Quanto vale a minha moeda – 3

Muita gente continua vindo a este blogue para saber o valor de suas moedas. Sem entrar em quantificações específicas, vamos dar algumas dicas nesse sentido. Já avisamos que não fazemos avaliações; logo, não peçam avaliações nos comentários.

Moedas brasileiras do século XX dificilmente têm algum valor monetário relevante, o que, claro, não impede colecioná-las. Lembre-se de que o século XX foi pródigo em inflação, e que as moedas, principalmente após os anos 1920, passaram a cumprir a função que hoje têm: a de dinheiro miúdo para troco.

Para termos uma ideia da desvalorização da moeda, vamos tomar como base o valor de 1$ (um mil-réis). Em janeiro 1901, o valor era representado por uma moeda de prata 11 dinheiros (916,6 milésimos), de 30 mm e 12,75 g, e valia 10 pence (0,04 libra esterlina). Em 1906, a peça passou a ser de prata 900 milésimos, com 26 mm de diâmetro e 10 g; naquele ano, comprava 1 shilling e 3 pence (0,063 libra); em 1922, a peça passa a ser de cuproalumínio (910 Cu-90 Al), com 26,7 mm e 8 g, o que já começa a caracterizar o mil-réis mais como moeda fiduciária. O câmbio médio de 1922 foi de 7½ pence (0,031 libra). Em 1936, a moeda passa a ter 24,5 mm e 7 g, infelizmente não temos a informação de câmbio, mas a desvalorização é visível. Em 1942, 1$ passa a ser 1 cruzeiro, moeda de cuproalumínio com 23 mm de diâmetro e 7 g, padrão que se manterá até 1956, quando é brevemente substituído por uma moedinha de 19 mm e 4 g, para ser, a partir de 1957, uma peça de alumínio de 23 mm e 2,7 g, que sobreviverá até 1961. Isso mostra bem a desvalorização monetária entre 1901 e 1961; com a reforma de 1967, o valor de 1 cruzeiro passa a ser 1 milésimo de cruzeiro novo, e usado apenas como moeda de conta. Assim o mil-réis foi da prata à inexistência.

O fato de uma moeda ser “antiga” não garante nada. Há peças com mais de cem anos que foram emitidas aos milhões; ou seja, há possivelmente um caminhão delas por aí. O fato de você nunca a ter visto (impressão pessoal) não a valoriza; nem o fato de ela estar no meio das coisas do seu avô. As pessoas mais velhas tinham o costume de juntar as moedas conforme elas iam perdendo valor. E outra: millennials acham que algo feito nos anos 1980, por ser anterior a seu nascimento, é necessariamente valioso. Basta lembrar que entre 1979 e 1997, por conta das altas taxas de inflação, só foram batidas moedas de aço, o metal de cunhagem mais abundante no Brasil. As peças metálicas feitas até 1994 tinham poder de compra reduzidíssimo, bastando lembrar que a moeda mais alta do último padrão antes do real, a peça de 100 cruzeiros reais, foi convertida para real na astronômica cifra de R$ 0,0275, ou seja, 2 centavos e 75 décimos-milésimos, ou 2¾ centavos de real.

Outro fator é observar as moedas batidas após 1939: temos moedas de cuproalumínio, cuproníquel, alumínio, níquel e aço, muito aço. São materiais baratos. É claro que estão fora dessa conta as peças comemorativas, como os 20 e 300 cruzeiros do Sesquicentenário da Independência, de 1972, de prata e outro, respectivamente, e os 10 cruzeiros dos dez anos do Banco Central (1975) e os 200 cruzados novos do Centenário da República (1989), ambas de prata. Essas não foram moedas feitas para circulação comum.

Moedas do século XX podem atingir valores interessantes se tiverem reverso invertido, ou seja, na posição contrária ao inicialmente previsto, ou reverso horizontal; ou ainda algum defeito de cunhagem. Há algumas exceções, como a presença de siglas nas primeiras moedas de cruzeiro (1944-6), mas é preciso consultar um catálogo para avaliá-las. Ou ainda se forem algum ensaio ou prova, ou seja, protótipos de moedas que não foram feitos para circulação.

Tampouco uma moeda, simplesmente por ser de prata, atingirá valores astronômicos. Há centenas de anúncios no Mercado Livre em que gente sem o conhecimento ou a consultoria adequada pede verdadeiras fortunas por peças relativamente comuns. Você pagaria, digamos, R$ 100 mil em um Fusca 85? Ou R$ 500 em um PF?

Então, antes de pôr algo a venda, procure informar-se. Não é porque se pede R$ 20 em uma moeda de 10 cruzeiros de 1984 ela efetivamente valha isso.

Outro dado muito importante é a conservação das peças; dependendo da moeda, ela só terá algum valor monetário se estiver em FC (flor de cunho), que é mais ou menos do jeito que ela sai da Casa da Moeda, ou seja, intocada.

Há várias questões envolvidas, mas dificilmente uma moeda brasileira emitida no século XX para circulação atingirá valores com mais de três dígitos.

Abaixo, uma lista resumida de moedas extremamente comuns:

  • 100, 200 e 400 réis da série MCMI (cuproníquel)
  • 20, 50, 100, 200 e 400 réis (1918-1935) de cuproníquel. Os valores de 20 e 50, se com data superior a 1927-9, são de interesse do mercado.
  • 500 e mil réis (cuproalumínio) do Centenário da Independência (1923)
  • 500 e mil réis (1924-1930 – cuproalumínio)
  • 100, 200, 400 e 2 mil réis da série Vicentina (1932). As peças de 500 e mil réis têm alta procura.
  • Peças emitidas de mil-reis entre 1936 e 1942.
  • 10, 20, 50 centavos, 1 e 2 cruzeiros (1942-56 – níquel rosa e cuproalumínio)
  • 5 cruzeiros (1942-3 – cuproalumínio)
  • 50 centavos, 1 e 2 cruzeiros (1956 – cuproalumínio)
  • 10 e 20 centavos (1956-61 – alumínio)
  • 50 centavos, 1 e 2 cruzeiros (1957-61 – alumínio)
  • 10 e 20 cruzeiros (1965 – alumínio)
  • 50 cruzeiros (1965 – cuproníquel)
  • 1, 2 e 5 centavos (1967-78 – aço)
  • 10 e 20 centavos (1967-78 – cuproníquel e aço)
  • 50 centavos (1967-78 – níquel, cuproníquel e aço)
  • 1 cruzeiro (1970-8 – níquel e cuproníquel)

A partir daqui, são todas de aço:

  • 1 cruzeiro (1979-85)
  • 5 cruzeiros (1980-5)
  • 10, 20 e 50 cruzeiros (1980-6)
  • 100, 200 e 500 cruzeiros (1985-6)
  • 1, 5, 10, 20, 50 centavos e 1 e 5 cruzados (1986-8)
  • 10 cruzados (1987-8)
  • 1, 5, 10 e 50 centavos (1989-90) – Obs.: as moedas e 1 e 5 centavos de 1990 são difíceis de conseguir, consequentemente podem valer algo, a depender o estado de conservação.
  • 1 cruzeiro (1990)
  • 5, 10 e 50 cruzeiros (1990-2)
  • 100, 500 e 1.000 cruzeiros (1992-3)
  • 5, 10, 50 e 100 cruzeiros reais (1993-4)

Primeira família do real:

  • 1 centavo (1994-7)
  • 5 centavos (1994-7)
  • 10 centavos (1994-7) – em 1995 foi emitida uma moeda comemorativa dos 50 anos da FAO, que pode valer algo, a depender o estado de conservação.
  • 25 centavos (1994-5) – em 1995 foi emitida uma moeda comemorativa dos 50 anos da FAO, que pode valer algo, a depender o estado de conservação.
  • 50 centavos (1994-5)
  • 1 real (1994)

Há ainda fatos mais recentes, como a moeda de 1 real dos 50 anos da Declaração Universal do Direitos Humanos, que tem, por conta de especulação, alcançado valores próximos de R$ 100, o que é um fato estranho, pois sua tiragem foi de 600 mil exemplares. Do centavinho (1979-83) foram batidas 100 mil peças de cada ano, e dificilmente a série completa de cinco peças sai por mais de R$ 40.

Portanto, antes de anunciar valores absurdos, veja o que você tem em mãos. E consulte os catálogos.

Anúncios

Previsão de emissão de moedas para 2018 e custo unitário

Ainda não vimos moedas da era 2018, mas, ao que parece, não teremos novidades quanto ao formato e ao prosseguimento da série atual no ano em curso. Segundo previsão retirada do site do Banco Central (Bacen), a produção será de:
.
5 centavos, 116.736.000 peças
10 centavos, 122.304.000
25 centavos, 54.528.000
50 centavos, 54.544.000
1 real, 75.264.000
O que perfaz 423.376.000 peças.
.
Na página em que há as emissões por ano, ainda não consta atualização para as moedas lançadas em 2018, apenas a cunhagem referente à era 2017.
O que nos chama a atenção é alto custo de fabricação das peças, que torna as moedas de 5, 10 e 25 centavos inviáveis. Abaixo, o custo unitário tirado do site do Bacen, em valores de dez/2016.
 .
5 centavos: R$ 0,282
10 centavos: R$ 0,369
25 centavos: R$ 0,456
50 centavos: R$ 0,375
1 real: R$ 0,428
.
Ou seja, as únicas peças que se pagam são a de 50 centavos e a de 1 real; todas as outras já custam mais que seu valor de face: 5,6 vezes para a moeda de 5 centavos, 3,7 para a de 10 centavos e 1,8 para a de 25 centavos.
.
A moeda de 50 centavos já tem um custo de fabricação equivalente a 75% de seu valor facial; a de 1 real, 42,8%.
.
Os últimos dez anos viram uma escalada considerável no valor de fabricação.
.
Está clara a necessidade de reformulação do meio circulante metálico. Uma possibilidade seria a interrupção da produção da peça de 5 centavos; redução do módulo e da espessura e troca da liga para aço inox das peças de 10 e 25 centavos; redução da espessura da peça de 50 centavos; introdução de uma peça de 2 reais.
.
Certamente não veremos essas modificações este ano, por ser ano eleitoral, mas é algo que possivelmente o Conselho Monetário Nacional já cogita. Não é impossível que 2019 veja a terceira série do real.

O poder liberatório das moedas metálicas

Poder liberatório, segundo o Glossário do Banco Central (BC) é a “capacidade da cédula, ou moeda, de liberar débitos, de efetuar pagamentos”.

Se observamos os vários textos legais que punham as moedas em circulação, encontraremos um limite de uso de moedas metálicas, como disposto, p. ex., no art. 5º do Decreto nº 21.358, de 4 de maio de 1932, que dispõe sobre as moedas da chamada Série Vicentina:

Art. 5º O poder liberatório das moedas que trata o art. 1º será, salvo mútuo consentimento das partes, respectivamente 40$0, 20$0 e 4$0, para as de prata, cobre-alumínio e [cupro]níquel, respectivamente.

Ou seja, as moedas, em um pagamento feito apenas com elas, tinham um limite de aceitação, que, a critério do recebedor, poderia ser ampliado. Ninguém era obrigado a aceitar moedas acima do limite estipulado.

Nas normativas a respeito do real há referência ao poder liberatório das peças metálicas, do que se deduz ser possível pagar qualquer quantia com moedas metálicas.

Errado. Embora não conste limitação expressa do poder liberatório das moedas, a Lei nº 8.697, de 27 de junho de 1993 — conversão em lei da Medida Provisória nº 336, de 28 de julho de 1993 —, que criou o cruzeiro real, fixa, em seu art. 9º:

Art. 9º Ninguém será obrigado a receber, em qualquer pagamento, moeda metálica em montante superior a cem vezes o respectivo valor da face.

Embora a MP nº 542, de 30 de junho de 1994 —  a MP do Real, reeditada várias vezes[1] e finalmente convertida na Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 — tenha criado uma nova moeda e não trate do poder liberatório das peças metálicas, como não consta revogação expressa da Lei nº 8.697, as partes do texto que não foram alteradas pela MP do Real são aplicáveis continuam em vigor:

Art. 23. A partir de 01.08.93:

[…]

V – Ninguém será obrigado a receber, em qualquer pagamento, moeda metálica em montante superior a cem vezes o respectivo valor de face;

[…]

Logo, o poder liberatório das nossas moedas metálicas segue esse inciso. Ninguém é obrigado a aceitar montante superior a cem vezes o valor de face das peças; vejam que não é uma proibição, logo, fica a critério do recebedor aceitar ou não.

O poder liberatório das moedas metálicas

* * *

[1] MPs nº 566, de 29 de julho de 2994, nº 596, de 26 de agosto de 1994, nº 635, de 27 de setembro de 1994, nº 681, de 27 de outubro de 1994, nº 731, de 25 de novembro de 1994, nº 785, de 23 de dezembro de 1994, nº 851, de 20 de janeiro de 1995, nº 911, de 21 de fevereiro de 1995, nº 953, de 23 de março de 1995, nº 978, de 20 de abril de 1995, nº 1.004, de 19 de maio de 1995, e nº 1.027, de 20 de junho de 1995.

Moedas auxiliares e divisionárias

Existe uma grande confusão entre esses dois termos. Habitualmente fala-se em “moedas divisionárias” do real, mas nem todas elas o são.

Divisionária é a moeda que é fração da unidade principal. O caso brasileiro, o real é a unidade principal, e seu submúltiplo é o centavo. As moedas divisionárias do real são 1, 5, 10, 25 e 50 centavos.

Auxiliares são as moedas que representam a unidade ou seus múltiplos. Atualmente, o Brasil tem apenas uma moeda auxiliar, a de 1 real.

A série do cruzado (1986-8), p. ex., teve cinco moedas divisionárias (1, 5, 10, 20 e 50 centavos) e três auxiliares (1, 5 e 10 cruzados).

Houve alguns períodos em que a numária brasileira não teve moedas divisionárias, mas apenas auxiliares, como entre 1962 e 1966, entre 1980 e 1985 e entre 1991 e 1993.

Um substituto para o cruzeiro em 1964: o brasão

No caos econômico que dominou boa parte dos anos 1960, houve iniciativas de reforma monetária. Trazemos hoje o texto de um projeto de lei que, se aprovado, teria deixado nosso meio circulante bem diferente do que ele foi de fato. Atenção para as peças que seriam produzidas.

O projeto foi apresentado pelo deputado Laerte Ramos Vieira (UDN/SC), em 15 de setembro de 1964, e queria substituir o desvalorizado cruzeiro pelo brasão, que equivaleria a mil cruzeiros, mais ou menos como aconteceu efetivamente com a introdução do cruzeiro novo, em 1965. A diferença é que este projeto estabelecia moedas de outro e prata, suas efígies e cédulas cuja ideia pode ter servido de inspiração para a série que efetivamente entrou em circulação em 1970.

A título de curiosidade, o ex-deputado Laerte Vieira ainda é vivo. Uma nota biográfica sobre o pai do brasão vem a calhar. O resumo foi extraído do site da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina.

18Nascido em Lages/SC, em 29/03/1925, filho de Álvaro Vieira e Altina Ramos Vieira. Bacharel em Ciências Contábeis e Atuariais pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade do Rio Grande do Sul (1949). Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de Santa Catarina (1956). Vereador de Lages/SC, legislatura de 1955 a 1959. Deputado na Assembléia Legislativa de Santa Catarina em duas legislaturas (1955-1959 e 1959-1963. Deputado na Câmara Federal em três legislaturas (1963-1967, 1971-1975 e 1975-1979. Vice-Presidente do Diretório Regional da UDN. Líder da UDN e do Governo na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Secretário do Interior e Justiça, secretário da Fazenda no período de 30/06/1960 a 30/01/1961, e da Segurança Pública (1960-1962). Candidato da UDN a Vice-Governador do Estado (1965). Vice-líder da UDN na Câmara dos Deputados. Membro da Ação Democrática Parlamentar (1963-1965). Membro do Instituto dos Advogados do Distrito Federal (1971). Advogado junto aos Tribunais Superiores de Brasília (1968-1973 e 1979). Membro efetivo da Comissão de Constituição e Justiça (1963-1967 e 1971-1975) e de Economia (1978-1979). Vice-líder do MDB na Câmara dos Deputados (1971). Membro da Comissão Executiva Nacional do MDB (1971). Líder do PMDB na Câmara dos Deputados (1975-1976 e 1977). Consultor-geral do Estado de Santa Catarina (1980-1983). Procurador-geral da Fazenda junto ao Tribunal de Contas (1983-1984). Membro da Comissão Afonso Arinos de Estudos Constitucionais (1986). Visita à Síria a convite do Governo daquele País. Delegado na XXIX Assembleia Geral das Nações Unidas. Grande Oficial da Ordem do MÉRITO DO CONGRESSO NACIONAL. Cavaleiro da Ordem do MÉRITO NAVAL. Medalha do Sesquicentenário do Senado Federal. Casado com Juça Therezinha Ribeiro Vieira e teve os filhos: Geraldo, Gabriel, Laerte, Guilherme, Maria Regina e Maria Cristina.

Projeto de lei nº 2.317/64

Institui o Brasão como unidade monetária
brasileira, e dá outras providências.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º – A unidade do sistema monetário brasileiro passa a ser o Brasão.

§ 1º – A centésima parte do Brasão denoninar-se-á Centavo.

§ 2º – As importâncias em dinheiro, qualquer que seja o seu valor, escrever-se-ão precedidas do símbolo Br$.

§ 3º – O Brasão corresponderá a mil cruzeiros (Cr$ 1.000,00)

Art. 2º – O meio circulante brasileiro será constituído por moedas metálicas e cédulas de papel-moeda.

Art. 3º – As moedas metálicas serão de três categorias:

a) Moedas de ouro que corresponderão a 100 e 50 brasões e terão as seguintes características:

Valor Diâmetro Efígie Peso
Br$ 100,00 32 mm Ruy Barbosa 16 grs.
Br$ 50,00 26 mm Tiradendes 8 grs.

b) Moedas de prata que corresponderão a 20 e 10 brasões e terão as seguintes características:

Valor Diâmetro Efígie Peso
Br$ 20,00 30 mm Barão do Rio Branco 12 grs.
Br$ 10,00 24 mm Duque de Caxias 6 grs.

c) Moedas de outros metais que corresponderão a 1, 2, 5, 10, 20 e 50 centavos e terão as seguintes características:

Valor Diâmetro Efígie
Br$ 0,50 27 mm Euclides da Cunha
Br$ 0,20 25 mm Oswaldo Cruz
Br$ 0,10 23 mm José Bonifácio
Br$ 0,05 21 mm Santos Dumont
Br$ 0,02 19 mm José de Anchieta
Br$ 0,01 17 mm Cruz e Souza

Art. 4º – As cédulas de papel-moeda corresponderão a 1, 2, 5, 10, 20, 50 e 100 brasões e terão as seguintes características:

Valor Formato Efígie
Br$ 1,00 60×140 mm Getúlio Vargas
Br$ 2,00 Mal. Deodoro da Fonseca
Br$ 5,00 Princesa Isabel

Br$ 10,00 65×150 mm D. Pedro II
Br$ 20,00 D. Pedro I
Br$ 50,00 D. João VI

Br$ 100,00 75×165 mm Pedro Álvares Cabral

Art. 5º – Incumbe exclusivamente à Casa da Moeda a cunhagem de moedas metálicas e a feitura das cédulas de papel-moeda que terão, além das características citaadas nos artigos anteriores, o peso, título, liga, tolerância da composição, inscrição no reverso, contorno, estampas, filigranas, padronagens, gravuras, motivos no reverso e cor estabelecidas por decreto do Poder Executivo.

Parágrafo único – Nenhuma moeda ou cédula poderá ser encomendada ou adquirida no estrangeiro, ressalvando apenas as partes de encomendas em via de execução.

Art. 6º – O Poder Executivo, através do Ministério da Fazenda, fixará as condições e os prazos dentros dos quais serão trocadas as moedas e cédulas atualmente em circulação e bem assim os prazos e descontos crescentes que sofrerão no período subsequente até perda total de seus valores.

Art. 7º – As moedas dos antigos cunhos serão gradualmente desamoedadas.

Art. 8º – É limitado em Br$ 1.500.000.000,00 (um bilhão e quinhentos milhões de brasões) o meio circulante, dependendo de autorização legislativa a emissão de moedas acima do teto fixado neste artigo.

Parágrafo único – A desobediência a este artigo importará em crime de responsabilidade do Presidente da República e do seu Ministro da Fazenda, nos termos do item VII do artigo 89, e parágrafo único do artigo 93 da Constituição Federal.

Art. 9º – É vedada, sob qualquer pretexto, a cunhagem de moeda comemorativa.

Art. 10 – A partir de 90 (noventa) dias da data da publicação desta lei, todos os atos e fatos relativos a dinheiro serão referidos e escriturados na nova moeda.

Art. 11 – É nulo de pleno direito qualquer cláusula contratual ou estipulação outra de pagamento em ouro, ou em determinada espécie de moeda metálica, por qualquer meio tendente a recusar ou restringir, nos seus efeitos, o curso forçado do brasão papel.

Parágrafo único – Não se incluem nas proibições deste artigo as obrigações contraídas no exterior, em moeda estrangeira, para serem executadas no Brasil.

Art. 12 – O Poder Executivo baixará, no prazo de 90 (noventa) dias da data de publicação, as normas regulamentares que se tornarem necessárias à prefeita execução desta lei.

Art. 13 – Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

(o dossiê do projeto pode ser consultado aqui)

Clipping: ‘As novas moedas bielorrussas’

Reforma monetária bielorrussa introduzirá moedas

Por Richard Giedroyc, do NumismaticNews.

Moedas farão parte da mais recente reforma monetária da Bielorrússia, mas as peças terão data de 2009!

Esta será a terceira reforma monetária da ditadura da Europa Oriental desde que a Bielorrússia tornou-se uma nação independente, após o colapso da União Soviética, em 1991. Será a primeira reforma que envolverá moedas e cédulas. As moedas não são usadas na Bielorrússia desde o fim da era soviética.

A reforma envolverá a troca dos velhos rublos pelos novos na proporção de 10 mil para um. Os rublos antigos circularão simultaneamente com a nova moeda até o final de 2016. As moedas serão lançadas em 1º de julho, nas denominações de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 copeques e 1 e 2 rublos. As novas cédulas do Banco Nacional da República da Bielorrússia são de 5, 10, 20, 50, 100, 200 e 500 rublos. Isso significa que as novas cédulas cortaram quatro zeros do padrão anterior.

belarus-2009-full-setSMALL

Nova série de moedas da Bielorrússia

As cédulas foram produzidas pela companhia De La Rue, no Reino Unido, especializada em impressos de segurança. As moedas foram cunhadas pela Casa da Moeda da Lituânia e pela de Kremnica, da Boêmia [República “Tcheca”]. As moedas e as cédulas trazem data de 2009, data em que originalmente se daria a reforma, adiada por conta da última crise financeira bielorrussa.

As moedas de 1, 2 e 5 copeques são de aço eletrorrevestido de cobre; as de 10, 20 e 50 copeques, de aço eletrorrevestido de bronze; a de 1 rublo, de aço eletrorrevestido de níquel; por fim, a moeda bimetálica de 2 rublos, com anel de [latão niquelado] e núcleo de aço.

A Bielorrússia sofreu com uma inflação rampante de dois dígitos desde que se tornou independente. Inicialmente, o país usou o rublo da Comunidade de Estados Independentes, depois começou a emitir a própria moeda.

O país tentou sem sucesso integrar sua moeda àquela da Federação Russa. Uma moeda única foi inicialmente sugerida com o tratado de criação da União da Rússia e da Bielorrússia, em 1999. Em 2008, a cooperação entre os dois países esfriou um pouco, quando, por conta do aumento do valor do gás e do óleo por parte da Rússia, a Bielorrússia lastreou seu rublo no dólar norte-americano.

A nova moeda está sendo recebida com ceticismo. Nenhum dos problemas econômicos que causaram a inflação está sendo combatido. O país continua dependendo da Rússia por conta de subsídios energéticos e empréstimos com taxas de juro baixas. O Estado domina a economia, o que provoca “fuga de cérebros” para outros países.

Yaraslau Ramachunk é consultor financeiro na Fundação Mizas, em Minsk. Em 27 de junho, ele contou à Rádio Free Europe que “com a taxa de inflação existente, os copeques deixarão de ser necessários rapidamente. É uma operação para distrair a atenção das pessoas dizendo ‘muito bem, temos nossos copeques de volta; sejamos orgulhosos deles e, depois, provavelmente criaremos outro símbolo em dois anos’”.

Nas moedas e nas cédulas há simbologia aludindo aos “bons tempos” da era soviética. O brasão do Estado com a estrela vermelha aparecerá no anverso de todas as moedas de copeque. A Bielorrússia readotou a bandeira e o brasão dos tempos da República Socialista Soviética.

Chris Weafer, consultor econômico na Macro Advisory, em Moscou, disse “você pode ter um efeito sentimental que pode conduzir a mudanças positivas em termos de gastos e investimentos e na percepção que as pessoas têm de economia, mas [a Bielorrússia] tem questões maiores para resolver antes que possamos começar a falar em qualquer retorno ao crescimento sustentável ou aumento do investimento estrangeiro”.

O presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, tentou dar um ar positivo à reforma monetária, dizendo que “o povo estava esperando por essa redenominação”, ajuntando que a nova moeda “contribuirá à eficiência da economia nacional”.

A eficiência está em evidência. A Perspektiva é uma associação de fornecedores com presença em todo o país e dirigida desde Minsk por Anatol Shumchanka. Shumchanka disse que atualizar as caixas registradoras obsoletas custará US$ 100 por máquina, o que daria US$ 2 milhões no total. As caixas bielorrussas atuais não têm lugar para moedas.

De acordo com Shumchanka, “isso implicará em despesas adicionais. Temos de licenciar novamente [as caixas], preparar documentos; em outras palavras, começar tudo do zero”.

Veremos se as moedas circularão ou se a inflação persistente tornará as moedas rapidamente obsoletas.

Os múltiplos e submúltiplos de 2 na numária brasileira

Primeiramente, alguns conceitos básicos. Em tese, as moedas de submúltiplos são planejadas de modo a uma quantidade determinada delas ser equivalente à unidade. Por exemplo, em nosso atual sistema centesimal:

A moeda de 1 centavo equivale à fração 1/100; com cem delas forma-se 1 real;

A moeda de 5 centavos equivale à fração 5/100, ou 1/20; com 20 delas forma-se 1 real;

A moeda de 10 centavos equivale à fração 10/100, ou 1/10; com dez delas forma-se 1 real;

A moeda de 25 centavos equivale à fração 25/100, ou 1/4; com quatro delas forma-se 1 real;

A moeda de 50 centavos equivale à fração 50/100, ou 1/2; com duas delas forma-se 1 real.

Note-se que os valores base são 1, 5 e 10, sendo os outros derivados: 25 = 5.5; 50 = 5.10. Todos redutíveis a uma fração de numerador 1.

No que se refere à numária brasileira, é interessante notar a presença esporádica de submúltiplos de 2. Na primeira (1942-56) e segunda (1957-61) séries, além da série das pequeninas (1956), do primeiro cruzeiro, tivemos moedas de 20 centavos e 2 cruzeiros. A terceira série (1965) teve uma moeda de 20 cruzeiros. Os 20 centavos formam a fração 1/5; a peça representante 1/5 voltaria ainda na primeira série do segundo cruzeiro (1967-79), que trouxe ainda a única moeda de 2 centavos que tivemos na nossa história, cuja fração é 1/50.

brazil-2-centavos-1967

A única moeda de 2 centavos da numária brasileira

A segunda série (1979-86) do segundo cruzeiro, embora pulasse o valor de 2 cruzeiros, trouxe-nos uma moeda de 20. A terceira série (1985-6) teve também uma moeda de 200 cruzeiros.

img_222809417_1416310834_abig

20 cruzeiros (1981)

A série do cruzado (1986-8), herdeira estética dessa terceira série do segundo cruzeiro, trouxe a moeda de 20 centavos, mas não uma de 2 centavos ou uma de 2 cruzados, ficando como única representante dos múltiplos e submúltiplos de 2.

A partir de 1989, com a introdução do cruzado novo, o 2 foi definitivamente banido da numária brasileira.

Porém, com a criação do real, em 1994, entrou uma variante de submúltiplo de base 5, a peça de 25 centavos, formando a fração 1/4, novidade absoluta na numária brasileira.

25 centavos-arte

A arte final da segunda moeda de 25 centavos (1998)

O Brasil teve ainda valores submúltiplos menos ortodoxos, como os $400, equivalentes a 2/5 da unidade, introduzidos em 1901, e os $300 (3/10), introduzidos em 1936, irredutíveis a uma fração de numerador 1, o que significa que é impossível, com uma quantidade x de peças, atingir exatamente a unidade.

brazil_300_reis_1936.jpg

300 réis (1936)

Há frações de numerador 1 comuns em outros países, como a Venezuela, que teve em períodos de sua história a peça de 12½ cêntimos, a chamada locha, que equivale a 1/8 da unidade, ou os Países Baixos, que tiveram a moeda de 2½ cent, equivalente à fração 1/40.

Na imagem maior, 15 copeques da URSS; à dir., no alto, 15 cêntimos do Paraguai; abaixo, 12 1/2 cêntimos da Venezuela

Há países que emitiram moedas cuja fração não era de denominador 1, como o Paraguai (15 cêntimos, fração 3/20) ou a URSS, com as moedas de 3 (3/100) e 15 copeques (3/20).

A base 2 nas cédulas

Nas estampas das cédulas do primeiro cruzeiro (1942-66), havia cédulas de 2 (Duque de Caxias), 20 (Marechal Deodoro) e 200 cruzeiros (Pedro I). Com a aceleração da inflação, entre o final dos anos 1950 e começo dos 1960, foi emitida a cédula de 5 mil cruzeiros, e não de 2 mil, o que quebrou com a sequenciação da base 2.

No cruzeiro novo, embora as moedas tivessem valores de base 2, as cédulas da primeira família não seguiam o mesmo padrão, inclusive na parte estética. As cédulas eram de 1, 5, 10, 50 e 100 cruzeiros, com lançamento posterior de uma cédula comemorativa de 500 cruzeiros.

A segunda família do segundo cruzeiro trazia uma cédula de 200 cruzeiros, com tons verdes e arroxeados, que circulou na primeira metade dos anos 1980.

A última cédula de base 2 antes do real foi a comemorativa de 200 cruzados novos/cruzeiros, que celebrava o centenário da República, lançada em 1989.

Somente em 2001 o Brasil voltaria a ter uma cédula de base 2, com o lançamento da peça de 2 reais. No ano seguinte, deu-se a introdução da cédula de 20 reais.

Clipping: ‘Novas moedas suecas’

23 de setembro de 2012, de Numismática Visual.

O Banco Central da Suécia apresentou a nova série de moedas “pequenas e leves” que serão postas em circulação em outubro de 2016.

Uma nova moeda de 2 coroas será introduzida, além da atualização das peças de 1 e 5 coroas; a moeda de 10 seguirá sendo a mesma [veja aqui sobre o metal da moeda de 10 coroas].

nuevas-monedas-suecia-2016.jpg

As moedas foram desenhadas pelo [escultor sueco] Ernst Nordin, com o tema “O sol, o vento e a água”, que simboliza o amor dos suecos pela natureza, além de ser título de uma famosa canção.

Na imagem abaixo, vê-se a diferença de tamanho entre a atual e a futura moeda de 5 coroas.

Antigua-y-nueva-moneda-de-5-krona

Abaixo, os desenhos rejeitados.