças emitidas, teríamos um índice de 1,10 peça/habitante. Como as emissões anuais são indistinguíveis, ficamos com um IR de 1.100 pontos.

Essa pontuação seria, inicialmente, uma espécie de índice de referência básico (IR-B); penso ainda em adicionar outras variáveis, como o fato de a moeda não ser mais circulante, o tempo que ela não circula mais, por exemplo, para maior precisão do valor.

Inicialmente, pensamos que uma moeda com índice inferior a 200 seria uma peça com algum tipo de dificuldade em ser obtida.

Os colegas e confrades fiquem livres com opiniões para aperfeiçoar esse mecanismo.