Medalhística: os 140 anos da Colônia Murici

SÃO JOSÉ DOS PINHAIS/PR – Descendentes de poloneses em São José dos Pinhais, cidade vizinha à capital paranaense, Curitiba, apresentaram, no último dia 2 de março, à imprensa especializada o design da medalha que será produzida em comemoração aos 140 anos da fundação da Colônia Murici, em 2018. Importante espaço agroeconômico do município, a Colônia é reconhecida nacionalmente por ainda manter vivas muitas das tradições de seus fundadores poloneses.

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Desenho inicial do anverso mostrando uma carroça, representando a chegada dos poloneses, os pinheiros-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia, árvore-símbolo do Estado), uma águia branca (ligada à simbologia da Polônia) e a constelação do Cruzeiro do Sul.

Cada medalha trará um desenho alusivo à imigração e contará com o patrocínio de empresas que terão seu logotipo no reverso das peças. Ao todo, serão produzidos pelo menos dez modelos diferentes, sendo um reverso para cada patrocinador.

Várias empresas já aderiram ao projeto, mas o grupo aguarda ainda a adesão de mais colaboradores.

As medalhas têm previsão de lançamento para 2018, durante as comemorações do aniversário da Colônia e estarão à venda em site especializado. O lucro obtido com a venda será destinado a estudos históricos e étnicos na região.

O projeto indica ainda que as medalhas serão fabricadas com a técnica de fundição e feitas de zamac (liga de zinco, manganês, alumínio e cobre), com 40 mm de diâmetro e massa aproximada de 25 g. Serão feitos 53 exemplares de cada uma das dez medalhas: 50 revestidos de níquel e três de prata esterlina (.925).

Esse tipo de emissão por entes não ligados diretamente ao âmbito tradicional, como Banco Central e Casa da Moeda, dá impulso à medalhística nacional. Iniciativas como esta da Colônia Murici são sempre muito bem-vindas.

Maiores informações pelo e-mail coloniamurici2018@gmail.com.

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Moedas comemorativas do Banco Central

Criado em 31 de dezembro de 1964 pela Lei nº 4.595, o Banco Central do Brasil (BC ou Bacen) é a segunda autoridade monetária do país (a primeira é o Conselho Monetário Nacional). Com sua criação, juntou em uma só instituição as funções de regulação econômica e emissão de moeda, que antes eram atribuídas à Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), ao Banco do Brasil (BB) e ao Tesouro Nacional. Considera-se como data de início das operações o ano de 1965.

Responsável pela emissão de moeda, o BC autocelebrou-se em quatro emissões. A primeira delas foi uma moeda de prata de 10 cruzeiros, de 1975, celebrando os dez anos da instituição.

castelo1.jpgValor facial: 10 cruzeiros
Era: 1975
Metal: prata 800
Diâmetro: 28 mm
Peso: 11,3 g
Tiragem: 20 mil exemplares (No Bentes 2014 consta 20 mil com cartela e 20 mil sem; no site do BC, apenas 20 mil)
Anverso: à esq, quase perfil do presidente Castelo Branco: à dir., horizontalmente, de baixo para cima, a inscrição BRASIL.
Reverso: Logomarca do BC e valor facial.
Bordo: inscrição “BANCO CENTRAL DO BRASIL 10 ANOS 1965-1975”.
Referências: Bentes 2014: C7.01 (sem cartela), C7.02 (com cartela) e C7.03 (reverso invertido); Banco Central: Cr70-33.

Ao que parece, essa moeda de 10 cruzeiros é a única brasileira a trazer a data no bordo, e não no anverso ou no reverso.

Os 20 anos do BC passaram em branco nas moedas, mas, em 1995, as três décadas da instituição foram celebradas em outra moeda de prata.

MC30bc.gifValor facial: 3 reais
Metal: prata 925 (esterlina)
Diâmetro: 28 mm
Peso: 11,5 g
Tiragem: 5 mil exemplares
Anverso: Logomarca dos 30 anos do BC, mais a inscrição “BRASIL”.
Reverso: Valor facial e logomarca do BC.
Bordo: serrilhado
Referências: Bentes 2014: C16.01 (proof) e C16.02 (proof, no estojo); Banco Central: sem número indicado atualmente no site, mas, segundo Bentes 2014, R-704.

Em 2005, os 40 anos da instituição foram celebrados com uma moeda de circulação pela primeira vez.

Há coincidência no tamanho do disco dos 3 reais com a emissão dos 10 cruzeiros, embora o metal seja diferente.

moeda-de-1-real-40-anos-do-banco-central-2005-805701-MLB20389348689_082015-OValor facial: 1 real
Metal: aço eletrorrevestido de bronze (anel) e aço inox (centro).
Diâmetro: 27 mm
Peso: 7 g
Tiragem: 40 milhões
Anverso: no centro, prédio da sede do BC em perspectiva; no anel, a inscrição: “BANCO CENTRAL DO BRASIL 1965 40 ANOS 2005”.
Reverso: o mesmo da moeda comum de 1 real.
Bordo: serrilhado intermitente.
Referências: Bentes 2014: 766.01, 766.02 (reverso invertido) e 766.03 (reverso horizontal); Banco Central: R-734.

Em 2015, o BC teve seu cinquentenário homenageado com outra moeda de um real.

Moeda50AnosBC.pngValor facial: 1 real
Metal: aço eletrorrevestido de bronze (anel) e aço inox (centro).
Diâmetro: 27 mm
Peso: 7 g
Tiragem: 33.282.270
Anverso: no centro, prédio da sede do BC em perspectiva, inscrição “50 ANOS”; no anel, a inscrição: “BANCO CENTRAL DO BRASIL 1965 2015”.
Reverso: o mesmo da moeda comum de 1 real.
Bordo: serrilhado intermitente.

Estrelas estranhas

O brasão de Armas da República, obra do engenheiro Artur Zauer, aparece repetidamente na numária brasileira, desde o $020 de bronze (1889-1912) até os 25 centavos de real da segunda família, fazendo fundo ao marechal Deodoro.

O brasão é basicamente o mesmo desde sua estreia; a única coisa que variou foi a quantidade de estrelas na bordadura do escudo, que foi alterada conforme a criação de novos estados, sendo que a versão atual vem de 1992, com a inclusão das estrelas por conta da criação dos novos estados, no marco da Constituição de 1988.

Embora não esteja textualmente citado nos dispositivos legais como têm de ser as estrelas, nos diagramas que acompanham os decretos todas têm cinco pontas. E assim foram reproduzidos nas moedas.

Porém, na moeda de 2$ comemorativa do centenário da Independência, o Cruzeiro do Sul presente no centro do brasão reproduzido na peça tem estrelas, digamos, um pouco estranhas.

O confrade Valdir Holtman, do Paraná, fotografou com detalhes algumas peças e todas são iguais: as estrelas da bordadura têm cinco pontas, mas a do centro do escudo, não. Rubídea, Mimosa e a Estrela de Magalhães têm seis (a primeira) e sete pontas (as duas últimas). É a única reprodução do brasão em que as estrelas têm seis pontas.

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O que seriam essas estrelas “anômalas”? É estranho ser um simples erro; trata-se de um desenho extremamente conhecido. As estrelas de seis e sete pontas podem ter relação com a maçonaria.

“A estrela de seis pontas é a representação da Trindade em duas situações: na manifestação divina aos planos inferiores da existência e na transcendência do manifesto até os planos mais elevados. Geralmente representa a descida da energia pura e espiritual de Fohat até onde possa existir vida e o mínimo de Luz. O objetivo desta descida é a iluminação e a purificação de Tudo o Criado. A subida ou transcendência refere-se a Kundalini ou energia vital mais material, carnal e animal. Ela deve elevar-se fechando o ciclo iniciado com a Criação e coroando a Magnus Opus Dei (Grande Obra de Deus). É Kundalini que atrai Fohat e é Fohat que eleva Kundalini. A existência destas duas energias ou consciências é em si uma existência só contendo duas realidades complementares e não postas, à semelhança do número dois ou da Dualidade. Quando estas duas energias realizam seus movimentos (de descida e de subida) encontram-se (em Akahsa) na Unidade formando a Divindade também conhecida como a Rosa na Cruz (o plano horizontal representando Kundalini e o plano vertical representando Fohat). Outra referência desta trindade de princípios espirituais é encontrada nos conceitos de Rajas, Tamas e Satwa. É a geração da vida com suas diversas manifestações, variações e imprecisões. O cruzamento dos triângulos também representa a união sexual e o Tantrismo (o sexo sagrado).” (aqui)

“O número sete, tão conhecido e divulgado, sempre relacionado com o poder e o comando da Organização Celestial está presente em diversos textos e referências esotéricas. O sete representa as maravilhas do mundo, sábios gregos, virtudes, pecados capitais, notas musicais, cores do arco-íris, dias da semana, etc. Conforme os ensinamentos esotéricos, Sete também são os corpos das pessoas (Físico, Vital, Astral, Mental Inferior, Mental Superior, Búdico e Atmico). Podemos encontrar muitas outras correlações setenárias. Conforme estudiosos, na Bíblia o sete é o número da “preferência divina”. O sete é o conceito do quatro (Criação) unido à Trindade (Criador), por isso é tido como o número da Perfeição. O esoterismo universal e eterno apresenta o conceito setenário de uma forma bem clara e prática no estudo astrológico dos planetas. Os planetas astrológicos (existe uma grande diferença entre Astrologia e Astronomia, leia artigo em meu outro blog) representam as Leis Divinas em ação, ou mesmo as “janelas” ou vórtices por onde nos chegam as luzes celestiais. Eles são: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Podemos também estudar o número sete pelos Arcanjos que ele representa.” (aqui)

Na maçonaria, a estrela de sete pontas são “as sete maneiras através das quais o homem pode atingir a perfeição” (aqui).

Seria o gravador da peça, Girardet, maçom?

Carlos Drummond de Andrade e as moedas

Li muita coisa de Drummond, mas nunca tinha me deparado com um texto seu sobre moedas. O que aqui transcrevemos foi originalmente publicado na coluna que o poeta mantinha no Correio da Manhã.

* * *

Novas moedas

Como são leves as novas moedas divisionárias! Mais do que leves: leveiras, levianas, levípedes, alípedes… O dicionário analógico não me dá outros adjetivos, e as moedas não valem o momento de pesquisa. Tive, diante delas, a sensação de vapor, e é bom que nos habituemos a considerar dinheiro algo vaporoso, sem forma ou volume próprio, que se arredonda na carteira dos ricos e se comprime no bolso dos pobres. Gás extremamente volátil.

A ideia de fazer níquel de alumínio é uma grande ideia, a começar pela diferença de peso atômico entre os dois metais, e a continuar pela infinita facilidade com que os métodos industriais de fabricação do alumínio permitem abastecer o mercado. De alumínio são nossas panelas, de alumínio móveis e moedas, e amanhã teremos estátuas, navios e corações de alumínio. Estes, suas penas de amor serão tão ligeiras quanto a substância, e há de ser fácil mantê-los puros e reluzentes.

Não se pense, contudo, que devemos a inovação monetária à moderna alkmia*, instalada no Ministério da Fazenda. Quase todos os países do mundo já a praticam. Apenas, costumam usar desenhos mais bonitos no verso e anverso de seus trocados. Nossas moedinhas de 1956 têm a mesma falta de gosto das anteriores. De um lado, o algarismo nu e cru; do outro, as eternas armas da República, indicando talvez que nossa República tem o complexo das armas. Na moeda francesa, a indicação do valor é rodeada por duas cornucópias de frutas e folhas.; do outro lado, a figura simbólica de mulher, com o barrete frígio contornado por uma coroa de trigo (durante a revolução, essa figura era nada menos que o retrato de Mme. Recamier). Na de 5 francos, desapareceu o barrete, e o gravador não se esquivou a assinar o trabalho, de boa qualidade. A de 10 liras, italiana, ostenta um ramo de oliveira, frutificado; na outra face, um pégaso em ascensão. Mesmo convencionais, estas imagens agradam pela execução apurada, e como são audaciosas, diante de nossas pobres concepções da ornamentação do dinheiro!

Verdade seja que acabaram as figurinhas importantes, entre as quais os poderosos do dia alternavam com Ruy Barbosa e José Bonifácio. Foi bom. Não teremos mais o rosto de Machado de Assis, naquele 500 réis de 1939, mas em compensação deixaremos de carregar no bolso, com o retrato do nosso amor, cinco ou seus efígies do presidente da República em quem não votáramos. A moeda pecava pelo exagero. Lembro-me do mil-réis de 1922, ano do centenário da Independência, em que no primeiro plano aparecia o chefe do governo de então, e lá atrás, meio escondido, o rapaz que fizera o brinquedo e soltara o grito do Ipiranga.

Não sou contra as caras reproduzidas em ouro, prata ou alumínio, desde que sejam belas. Nossos homens ilustres não precisam ser cultivados em 20 centavos. Mas um rosto feminino, que represente ou não ideia cívica, uma forma grácil da natureza, uma flor nacional, um traço engenhoso, que dê à materialidade do dinheiro certa fantasia e convide os olhos a se deterem nele um instante — que mal há nisso? Também não seria mau que artistas como Goeldi, Poty, Abramo fossem chamados a cunhar na Casa da Moeda. Dinheiro e medalha não deveriam ser feios obrigatoriamente. Basta que o feio seja facultativo.

* Assim grafado se encontra no original, muito possivelmente uma referência ao ministro da Fazenda sob cuja gestão as moedas foram introduzidas, José Maria Alkimin.

(Correio da Manhã, 27/12/1956, 1º caderno, p. 6)

* * *

Na sua coluna de 3/3/1957, Drummond publica o poema “Brincando de brincar”, que tem a seguinte quadra:

Faz de conta que esse alumínio
das novas moedas é puro ouro.
(Nosso chefe, Deus ilumine-o
pelo menos no ano vindouro.)

R00020AO mais irônico é Drummond ter ornado duas moedas brasileiras, não de alumínio, mas de prata e ouro, que celebraram seu centenário, em 2002.

Clipping: ‘A menor moeda do mundo?’

Por Jay, do CoinThrill.com.

1836-1-1-2-british-pence

Digam olá à minha nova amiguinha. É um 1½ penny* do Reino Unido, de 1836! E, francamente, é a menor moeda que eu já vi… Vejam o quão fofa ela é (sim, é “ela”). Comprei-a por 27 dólares (vale algo por volta de 33 dólares em condição VF) e não tenho sido capaz de deixá-la de lado desde então. Estou na missão de encontrar uma moeda que seja menor que esta para a minha coleção, mas, de longe, falhei miseravelmente.

Eis a moeda comparada com as americanas:

1-1-2-pence-compare-penny

1-1-2-pence-compare-dime

1-1-2-pence-compare-quarter

 

Eu não tinha nenhum troco aqui perto, então peguei rapidamente essas coisinhas da minha cumbuca de “renegadas” que juntei com o tempo… As moedas não valem mais nada que seu valor facial, mas têm coisas bem esquisitas nelas, como tinta, mutilações loucas, bordos mais finos em uma que em outra etc. Não velo como repô-las em circulação!

De qualquer maneira, como você pode dizer que essa moeda é a menor das menores. E que denominação interessante! Um penny e meio?! Seria muito interessante ver quanto isso valeria hoje, aproximadamente… Talvez algo como a moeda de 50 centavos? E a coisa tem quase 200 anos! Realmente incrível que se possa ver bem os detalhes.

Alguns detalhes deste 1½ penny, do NGC:

Composição: prata
Peso: 0,7069 g
Peso da prata (ASW): 0,021 oz (2% de uma onça de prata)
Valor da prata: U$ 0,40 (em 7/6/2014)
Busto do anverso: Guilherme IV
Diâmetro: 12 mm

* mantivemos a denominação como o autor a pôs, mas a moeda é conhecida como three halfpence, ou três meios-pence, e não foi feita para circulação no Reino Unido, mas nas suas colônias, principalmente na Índia e no Ceilão. Incluímos a informação do diâmetro.

Original em inglês.

A simpática Milda

A Letônia entrou na Zona do Euro em 1º de janeiro de 2014, fazendo com que uma nova subsérie nacional de moedas fosse criada para circular na pequena república báltica.

A novidade foi o reaparecimento de um busto já conhecido, o de uma camponesa letã com ornamentos típicos do país — figura conhecida popularmente como Milda. As moedas de 1 e 2 euros trouxeram a efígie de Milda da antiga moeda de 5 lats, do período entre guerras — as peças de cêntimo de euro trazem o brasão de armas do país. A peça de prata .835 foi emitida em 1929, 1931 e 1932, quando seu ledo retrato foi substituído pelo carrancudo Kārlis Ulmanis — primeiro-ministro do pequeno país báltico por quatro vezes entre 1919 e 1940 e seu quarto presidente, entre 1936 e 1940.

O anverso dos 5 lats de prata, do final dos anos 1920 e começo dos 1930

O anverso dos 5 lats de prata, do final dos anos 1920 e começo dos 1930, com a doce e argêntea Milda

Ao fim da Segunda Guerra, o país foi ocupado pelos soviéticos e incorporado à finada URSS, da qual se livrou apenas em 1991.

Milda que está no anverso das moedas de 1 e 2 euros foi desenhado para os 5 lats por Rihards Zariņš, artista plástico de origem alemã, com base no perfil de Zelma Brauere, revisora das Oficinas de Timbre do Estado.

Milda refulgendo numa moeda de 2 euros

Milda refulgendo numa moeda de 2 euros

Além de simbolizar o próprio país, Milda foi um símbolo da resistência letã ao invasor soviético. Nada mais justo que ela volte ao lugar do qual jamais deveria ter saído: o anverso das moedas letãs.

O rand sul-africano – parte 1

A moeda sul-africana, o rand, existe desde 1961, ano em que a União da África do Sul — uma monarquia constitucional de vínculo pessoal com o soberano britânico — tornou-se a República da África do Sul.

Até então, a União valia-se da libra, cunhada nos mesmos moldes da libra britânica, com as seguintes moedas: ¼d. (farthing), ½d. (meio pêni), 1d. (um pêni), 3d. (três-pence, chamada também de tickey), 6d. (seis-pence), 1s. (um xelim), 2s. (dois xelins/um florim), 2/6 (dois xelins e seis pence, ou meia coroa) e 5s. (cinco xelins, uma coroa). Os valores até 1d. eram de cobre e o restante, de prata, cujo título variou entre 800 e 500. Havia ainda as moedas de ouro de meio soberano (meia libra, 10s.) e um soberano (uma libra), cunhadas no mesmo módulo de suas similares britânicas.

 A única diferença com a cunhagem britânica é o três-pence, que era de prata e começou a ser substituído em 1937 por uma moeda dodecagonal de latão; a África do Sul continuou com o três-pence de prata.

Três-pence (threepence ou tickey) de 1959, meia prata

Três-pence (threepence ou tickey) de 1959, meia prata; à direita, o nome do país em inglês; à esquerda, em africâner

A libra sul-africana foi substituída pelo rand na razão de 2 rand para 1 libra. A razão dessa taxa era aproximar o valor da moeda ao dólar norte-americano, como fariam nos anos seguintes Austrália e Nova Zelândia, na introdução de seus respectivos dólares.

A primeira família do rand seguiu os módulos da libra, com exceção das moedas de ¼d. e 2½s. , que foram suprimidas. As moedas de ½d. e 1d. foram substituídas por moedas de latão de ½ cent e 1 cent. O 3d. foi substituído por uma moeda de 2½ cent; 6d., 5 cent, o 1s por 10 cent, o florim por 20 cent e a coroa por uma moeda de 50 cent.

Em vez da efígie da rainha, as novas moedas traziam Jan van Riebeeck, funcionário holandês da Companhia das Índias Ocidentais e fundador da Cidade do Cabo. Dentro da concepção nacional africânder, Riebeeck — que já constava nas cédulas da libra sul-africana — é considerado o Pai da Pátria. A presença de um ossewa — carro de boi usado pelos Voortrekkers — também remete ao nacionalismo africânder.

1 cent com o característico ossewa dos Voortrekkers

1 cent de 1961 (latão) com o característico ossewa dos Voortrekkers

1/2 cent, com o busto de Rieebeck; lê-se, ao redor, "Unidade é força", em africâner e em inglês

1/2 cent de 1964 (latão), com o busto de Riebeeck; lê-se, ao redor, “Unidade é força”, em africâner e em inglês

O próprio nome da moeda faz parte dessa construção de pátria; rand vem de Witwatersrand, cadeia de montanhas no Transvaal onde, no século XIX, foi descoberto ouro. Cerca de 40% de todo o ouro extraído no mundo até o momento provém daquelas montanhas.

Esta primeira série do rand foi feita até 1964, quando uma nova família foi introduzida.